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Ministro do Turismo afirma que o Amazonas soube se vender para o mundo durante a Copa

Na entrevista exclusiva concedida a A CRÍTICA, o ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages , disse que Manaus é um dos melhores destinos turísticos do País e que a Copa do Mundo deixou vários legados

Ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages

Ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages (Divulgação/Min. Turismo)

À exceção do desempenho pífio da Seleção Brasileira, o sucesso da Copa do Mundo no Brasil é fato incontestável. Dentro do campo, o que se viu foram jogos eletrizantes, partidas recheadas de gols e estádios lotados. Fora dele, a hospitalidade do povo, a cultura, culinária e destinos turísticos que levaram mais de 3 milhões de brasileiros e estrangeiros de 203 nacionalidades a viajar pelas 12 sedes e conhecer outros 378 municípios.

E a grata surpresa foi Manaus. Criticada pela imprensa internacional e temida pelas seleções por causa da distância e do calor, a capital do Amazonas foi destaque, pela Fifa e jornalistas do mundo inteiro, com uma das melhores sedes da primeira fase do campeonato mundial de futebol. Para mostrar os dados e a avaliação do Governo Federal da chamada “Copa das Copas”, A CRÍTICA entrevistou o ministro do Turismo, Vinícius Nobre Lages.

Na conversa com a reportagem, ele mostrou a pesquisa feita pelo Ministério sobre os resultados do evento e o legado que traz para o setor. Sobre o Amazonas, Lages diz que o Estado “soube aproveitar a oportunidade e se vender para o mundo”. Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista com o ministro do turismo brasileiro.

Encerrada a Copa do Mundo no Brasil, qual a avaliação do Ministério do Turismo sobre o evento, levando em conta os bons resultados do ponto de vista do turista brasileiro, estrangeiro e dos jornalistas que aqui estiveram?

A Copa do Brasil foi um grande sucesso. Consolidou a certeza de que somos capazes de realizar grandes eventos com competência e comprovou, ainda, nossa vocação natural para o turismo. Vamos aproveitar essa elevada exposição positiva no cenário mundial para inaugurar um novo ciclo no turismo nacional, colocando-o, em definitivo, na prateleira de consumo do brasileiro e dos principais mercados internacionais.

A capital do Amazonas, Manaus, foi um das subsedes da Copa. Ante ao temor por causa da distância e do calor, a cidade foi eleita um dos melhores lugares na primeira fase da competição. O que causou essa boa impressão? E foi uma grata surpresa por parte dos organizadores e do Governo?

A interação entre os governos, nas esferas federal, estadual e municipal, aliado ao esforço excepcional das cidades-sede, contribuiu para a organização e enfrentamento de desafios durante a preparação para a Copa. O Amazonas soube aproveitar a oportunidade e se vender para o mundo. Tanto que, além de Manaus, os turistas estrangeiros da Copa visitaram outros destinos amazonenses como Parintins, Novo Airão, Tabatinga e Tefé. Nossas pesquisas mostram ainda que Manaus vem despontando como importante destino de turismo de negócios, atraindo turistas de alto poder aquisitivo. A capital está também entre as 10 cidades mais desejada pelos viajantes.

O Ministério do Turismo fez um levantamento do perfil do turista brasileiro e estrangeiro. O que dizem esses dados e o que eles representam?

Recebemos turistas de 203 nacionalidades na Copa e o percentual de intenção de retorno foi de 95%, segundo a pesquisa que fizemos em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Mais de 60% não conhecia o Brasil e elogiou a infraestrutura e os serviços. Ao mesmo tempo, tivemos mais de 3 milhões de brasileiros viajando pelo país, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas.

No período da Copa, qual foi a ocupação hoteleira nos locais onde ocorreram os jogos? O MTur possui informações sobre a qualidade e o atendimento na rede hoteleira durante a Copa? Os hóspedes ficaram satisfeitos com os serviços ou deixaram a desejar?

 O Ministério do Turismo fez um grande esforço em parceria com outros órgãos federais e representantes das cidades-sede para garantir que não faltasse hospedagem para os turistas da Copa. Nossas pesquisas mostram que os meios de hospedagem tiveram aprovação de 80,6% dos brasileiros e de 81,9% dos jornalistas internacionais. Em relação à ocupação, o Fórum de Operadores Hoteleiros (FOHB) registrou um percentual de cerca de 90% nas cidades-sede nos dias de jogos e na véspera.

O fluxo de turistas nas cidades-sedes da Copa do Mundo também cresceu. Qual foi o movimento nos 20 principais aeroportos do País durante a competição?

A Copa do Mundo no país, permitiu a movimentação de 3 milhões de brasileiros e 1 milhão de estrangeiros. São Paulo foi o principal estado emissor de turistas, com 858.825 pessoas. Em segundo lugar apareceu o Rio de Janeiro (260.527), seguido da Bahia (220.021). Minas Gerais ficou em quarto lugar (204.425) e o Paraná em quinto: 165.694. Os 21 principais aeroportos brasileiros registraram uma movimentação de 17,8 milhões de passageiros entre os dias 10 de junho e 15 de julho, período que compreende o mundial. O número é 13% maior que o registrado no mesmo período do ano passado, quando esses mesmos terminais receberam 15,8 milhões de pessoas. Os principais aeroportos que atenderam as cidades-sede da Copa de 2014 receberam quatro vezes mais pessoas que os principais aeroportos da África do Sul durante a Copa de 2010.

Havia uma preocupação com a conclusão das obras nos aeroportos. Houve muitos atrasos, reclamações e cancelamento de muitos voos no período da Copa? Ou os aeroportos deram conta do recado?

Os aeroportos funcionaram muito bem. De acordo com pesquisa realizada pelo Ministério do Turismo com 6,5 mil turistas estrangeiros, oito entre cada dez deles aprovaram os nossos aeroportos. Pelos padrões internacionais, o índice aceitável de atrasos superiores a 30 minutos é de 15%. No Brasil, entre os dias 10 de junho e 15 de julho, período da Copa, o índice foi 6,94%.

Outro item presente do rol de preocupação era a segurança pública, mas, parece não ter havido grandes transtornos. Quais os números desse quesito levantados pelo MTur?

Pesquisa feita pelo Ministério do Turismo com mais de 6,5 mil turistas estrangeiros mostrou que 92% deles aprovaram a segurança pública brasileira. Para No campo da segurança pública temos um dos principais legados da Copa como o próprio Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, afirmou. Por ocasião da Copa foram construídos 15 Centros Integrados de Comando e Controle e investido mais de R$ 1 bilhão na compra de equipamentos. As forças de segurança passaram a trabalhar de forma integrada. Tudo isso ficará para a população brasileira.

Reunindo todas as informações, quais os resultados econômicos deixados no Brasil durante a Copa?

 Os estrangeiros nunca gastaram tanto no país quanto na Copa do Mundo. De acordo com o Banco Central, os visitantes internacionais deixaram no Brasil US$ 1,406 bilhões, se somados os meses de junho completo e julho até o dia 23. O valor é 41,59% superior aos gastos feitos nos dois meses completos do ano passado (US$ 993 milhões). A Copa do Mundo reverteu o déficit registrado até maio na conta do turismo.

Qual o legado da Copa no Brasil para o turismo nacional e, especialmente, para o Amazonas e toda a Região Norte?

Copa é uma oportunidade de consolidar o Brasil como destino internacional e fortalecer o movimento crescente do turismo interno. Não tenho dúvidas sobre nossos ganhos em qualidade de produtos e serviços de turismo e de todas as áreas relacionadas à economia do setor. Estamos apostando no retorno dos visitantes e no reforço do país como importante destino internacional. Uma pesquisa do ministério do Turismo com os turistas estrangeiros da Copa mostrou que 95% dos estrangeiros têm intenção de voltar ao Brasil. O dado comprova que cumprimos o nosso papel. Para o Amazonas e a região Norte, a Copa vai deixar como legado a Arena da Amazônia que poderá ser usada para jogos, shows, espetáculos e eventos em geral; a reforma no aeroporto Eduardo Gomes que recebeu R$ 444 milhões e cuja área foi ampliada, passando de 39.483 m2 para 97.258 m2, novo estacionamento, novas esteiras, elevadores, escadas rolantes e novas pontes de embarque; além do Centro de Convenções, que foi financiado com recursos do Ministério do Turismo (R$ 40 milhões) e pode ser usado para fomentar o turismo de negócios no Estado e na região.

Perfil: Vinícius Lages
Idade: 56 anos
Natural: Maceió/AL
Estudos: Doutor em Desenvolvimento, Mestre em Gestão Ambiental, Especialista em Economia de Serviços, Turismo e Desenvolvimento de Negócios.
Experiência: Foi membro do Conselho Nacional de Turismo. É ministro do Turismo desde 13 de março de 2014.