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Economista sai de Manaus em busca de tranquilidade para estudar a Amazônia

Renilson Silva, que integra seleto grupo de profissionais diferenciados no AM, resolveu abandonar Manaus em busca de melhores condições em São João Del Rey, em Minas Gerais, para continuar com suas pesquisas acadêmicas

Economista Renilson Silva fala sobre projetos em entrevista

Economista Renilson Silva fala sobre projetos em entrevista (Evandro Seixas)

Antes de embarcar para São João Del Rei, em Minas Gerais, na quarta-feira, 6h, o economista Renilson Silva falou ao DINHEIRO sobre as razões dessa mudança e o efeito delas para a sua vida pessoal e acadêmica.

Com mais de uma década dedicado à pesquisa, ele passou por instituições como Ufam, Fucapi e Suframa. Muda, mas não deixa a Amazônia para trás. Até dezembro deste ano, ele espera poder divulgar os primeiros resultados de um estudo que pode, inclusive, embasar, caso haja interesse, planos de governos futuros, para promover o desenvolvimento sócio-econômico do Amazonas. O pesquisador também pretende em médio prazo, apontar as direções para tirar o Estado da dependência dos recursos gerado pelo parque fabril amazonense, sobretudo, por meio da produção de eletroeletrônicos. A seguir a entrevista.

Após anos atuando em instituições renomadas e elaborando pesquisas de interesse para a economia local, o senhor decidiu pelo distanciamento do Amazonas para poder continuar debruçado sobre o tema. O que motivou essa decisão?

Depois de passar quatro anos afastado da cidade, por conta da realização do meu doutorado, voltei para Manaus e me deparei com problemas estruturais e de gestão que ficaram mais evidentes do que antes. Apaixonado pelo Estado e defensor de políticas públicas que levem a distribuição de riqueza também para o interior, me senti incomodado. O crescimento desordenado da cidade também me fez querer buscar por um ambiente mais tranquilo para realizar meus estudos, nunca deixando de lado meu foco, que é o povo do Amazonas.

Em sua coluna de despedida, em A CRÌTICA, o senhor destacou o papel da Fapeam, como fundação de amparo à pesquisa, mas mencionou que a inter-relação de entidades como esta com o poder público precisam ser fortalecidas. Houve uma falta de apoio à pesquisa que também ajudou a motivar a mudança?

A Fapeam foi uma instituição muito importante para a minha formação e para o meu trabalho enquanto pesquisador. Sempre serei grato. Entretanto de forma mais global, o cenário da pesquisa no Estado me desmotivou um pouco sim.

O que mais lhe incomodou enquanto pesquisador?

Não é um incômodo particular. Acredito que os demais pesquisadores se sentem da mesma forma. Chegamos a ter acesso a incentivos e apoio para realizar nossos trabalhos, mas muitas pesquisas, após prontas, acabam encostadas em prateleiras de bibliotecas. Nem mesmo as de aspecto prático, conseguem efetivamente, sair do papel.

A que se deve, em sua opinião, essa resistência?

Acho que é justamente a esse diálogo entre a ciência e o poder público. As instituições de pesquisa e os governantes não conversam como deveriam. No Amazonas temos uma infinidade de pesquisas que, se analisadas, poderiam solucionar diversos aspectos da economia local e gerar renda à população do Estado. Faltam soluções técnicas para resolver problemas políticos.

O senhor poderia dar um exemplo de um desses problemas que poderiam ser resolvidos com diálogo?

São vários. No âmbito da Zona Franca de Manaus, por exemplo, já está na hora de haver junção entre políticos e técnicos para desenvolver o Amazonas para além do PIM. Caso contrário, não adiantariam 500 anos de prorrogação do modelo sem um plano de ação concreto.

E que soluções poderíamos buscar nesse sentido?

Já se tem falado em desenvolver atividades alternativas como o polo mineral, naval e de fitoterápicos, além da indústria de alimentos que exigiria uma grande revolução na cadeia produtiva do Estado, permitindo que produtos nossos, como abacaxi e açaí pudessem chegar ao grande mercado consumidor.

Mas também é necessário, no caso do PIM, avaliar que segmentos realmente trazem retorno ao Estado e quais apenas se beneficiam dos incentivos. Esse mapeamento, nos daria fôlego para desenvolver outros setores

Este é um dos trabalhos que o senhor pretende dar continuidade em Minas Gerais?

Sim, contarei com parcerias de Manaus para desenvolver estudos como este. O principal foco, no momento, é uma pesquisa na qual pretendo apresentar a capacidade de geração de riquezas das principais cidades da Amazônia voltadas para o interior do Estado e as alternativas econômicas disponíveis para superar as barreiras geográficas da região.

Ela também será disponibilizada para a sociedade amazonense

Existe outro trabalho a destacar?

Também darei continuidade a um mapeamento da competitividade do modelo Zona Franca de Manaus frente a outras economias como China, por exemplo. Já sabemos que não somos atrativos o suficiente em relação a eles. Mas será importante provar, por meio de números, o porquê de não podermos mais ser reféns de um modelo que só nos oferece um caminho. A ideia é reforçar a importância da busca por alternativas econômicas. A expectativa é de que até o final deste ano, um desses dois projetos apresentem os primeiro resultados.

Em seus dez anos de colaboração na coluna Guia Econômico, foram discutidos temas diversos, como educação financeira e Zona Franca de Manaus. Algum tema lhe marcou com mais profundidade?

Aprendi muito em todos esses anos, em especial, com os leitores. Mas creio que o mais marcante foi um assunto recente. Uma pesquisa mostrou que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Amazonas é um dos mais baixos do País. O contraste com a quantidade de riqueza gerada, que fica acumulada em 83% só em Manaus, é absurdo. Temos arrecadações recordes e um número enorme de pessoas sem acesso nenhum no interior. Ver os números e falar sobre eles foi marcante.

Nesta nova fase, o que o senhor deseja para o cenário de pesquisa e desenvolvimento econômico do Amazonas?

Tanto para mim quanto para os demais pesquisadores e técnicos, espero por mais diálogo com o poder público e retirada de grandes pesquisas de aspecto prático das prateleiras. Precisamos mudar os rumos da economia local e as respostas podem estar ao nosso alcance.