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'Turismo pode somar com a ZFM', diz economista

Assim pensa uma nos mais renomados economistas do Brasil e profundo conhecedor da região Amazônica

Eduardo N. Pereira em entrevista

Eduardo N. Pereira em entrevista (Divulgação)

Atuando como consultor econômico e professor de economia da UFGV, na semana passada Eduardo Pereira Nunes veio à Manaus, cidade que conhece há mais de 20 anos, para participar de um curso, quando conversou com DINHEIRO sobre as potencialidades econômicas da Região, alternativas de desenvolvimento, presente e futuro do Polo Industria de Manaus, herança dos investimentos da Copa, entre outros assuntos. Confira a entrevista.

O senhor conhece a realidade econômica da região?

Realizo atividades há mais de 20 anos com equipes da Suframa. Além disso, também faço trabalhos para acompanhar o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados. Então, posso dizer que conheço a realidade da Amazônia Ocidental.

Qual sua análise do modelo Zona Franca de Manaus?

Até os anos 90, a Zona Franca, primeira experiência voltada para o desenvolvimento de uma região, com o intuito de reter empresas e empregos, por meio de incentivos ficais, foi um polo abastecedor de outras regiões. Entretanto, a seguir, o Brasil e em especial a região Norte enfrentaram uma nova realidade, quando o país abriu a economia à concorrência externa.

Qual a consequência?

Como tudo foi feito de maneira muita rápida, muitas empresas enfrentaram dificuldades, pois não tiveram oportunidade de reação. Os produtos importados da China, principalmente, tinham incentivos e chegavam mais baratos. Alguns setores, como os de motocicletas, aumentaram bastante. Hoje as motos, vindas da China, têm entrada por todas as fronteiras do Brasil e o Amazonas não tem o mesmo espaço no mercado.

Como avalia a questão da guerra fiscal entre os Estados?

Esse é um grande desafio, porém os Estados que fazem a leitura de que com a renúncia fiscal sustentam a região Norte se esquecem de que, no passado, precisaram da mesma para se desenvolver. São Paulo, por exemplo, desde os anos 50 tem sido beneficiada no setor automobilístico. Algumas regiões, em determinados segmentos, receberam incentivos maiores do que hoje tem a ZFM.

O senhor é a favor desses incentivos?

Temos que ter uma perspectiva mais ampla, observando não apenas pelo fator fiscal, mas produtivo, ecológico e até histórico. A contrapartida da renúncia fiscal foi a manutenção da floresta em pé. Os outros Estados têm que observar que tiveram alguma renúncia fiscal, mas não houve preservação.

Qual seria o real impacto da prorrogação da Zona Franca de Manaus?

Seria a geração e manutenção de empregos. No mundo inteiro, a maior preocupação é com a preservação de empregos para seus cidadãos. O Brasil não pode relegar isso, pois criar empregos é difícil, mantê-los um desafio.

O Turismo econômico seria uma alternativa ao Amazonas?

Não diria que é uma alternativa, e sim uma atividade a mais para a economia do Estado. Se medirmos o fluxo de turista que entra no país e os que se deslocam ao Amazonas, teremos a dimensão do que pode ser feito. Não seria para competir com outros setores, mas para somar. Potencial existe.

Comente sobre o momento econômico que passa a região.

A situação não é diferente do restante do país. O setor industrial como um todo passa por um momento difícil, onde há grande concorrência de outros mercados. Isso ainda vai continuar e a indústria terá que se reinventar.

Qual a saída?

Existem vertentes antagônicas. Uma pede o fechamento de unidades industriais que não estão dando retorno e outra defende o fortalecimento da industria nacional, com a regulação do mercado, onde quem for competitivo, fica.

Como fica?

Acho que o governo tem que apoiar as suas indústrias. Quando os EUA sofreram com problemas econômicos, as grandes empresas foram auxiliadas. O governo tem que apoiar e pensar numa maneira de como defender o mercado brasileiro no âmbito internacional, protegendo seu espaço econômico.

Quanto ao legado da Copa para economia?

Não me surpreendo que o legado deixado será quase nada. Desde o início deram um super dimensionamento a importância da Copa. A economia do país é tão grande que os investimentos feitos para o mundial são muito pequenos, se comparados.

Perfil

Eduardo Pereira Nunes Economista e professor na IBGE e MBA – FGV. Mas também já foi presidente do IBGE e professor de Contabilidade Social na PUC-Rio de Janeiro.