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Presidenciáveis de olho nos votos do AM

A três meses do início da campanha eleitoral, pré-candidatos à Presidência da República testam sua popularidade no Estado

Enquanto a presidente Dilma, candidata à reeleição, tentará manter a fidelidade do eleitorado, o desafio dos adversários dela é abalar a hegemonia que o PT alcançou nas urnas do Amazonas em 2006 e 2010

Enquanto a presidente Dilma, candidata à reeleição, tentará manter a fidelidade do eleitorado, o desafio dos adversários dela é abalar a hegemonia que o PT alcançou nas urnas do Amazonas em 2006 e 2010 (Jornal A Crítica)

O Amazonas virou uma peça de contra-peso importante na balança da disputa pela Presidência da República na eleição do dia 5 de outubro. Prova disso é a ofensiva do marketing pré-eleitoral dos presidenciáveis Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB) no Estado. Enquanto a presidente Dilma, candidata à reeleição, tentará manter a fidelidade do eleitorado, o desafio dos adversários dela é abalar a hegemonia que o PT alcançou nas urnas do Amazonas em 2006 e 2010.

O PSB-AM do presidenciável Eduardo Campos, após definir palanques estaduais no Estado, decidiu que vai usar o tempo de propaganda partidária de todos os cargos, na campanha eleitoral deste ano, para atacar o Governo Federal, o qual compunha a base até setembro do ano passado.

Para garantir um palanque estadual para Eduardo Campos, o PSB abriu mão de uma das prioridades no Estado, articulada há mais de um ano: eleger o ex-prefeito de Manaus Serafim Corrêa como deputado federal. Serafim deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) para que a sigla não suma na casa com a estratégia da candidatura de Marcelo Ramos ao Governo.

“Dilma não terá mais um milhão de votos no Amazonas. Essa será uma campanha difícil para nós (por causa dos recursos financeiros), mas usaremos os horários do PSB, do Marcelo Ramos, do Marcelo Serafim e dos deputados estaduais para mostrar no horário eleitoral que ela só enganou o Amazonas”, declarou Serafim.

O PSDB de Aécio Neves também já iniciou a ofensiva. Há duas semanas, usa as inserções partidárias nas TVs e rádios locais para a difícil tarefa de tirar dos tucanos o estigma de inimigos da Zona Franca de Manaus (ZFM). “Isso (Zona Franca de Manaus) é patrimônio do Amazonas, mas é patrimônio também dos brasileiros. O PSDB apoia a ZFM e a prorrogação dos incentivos. ZFM, um compromisso do PSDB com o povo do Amazonas”, declara o senador Aécio Neves nas inserções.

Em outra inserção em que Aécio aparece numa fábrica do PIM, visitada no final do ano passado, o locutor afirma: “Para nós do PSDB, defender com unhas e dentes a ZFM e o emprego de mais de cem mil amazonenses e suas famílias é mais que uma obrigação, é um compromisso”.

Comparação

Com a previsão de três viagens ao Amazonas neste ano eleitoral, o presidenciável Eduardo Campos não se contentará em usar aliados para tentar desconstruir a imagem da presidente Dilma Rousseff no Estado. Irá comparar as ações dela na presidência da República pró-ZFM com as dele. Serafim Corrêa, estudioso do modelo, sustenta que a criação do entreposto para escoar a produção da ZFM no Nordeste, no porto de Suap, em Ipojuca (PE), foi mais importante que qualquer ação do Governo Federal em relação ao modelo. Com o entreposto, inaugurado na quinta-feira, os produtos da ZFM chegarão a região Nordeste com uma carga menor de impostos.

“Só quem tem isso para mostrar é o Eduardo Campos. O que a Dilma fez em favor da Zona Franca? Nada. Enrolou mais de três anos para prorrogar e depois jogou o projeto na boca dos leões com o líder do PMDB (na Câmara dos Deputados) fazendo todo tipo de chantagem”, declarou.

A previsão é que Eduardo Campos venha para um seminário do PSB e Rede, no dia 26 de abril. A segunda visita, ainda não marcada, será antes do período de campanha para receber o título de cidadão manauara e amazonense. A terceira, durante a campanha eleitoral.

Histórico favorece Lula e Dilma

Com 2.213.491 eleitores, o Amazonas virou uma fatia do bolo apetitosa por causa dos resultados das eleições de 2010 e 2006, quando a presidente Dilma e o ex-presidente Lula saíram vitoriosos dos pleitos mesmo tendo perdido no maior colégio eleitoral do País: São Paulo. Os paulistas somam 31,5 milhões de eleitores.

É que os petistas conseguiram cobrir a diferença com os votos das regiões Norte e Nordeste. No 2ª turno em 2010, Dilma perdeu para José Serra (PSDB) em São Paulo com uma diferença de quase 2 milhões de votos a menos. Os 1,141 milhão de votos do Amazonas compensaram a desvantagem.

Em 2010, em Minas Gerais (segundo maior colégio eleitoral do País com cerca de 15 milhões de eleitores), Dilma derrotou Serra com 6,2 milhões de votos (58,4% do total). Em 2014, o cenário é diferente, entre outras coisas, por causa da origem dos dois adversários. Eduardo Campos pode atrair mais o carisma do eleitor nordestino por ser de Pernambuco. Aécio é mineiro e conta com alto índice de aprovação no Estado e Manaus (maior colégio eleitoral do Amazonas) é governada pelo PSDB.

“Aécio Neves usa uma estratégia interessante: regionalizar a propaganda. Tem feito isso também em outros Estados”.

Prefeitura do PSDB pode alterar o pleito

Em 2014, o Amazonas pode negar ao PT a mesma zona de conforto, na cargo para presidente, porque Manaus (com metade dos eleitores do Estado) é governada pelo PSDB. O PSD-AM e o Pros-AM, que governam o Estado, não têm com o PT nacional a mesma proximidade que o PMDB-AM, no pleitos passados.

Eleitorado estratégico

Em 2006 e 2010, os votos para o PT no Amazonas ajudaram a compensar a desvantagem da sigla nos grandes centros. Em 2014, de olho nesse diferencial, os principais pré-candidatos a presidente já “brigam” pelos 2.3 milhões de eleitores do Estado.Votação em bloco

Estado de difícil logística para campanha, o AM virou peça estratégica porque nos últimos pleitos as urnas trouxeram votos em bloco ao PT.

2,2Milhões - É o número de eleitores no Estado do Amazonas, segundo a Justiça Eleitoral.

Análise : Marcelo Seráfico - Cientista Social

“Estratégia é conservadora”

Para o sociólogo Marcelo Seráfico, a estratégia dos presidenciáveis de tentar passar a imagem de “amigos da Zona Franca de Manaus” é conservadora e mantém o “status quo”. “Essa é uma atitude conservadora de todos os candidatos tentar vincular a imagem à Zona Franca de Manaus. Eles defendem o status quo. É péssimo para qualquer lugar se tornar tão dependente de uma única fonte de investimento. Esse consenso ideológico em torno da Zona Franca de que nela está o motor econômico do Amazonas, isso deveria ser tratado como um problema. Qual o projeto que se revela diferente para o Amazonas?”, questionou.

Marcelo Seráfico afirma que essa adesão à ZFM pode ser interpretada como um descompromisso com a região. “A Zona Franca é um modelo transnacional que depende do investimento privado e confortável para a classe política que não precisa investir na região. Essa é uma política de descompromisso dos candidatos com o projeto do Brasil que envolve de maneira séria o Amazonas. Há um desinteresse de fazer a discussão sobre a região. O que estão oferecendo é muito pouco”, comenta.