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Travestis amazonenses são detidas e têm passaportes retidos em Dubai

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, elas violaram a legislação local, que não permite a circulação de travestis, e podem ser deportados de acordo com a decisão

Os cabeleireiros e maquiadores Karen Mke*, 38, e Kamilla Satto*, 33, (*nomes artísticos) foram para Dubai em uma viagem turística no fim de novembro

Os cabeleireiros e maquiadores Karen Mke*, 38, e Kamilla Satto*, 33, (*nomes artísticos) foram para Dubai em uma viagem turística no fim de novembro (Reprodução/Facebook)

Duas travestis amazonenses tiveram os passaportes confiscados pela polícia de Dubai (que pertence aos Emirados Árabes Unidos) após serem expulsas por seguranças de uma boate no mês de dezembro do ano passado. A dupla permaneceu detida por dois dias após o incidente e atualmente aguarda julgamento do caso para saber se volta ou não ao Brasil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, elas violaram a legislação local, que não permite a circulação de travestis, e podem ser deportados de acordo com a decisão.

As cabeleireiros e maquiadoras Karen Mke*, 38, e Kamilla Satto*, 33, (*nomes sociais) foram para Dubai em uma viagem turística no fim de novembro e permaneceriam no local apenas um mês. De acordo com Karen, em dezembro ela, Kamilla e o amigo Jean Campos - também amazonense - foram até uma casa noturna localizada em um hotel famoso dos Emirados. Após alguns minutos, elas afirmam terem sido abordadas por alguns seguranças, que pediram para fossem até a saída da casa e apresentassem os documentos pessoais. O trio entregou os passaportes, mas depois de terem os nomes masculinos nos documentos detectados, Karen e Kamilla foram expulsas e teriam sido hostilizadas.


“Estávamos bem trajadas, de acordo com a cultura deles e mesmo assim fomos abordadas. Achamos aquela situação insustentável e preconceituosa. Meu amigo decidiu chamar a polícia e foi a pior coisa que fizemos. Ao chegarem e perceberem que éramos travestis, eles nos colocaram na viatura e sem dizer nada permanecemos presas por dois dias”, disse.

O motivo da detenção só teria sido revelado aos amazonenses, após este período. Segundo eles, policiais informaram que no país homens são proibidos de vestir-se como mulher. As duas travestis amazonenses declararam que desconheciam a proibição de travestis e procuraram a Embaixada Brasileira em Abu Dhabi, capital do país árabe, na tentativa de acelerar o processo de julgamento. Segundo elas, o período que permaneceram no país foi superior ao previsto e estariam sem recursos financeiros para permanecerem até o mês de março.

“Estamos morando na casa de uma família filipina e já sem dinheiro. É muito difícil a nossa situação. Nós tiramos a privacidade deles, pois o local é muito pequeno. Amigos travestis e do mundo GLS é que estão nos ajudando, por meio de uma campanha na rede social, e é com este dinheiro que estamos sobrevivendo no país. Queremos apenas voltar ao Brasil e deixar claro que a gente veio para cá para conhecer a cultura, e não para agredir as leis e preceitos morais islâmicos. Nunca imaginávamos que isso ia acontecer com a gente. Acabou tudo, não saímos na rua e nem conseguimos dormir direito com essa pressão psicológica”, declarou Karen emocionada.

Karen MKe, que mora em São Paulo, após a viagem de férias de Dubai iria para a Irlanda, onde faria um curso de inglês. Kamilla Satto mora na Itália e voltaria ao país depois da viagem.

 Parecer Itamaraty

A reportagem de A Crítica entrou em contato com a assessoria de imprensa do Itamaraty, e confirmou o conflito vivido pelos amazonenses. Conforme informações repassadas pela assessoria de imprensa do órgão, Luiz Eduardo, houve a violação da legislação e dos preceitos morais ditados pela cultura local e a dupla deve responder de acordo com a lei Islâmica.

“Após serem liberados, eles tiveram os passaportes retidos e tiveram a primeira audiência em janeiro. Agora deverão aguardar em Dubai a decisão da Corte Árabe marcada para o próximo dia 23 de março. A embaixada do Brasil de Abu Dhali está dando o apoio consular possível e verificando o adiantamento do processo judicial com o delegado responsável pelo inquérito e o promotor do caso”, sustentou.

Sobre as dificuldades financeiras relatas por Karen e Kamilla, o Itamaraty se limitou a dizer que a embaixada ajudará os brasileiros com o apoio financeiro limitado se comprovado a necessidade. O Ministério das Relações Exteriores acredita que a decisão da justiça seja pela deportação dos travestis.

Lei árabe

A reportagem consultou uma fonte de origem islâmica, que pediu para não ter o nome envolvido no caso, e descobriu que a legislação local proíbe a prática da homossexualidade e consideram como pecado grave as relações entre homens ou mulheres.

Repercussão nas redes sociais

Karen e Kamilla pediram apoio nas redes sociais e amigos têm compartilhado o depoimento sobre o caso.  Além de pedirem assinaturas virtuais em uma petição que será enviada para o Itamaraty, a fim de dar celeridade na repatriação dos brasileiros.

A ex-bbb Ariadna Arantes, que é transexual e participou da décima primeira edição do reality show, é amiga dos travestis e tem feito apelos por meio de posts no seu twitter. Ariadna pediu ajuda na divulgação do caso para os seus seguidores, além de políticos e outros artistas como: a cantora Anitta, Preta Gil e o também ex-bbb, o deputado federal Jean Wyllys.