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‘Não vim esquentar a cadeira para ninguém’, diz José Melo

Vice-governador afirma que fará campanha para a presidente Dilma Roussef mesmo que ela não apoie a candidatura dele para o Governo. E completa: essa história de palanque único “é uma besteira”

Vice-governador afirma que fará campanha para a presidente Dilma Roussef mesmo que ela não apoie a candidatura dele

Vice-governador afirma que fará campanha para a presidente Dilma Roussef mesmo que ela não apoie a candidatura dele (Érica Melo)

A dois meses do prazo final para a possível desincompatibilização do governador Omar Aziz (PSD) e cinco meses da campanha eleitoral, o vice-governador José Melo (Pros) declarou que não está no Governo para “esquentar cadeira para ninguém” e que vencer a eleição disputando contra as máquinas do Estado e do município seria algo inédito na história do Amazonas. A resposta em forma de torpedo ao senador e pré-candidato Eduardo Braga vem em reação às recentes informações de que a presidente Dilma Rousseff (PT) e o ex-presidente Lula defendem palanque único no Amazonas em torno do senador.

“Essa questão de palanque único é uma besteira. Não acredito que a presidente irá querer forçar a barra para ter palanque único. Será que ela vai rasgar votos?”, questionou.

Com rotina de chefe do Executivo e candidato, Melo recebe de 60 a 80 pessoas por dia. Assim como Braga, articula alianças com lideranças como o governador Omar Aziz, o ex-prefeito Amazonino Mendes (PDT) e o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), políticos do PT e até do PMDB de Eduardo Braga. Confira trechos de entrevista concedida na terça-feira à tarde a A CRÍTICA no gabinete dele.

Como é sua rotina diária?

Acordo cedo, umas 5h, faço esteira, barba, tomo café. Tenho um encontro com o Omar (governador Omar Aziz) para definir o dia. Quando não, pego um avião cedinho e vou para o interior. Almoço na sede. Se tem prefeitos, eles almoçam comigo. Saio daqui e visito obras. À noite, no Pros, atendo lideranças políticas.

Os prefeitos do PMDB o procuram menos desde a sua saída da sigla?

Os prefeitos do PMDB são todos meus amigos. Eu ajudei muito - e o Omar também - a elegê-los. Estamos tratando dos municípios. Mas a relação política começa a partir de quando eu me tornar candidato.

Na criação do Pros, muitos prefeitos foram barrados para evitar debandada da base, inclusive do PMDB.

Isso poderia causar um problema institucional para o Estado. A luz disso, eu liberei esses meus amigos. Porque não importa a cor do gato, né? O importante é que ele coma o rato. Não importa onde ele esteja, importante é que possa agregar ao nosso projeto.

Há risco de mudança no comando do Pros-AM?

Na criação, a disputa foi grande.Foi uma luta titânica. Você nem imagina como foi.

Então, me conte.

Eu devo isso (o comando do partido) a duas pessoas: ao Omar e ao governador do Ceará, Cid Gomes (Pros). A pedido do Omar, o Cid disse a presidenta que o Pros no Amazonas ficava na conta dos acertos que ele fez para sair do grupo do governador de Pernambuco (presidenciável), Eduardo Campos. Hoje a coisa está consolidada. Não dá para imaginar em qualquer circunstância que eu, sendo ou não candidato, deixe de ser importante no processo eleitoral.

Não há riscos no comando do Pros? O senhor não acha que o senador Eduardo Braga já demonstrou várias vezes suas habilidades políticas neste sentido?

Seria prejuízo para todos os lados. Não é assim na democracia. Se quer ganhar, venha ganhar no voto. Se me tirarem o partido, eu não vou ficar quieto, entendeu? Por que tirar do eleitor o poder de escolher?

Os movimentos recentes do governador em relação ao senhor e ao senador tem deixado os políticos tontos. E a sua cabeça?

É por isso que o Omar é o Omar, o governador mais bem avaliado do País. Sabe fazer como ninguém política e não pode, em nenhuma circunstância, antecipar um fato sob pena de causar um prejuízo político para ele e para o Estado. Ele sempre foi muito decente comigo. Permitiu que eu governasse com ele sem vaidades bobas. Em todos os discursos ele me distingue, o que é muito raro. Normalmente os governantes escondem o vice. Talvez há trinta anos eu estivesse mais ansioso. Hoje, não.

Em 2010, houve acordo para que o senhor e o governador apoiassem a candidatura de Eduardo Braga em 2014?

Não. Não fiz acordo nenhum. Não combinei de vir aqui esquentar cadeira para ninguém. Eu era deputado estadual quando o Eduardo me chamou para ajudar na campanha dele de reeleição e me perguntou o que eu queria. E eu disse: meu sonho é um dia ser governador. Foi na campanha que ele disputou contra o Amazonino e o derrotou - inclusive eu já até me penitenciei com o Amazonino por causa disso. Eleito, várias vezes o Eduardo reconheceu meu valor na administração. Disse que eu era o primeiro ministro dele. Quando ele achou necessário viajar o mundo para divulgar o Amazonas quem ficou aqui cuidando do Estado? Fui eu.

O senhor era mais prestigiado na administração que o vice (na época, Omar Aziz)?

Sem dúvida. Fui eu quem ficou cuidando do Estado, governando. O Eduardo saiu do Governo muito bem avaliado, recebeu ao Senado uma votação incomum por causa do Governo. E eu o ajudei a chegar a esse resultado.

O senador Eduardo Braga disse que não teria problema em conversar com o senhor sobre eleição. E o senhor?

Nem eu com ele. Eu teria a maior alegria de poder tê-lo me ajudando. Afinal de contas, todas as vezes que ele postulou a sua candidatura, as mãos do Melinho estavam lá para ajudá-lo.

É possível vencer uma eleição contra um candidato apoiado pelas máquinas do Governo e da Prefeitura de Manaus?

Quem tiver a força política constituída tem uma chance imensa de ganhar. O Eduardo perdeu duas eleições sem essa força. O Amazonino também. Sem essa força, sobretudo no interior, é muito difícil. Não tem tradição no Amazonas.

A presidente Dilma Rousseff corre risco de que o senhor apoie adversários dela?

Em nenhuma circunstância. Mesmo que ela não me apoie e suba no palanque de outro, eu votarei nela e pedirei que meus amigos votem. Eu sei tudo que o presidente Lula e a presidente Dilma fizeram pelo Amazonas. Aliás, essa questão de palanque único é uma besteira. Em 2010, eram dois palanques e ela foi a mais votada. Não acredito que a presidente queira forçar a barra para ter palanque único. Será que ela vai rasgar votos? Não vai.

Se o governador Omar permanecer no Governo, sua candidatura enfraquece?

Seria um grande prejuízo, se o Omar permanecer no Governo e não me apoiar. Aí eu teria que perder o restinho dos meus cabelos para encontrar meios de levar essa candidatura à frente com possibilidades de vitória. Agora, ele ficando no governo e me apoiando, também é muito bom.

Quais os atributos de um vice?

O meu vice ou a minha vice sairá de um grande acordo que passa pelas mãos do Omar.

Antes da entrevista, saiu da sua sala o prefeito cassado de Coari, Rodrigo Alves.

Meu amigo querido.

Ele é aliado do prefeito Adail Pinheiro. Qual a sua opinião sobre as acusações contra o prefeito?

Quando a questão está judicializada, fica muito difícil de comentar. O Adail irá, naturalmente, se defender. E se for culpado, que pague.

Depois da Vorax, o prefeito Adail experimentou um ostracismo político, pelo menos público. Quando a poeira baixou o senhor foi um dos que voltaram a fazer carreatas com ele.

Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. A função pública leva a esse tipo de coisa. Pode vir um cara aqui traficante, eu recebo porque não sei o que ele faz. Se estou do lado dele, eu viro traficante?

O senhor aceitaria o apoio de Adail nessa eleição?

Se ele for culpado de tudo o que dizem, não vou querer ligar a minha imagem a uma coisa com a qual eu tenho verdadeira ojeriza. Mas veja bem, eu disse “se”.

Frases

“Eu teria maior alegria de poder tê-lo (Braga) me ajudando. Afinal de contas, todas as vezes que ele postulou a sua candidatura, as mãos do Melinho estavam lá para ajudá-lo”.

“Se quer ganhar, venha ganhar no voto. Se me tirarem o partido, eu não vou ficar quieto. Por que tirar do eleitor o poder de escolher?”

“O meu vice ou a minha vice sairá de um grande acordo que passa pelas mãos do Omar. “

“Quem tiver a força política constituída tem uma chance imensa de ganhar a disputa. O Eduardo perdeu duas eleições sem essa força”

Perfil

Nome: José Melo de Oliveira

Idade: 67 anos

Estudos: Formado em Economia pela Ufam

Experiência: Entre 1983 e 1987, governo Gilberto Mestrinho, foi delegado do Ministério de Educação e Cultura. De 1984 e 1987, no Governo Amazonino Mendes, foi secretário de Educação e Cultura. Entre 2006 e 2010, no governo Eduardo Braga, foi secretário de Governo.