Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Páscoa e negócios: histórias de superação

O Caderno DINHEIRO conta a seguir duas histórias de superação com todos os ingredientes, incluindo peixe e doces

A paulista Milene Rivas é uma daquelas pessoas que já estavam destinadas a seguir uma profissão

A paulista Milene Rivas é uma daquelas pessoas que já estavam destinadas a seguir uma profissão (Érica Melo)

O peixe está para a Semana Santa assim como o ovo de chocolate está para a Páscoa, importantes eventos que integram o calendário cristão no que tange o sofrimento, a morte por crucificação e a ressurreição de Jesus Cristo, o qual, por seu simbolismo religioso, morreu para que tivéssemos “vida eterna”...desde que, claro, venhamos a dar a nossa parcela de colaboração para isso. Afinal, percalços existem e muitas vezes nos levam ao fundo do poço, de onde alguns, com muito esforço, coragem e superação conseguem emergir para uma nova vida.

Consequentemente, realizam a sua própria Páscoa pessoal. DINHEIRO conta a seguir duas histórias com todos esses ingredientes, incluindo peixe e doces. Uma delas tem como protagonista o casal de gestores que resolveu cozinhar e abrir um restaurante de peixe. A outra é da chef que abandonou cozinhas renomadas para reiniciar a carreira vendendo brigadeiros nos ônibus e conseguir viver uma grande história de amor.

Chocolate e amor

A paulista Milene Rivas é uma daquelas pessoas que já estavam destinadas a seguir uma profissão. Desde criancinha, ela já arriscava alguns pratos ao lado da mãe e tem uma receita de doce que escreveu quando ainda tinha sete anos para provar.

Essa paixão cresceu com ela e a ajudou a pagar parte da faculdade de Publicidade com a venda de pães de mel e outros doces. Ao acabar o curso, Milene acabou batendo na porta do chef Alex Atala, com quem trabalhou durante dois anos e mantém uma amizade até hoje. Depois disso, ela passou por várias cozinhas da alta gastronomia da área nobre do Rio de Janeiro, cozinhando para celebridades, políticos e várias pessoas influentes.

Tudo isso começou a ficar pequeno em 2005, quando, em uma visita de trabalho à Manaus, ela conheceu o professor de filosofia Maurício Pardo no Bar do Armando. O amor entre os dois acabou trazendo a chef para o Norte. “Nós namoramos dois dias e depois começamos a conversar pela internet. Até que, no dia 16 de fevereiro de 2006, ela já estava aqui morando comigo”, conta o professor.

Mesmo com um currículo valioso, Milene enfrentou dificuldades para encontrar emprego em Manaus e resolveu iniciar o próprio negócio: comprou uma lata de leite condensado e começou a fazer brigadeiros, que eram vendidos pelo marido nos ônibus de transporte coletivo. Depois de um tempo, o casal fez um empréstimo de R$ 300 para montar uma barraca no Mercado Cultural do Passeio do Mindu, seguida de outra barraca, desta vez, na Feira (dominical) da Avenida Eduardo Ribeiro. Com o sucesso, eles montaram a Bárbaros- confeitaria artesanal & delicatessen, no Vieiralves, onde hoje vendem vários doces e salgados, todos feitos por Milene e vendidos por Maurício. Os dois levam o trabalho tão a sério que fizeram questão de responder às perguntas da reportagem enquanto trabalhavam: ele no balcão e ela na cozinha.

Emocionada ao relembrar a trajetória, Milene garantiu que não se arrepende de nenhuma escolha e nunca foi tão feliz quanto o é agora. “Eu lembro que me pediam para caprichar mais quando alguém importante chegava nos meus antigos empregos. Eu acho que isso não existe. Quem ama cozinhar, capricha para todas as pessoas. Então eu fazia meus brigadeiros com o mesmo amor com que eu fazia qualquer prato, e hoje vivo com a pessoa que eu amo e em uma cidade que tem vários ingredientes maravilhosos”, disse Milene.

Peixe e família

Mário Valle tinha uma empresa de gestão de projetos e a esposa dele, Elisângela, uma empresa de desenvolvimento de software. Apesar de bem encaminhados dentro de suas áreas, os dois decidiram apostar em uma ideia nova e mudar de vida: esse foi o começo do Tambaqui de Banda.

“Foi algo muito inédito nas nossas vidas, porque nós nunca tínhamos feito nada parecido. Mas a gente acreditava muito na nossa proposta de fazer um lugar agradável, com comida de qualidade e preço acessível. Percebemos essa carência no mercado e nos jogamos de cabeça para concretizar essa ideia”, conta o empresário.

Para realizar o sonho, os dois esbarraram com um obstáculo: complicações para conseguir um empréstimo. “É muito difícil conseguir investimento quando você está começando algo, acabamos não conseguindo e tivemos que emprestar pela nossa conta pessoal do banco, com juros muito maiores”, conta Mário.

Com o problema do dinheiro resolvido, gerir o restaurante seria fácil, porém a cozinha ainda era um grande mistério. “Uma verdadeira caixinha de surpresas! A gente não sabia absolutamente nada sobre o andamento de uma cozinha. Mas não existe nada que a gente não possa aprender, certo? Ainda amamentando, fiz um curso de seis meses, entre as 7h e às 16h, para conhecer todo o universo da cozinha”, conta Elisângela.

A partir daí, a mestre em gestão de empresas criou todos os sabores da casa, a rotina e o projeto do restaurante, enquanto o marido ficou com a parte de marketing e relacionamento. “Criamos o Tambaqui de Banda para ser grande, nada foi causal, tudo foi pensado. Para isso, chegamos a abrir mão até de um salário, porque preferimos investir tudo no projeto”.

Com um restaurante localizado no bairro Parque 10 e atuante no mercado desde 2011, o Tambaqui de Banda inaugurou mais um restaurante na última terça-feira, localizado no Largo São Sebastião, bem ao lado do Teatro Amazonas. Além de conquistar o público, a casa vem conquistando vários prêmios também, tanto com os pratos, quanto com a gestão e o serviço do local. “Pretendemos expandir mais ainda, criando uma rede de franquias na cidade, para melhorar o tempo de entrega em toda a capital. Estamos estudando locais estratégicos para isso, como na Cidade Nova e no Distrito Industrial”, enfatiza Mário.

“É importante frisar que muitas pessoas da nossa família fazem parte da grade de funcionários. A nossa filha de dois anos, por exemplo, nasceu no Tambaqui de Banda. Desde pequenininha, ela ta por aqui e é nossa sócia em tudo. Queremos que este negócio seja um legado para nossas futuras gerações”, completa Elisângela.