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Moradores são condenados ao isolamento na BR-319

Famílias que se mudaram para viver ao longo da estrada, após promessa de conclusão, amargam o descaso e abandono

Quem vive nas comunidades localizadas ao longo da rodovia amarga os reflexos do isolamento e do descaso do poder público em dar uma definição para a obra da estrada

Quem vive nas comunidades localizadas ao longo da rodovia amarga os reflexos do isolamento e do descaso do poder público em dar uma definição para a obra da estrada (Euzivaldo Queiroz )

A população que sobrevive ao longo da BR-319 reclama do abandono do Governo Brasileiro e do completo isolamento que se impõe em determinadas épocas do ano, por conta das condições da rodovia.

Os habitantes de Realidade, por exemplo, comunidade do Município de Humaitá, a 600 quilômetros de Manaus e 90 quilômetros de Porto Velho, ficam durante sete dos 12 meses do ano sem contato com a cidade mais próxima. A partir de janeiro, o período chuvoso, que castiga a região a partir de dezembro, intensifica o drama das famílias, impedindo o único acesso terrestre.

A maioria das famílias trabalha com agricultura, extrativismo e manejo de madeira. Elas têm prejuízos anuais por não conseguirem escoar a produção para nenhum município.

Quem se arrisca a sair de carro fica preso no atoleiro e só é retirado com ajuda de tratores, mas apenas quando se está perto da comunidade. Segundo o extrativista Sílvio Valente, 32, nos casos em que os veículos ficam no atoleiro longe da comunidade, eles são resgatados somente depois de dias, quando a chuva dá uma trégua ou o trator consegue chegar ao local.

Viagem arriscada

Há vários relatos de moradores que adoecem e são levados para Humaitá, mas ficam presos na estrada e pioram. Uma das pessoas que passaram por essa infeliz experiência é a cozinheira Leontina Rosa da Silva, 62. Ela mora há dois anos em Realidade e chegou à comunidade motivada pela esperança de conseguir um terreno, quando o boato que a rodovia seria reativada chegou ao Acre, Paraná e Rondônia.

Era de noite quando ela estava indo para Humaitá, em um ônibus, com aproximadamente 30 pessoas. A estrada estava tomada por lama, mas o motorista seguiu viagem a pedido dos passageiros. O que era esperado aconteceu. O ônibus ficou atolado e os passageiros dormiram nele até amanhã seguinte. Segundo ela, foi sorte alguém ter passado e acionado um trator para tirar o ônibus da lama.

“É um sofrimento só. Quando chove é lama em todo lugar, quando faz sol é poeira. É muito ruim ficar na estrada. Parece que estamos num lugar diferente do Brasil. Lugar esquecido. Será que alguém nesse Brasil sabe que a gente existe? Que estamos aqui? Será que alguém do Governo que deixa a estrada sem asfalto sabe o que passamos? Porque nunca vimos nenhum deles por aqui. Precisamos de médicos, de vida, precisamos ser reconhecidos, mas para isso precisamos da estrada”, desabafou.

Leontina é mineira, morou em Vista Alegre, em Porto Velho, e atualmente mora de aluguel em Realidade, com três filhos. As cerca de 2 mil famílias que moram em Realidade têm historias parecidas com a de Leontina e compartilham as mesmas dificuldades e reclamações.