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Rodovia BR-319 segue esquecida

Impasse que se arrasta há mais de quatro décadas, a conclusão da estrada segue como ela: esquecida


A CRÍTICA percorreu toda extensão da BR-319, ao longo de três dias, e pôde constatar que a maior parte da estrada, que surgiu como uma promessa de integrar a população da amazônia aos demais Estados, está abandonada

A CRÍTICA percorreu toda extensão da BR-319, ao longo de três dias, e pôde constatar que a maior parte da estrada, que surgiu como uma promessa de integrar a população da amazônia aos demais Estados, está abandonada (Euzivaldo Queiroz)

A única estrada que liga Manaus a Porto Velho, em Rondônia, é a BR-319, mas uma verdadeira novela, em cartaz há mais de uma década, impede que ela receba obras de asfaltamento e a condena ao abandono junto com as populações moradoras das margens.

Em 11 anos o Governo Federal gastou mais de R$ 500 milhões com a “recuperação” da estrada, nos governos Lula e Dilma. Quatro ministros do Meio Ambiente passaram pelo cargo sem dar um desfecho para o impasse do licenciamento ambiental necessário para a recuperação da rodovia.

Enquanto o impasse sobre análise do estudo e liberação da obra não cessam, a discussão entre os que defendem a reabertura e os que afirmam que a obra vai causar grande impacto ambiental fica mais acirrada. A realidade é que a estrada existe e o impacto também aconteceu, em 1970, quando ela foi aberta no meio da floresta.

Até o ano passado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), aplicou R$ 474.477 mil na estrada, que está entre as piores do País. Na quinta-feira um novo edital do Dnit foi lançado para contratar a recuperação de 13,8 km ao custo de R$ 18 milhões.

Na seara política, de um lado os ruralistas querem a reabertura motivados por interesses econômico e políticos de escoar a produção agrícola de Rondônia para Manaus. De outro, pesquisadores sustentam que o conjunto de espécies animais que vivem ao longo da BR-319 será prejudicado e a reabertura causará grande migração de pessoas de Rondônia e de outros Estados para o Amazonas. Fato é que ainda não existe comprovação documentada de nenhuma das suposições.

Nos 11 anos em que a conclusão do projeto de reconstrução da BR-319 se “arrasta”, o atual senador Alfredo Nascimento (PR), esteve em oito deles à frente do Ministério dos Transportes, o principal responsável pela obra. Atualmente, José Fábio Porto Galvão desempenha o cargo.

A CRÍTICA percorreu toda extensão da BR-319, ao longo de três dias, e pôde constatar que a maior parte da estrada, que surgiu como uma promessa de integrar a população da amazônia aos demais Estados, está abandonada. E agora mostra, nesta reportagem especial, como a BR-319 é, na realidade, bem diferente de como é descrita pelos órgãos oficiais.

Os 200 primeiros quilômetros da BR-319, de Porto Velho a Humaitá, estão asfaltados e bons para dirigir, bem como, os 200 quilômetros que ligam o Município de Careiro Castanho ao de Careiro da Várzea. Eles nem de longe lembram o trecho de 405 quilômetros, conhecido como “meião”, que figura como a principal polêmica entre os órgãos federais, e que reflete bem a falta de compromisso do poder público em cumprir uma promessa que já dura mais de quatro décadas: integrar a amazônia. 

Em números


R$ 474 mil
Foram gastos pelo Dnit com obras na BR-319, nos últimos 11 anos. A estrada, que foi aberta na década de 1970, está entre as piores do Brasil.

877 Km
É a extensão total da BR-319, sendo que 856,1 km estão no Amazonas e 20,9 km em Rondônia. A rodovia foi iniciada em 1968 e inaugurada em 1973