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Contando a história do AM com toadas, projeto escolar na Zona Norte será apresentado ao SBPC

“Socializando Saberes”, de escola municipal do bairro Amazonino Mendes, foi escolhido para ser apresentado durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Acre

Projeto será apresentado na 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Acre

Projeto será apresentado na 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), no Acre (Evandro Seixas)

Melhora na auto-estima, incentivo à pesquisa, exercício da cidadania e toadas de boi bumbá de Parintins. Esses são alguns dos pilares do projeto “Socializando Saberes” da Escola Municipal Deputado Ulysses Guimarães, no bairro Amazonino Mendes, Zona Norte. O projeto foi escolhido para ser apresentado durante a 66ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre de 22 a 27 de julho, em Rio Branco, no Acre.

Os dois projetos são tocados por estudantes do ensino fundamental com idades entre 12 e 15 anos que, há dois anos, escolheram o espaço escolar como o local onde passam a maior parte do tempo nos horários que geralmente estavam sem ocupação definida. Neste ambiente, aprendem a se encantar pela busca do conhecimento e quebrar preconceitos sociais.

Com cinco bolsistas e cinco voluntários, o “Socializando Saberes” difundiu na escola, no ano passado, informações e discussões sobre a influência da cultura africana na formação do Brasil. A aluna Adriane de Senna, 14, que cursa o 9º ano, disse que se interessou pelo projeto porque é raro na rede pública a oportunidade de fazer pesquisa extraclasse com a orientação de professores.

“É raro esse tipo de projeto em escola pública. Aprendi a dar valor à cultura das pessoas e respeitar. O professor passou as informações para a gente, nos ensinou e nós passamos para os outros professores e alunos. Hoje, eu sei mais sobre a cultura regional, a origem de alguns costumes, como o simples ato de virar a sandália e dormir em rede”, declarou a estudante, que há dois anos é bolsista do “Socializando Saberes”.

A formação cidadã da estudante também foi trabalhada durante esses dois anos. “A gente aprendeu a gostar e a não ter preconceito por meio da cultura dos povos afros e indígenas. Todo mundo é igual a todo mundo”, defendeu Adriane.

Por causa do projeto, a nova pesquisadora terá que enfrentar, na próxima semana, mais uma novidade na sua vida: viajar pela primeira vez de avião com destino ao Acre, onde irá apresentar o projeto num ambiente no qual estarão cientistas reconhecidos nacionalmente. “Estou um pouco nervosa. Espero fazer um trabalho que eles gostem”, disse.

O professor de História da escola Rosivaldo da Fonseca Moreira, 42, coordenador do projeto, também abriu mão das horas vagas, com animação, para se dedicar aos alunos interessados em experimentar a pesquisa. Rosivaldo usou o projeto como um escape para ensinar aos alunos sobre história do Amazonas, que há dois anos saiu da grade da rede municipal.

Além do “Socializando Saberes”, outro projeto da escola municipal Ulisses Guimarães foi escolhido para o evento da SBPC: “Enamorados pela Vida”, que pesquisa sobre drogas lícitas e ilícitas. Nele, alunos viram compositores de hip hop e rap de prevenção às drogas. Ambos são financiados pelo Programa Ciência na Escola (PCE), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A história através das toadas de boi

Para a segunda versão do “Socializando Saberes” em 2014, o coordenador do projeto Rosivaldo Moreira escolheu um novo tema: “a história através das toadas de boi-bumbá”. A nova versão acabou de iniciar e três toadas foram escolhidas para as pesquisas dos estudantes: “Amazonas Quaternária” e “Espadas e Clarins”, do Caprichoso e “Tempo de Cabanagem” do Garantido. 

De acordo com o professor, os estudantes estão tendo contato com as toadas, que eram desconhecidas para eles. “Em geral, as toadas são mais familiares aos pais deles. São de festivais antigos. Depois de ouvirem, eles vão para os livros de história entender como era a Amazonas no período paleolítico. Descobrir quem foi Francisco Orellana e o que motivou a revolta da Cabanagem”, disse.

Em seguida, o resultado da pesquisa e do conhecimento adquirido são resumidos em pontos centrais e depois organizados em “slides”. O passo seguinte é programar as apresentações, que ocorrem ao ritmo das toadas. “As apresentações sempre começam e terminam ao som de toadas. Todos cantam. A música os ajuda a assimilar melhor a história, além, é claro, da própria pesquisa. Porque eles verificam nos livros a veracidade na história de cada verso”, disse.