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Uso de aparelhos celulares pode combater o analfabetismo segundo especialistas

A afirmação parte do relatório apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em parceria com a Nokia e a ONG Worldreader, chamado Lendo na Era do Celular

Para especialistas, o uso do celular, mesmo que para mandar mensagens ou acessar redes sociais, obriga a leitura

Para especialistas, o uso do celular, mesmo que para mandar mensagens ou acessar redes sociais, obriga a leitura (Bruno Kelly)

O acesso cada vez maior a telefones celulares, cuja tecnologia permite não só a troca de mensagens, mas também o acesso a textos e a conteúdos de livros, tem contribuído de forma importante para o combate ao analfabetismo. É o que aponta relatório apresentado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em parceria com a Nokia e a ONG Worldreader, chamado Lendo na Era do Celular (Reading in the Mobile Era, em inglês).

A pesquisa ouviu 4.330 pessoas sobre os seus hábitos de leitura em dispositivos móveis em sete países em desenvolvimento (Etiópia, Gana, Índia, Quênia, Nigéria, Paquistão e Zimbábue). A taxa média de analfabetismo de adultos nos países observados é de 34%, cerca de um terço da população. No Brasil, segundo dados do IBGE divulgados ano passado, a taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais foi estimada em 8,7%. Aqui há levantamentos indicando que o acesso a livros clássicos em tablets e e-readers, tem contribuído para a formação de crianças e adolescentes. É possível ler nos dispositivos, em língua portuguesa, fábulas narradas pelos irmãos Grimm, A Menina do Narizinho Arrebitado, de Monteiro Lobato, e as instigantes aventuras de Julio Verne, como Viagem ao Centro da Terra, entre outros. A troca do livro tradicional pelos equipamentos eletrônicos causa dúvidas entre muitos pais, mas estudiosos garantem a importância do acesso à leitura ampliado e assegurado por esses aparelhos, principalmente em locais onde não há grande oferta de livros nem em bibliotecas e nem em livrarias.

Incentivo

Segundo a Unesco, essa foi a maior pesquisa já realizada sobre o hábito de leitura em dispositivos móveis em países em desenvolvimento e cujos resultados foram encorajadores na medida em que demonstram o fato das pessoas estarem lendo mais, estão lendo para seus filhos e querem mais conteúdos disponibilizados nessas plataformas. Na conclusão do estudo, há a confirmação que os dispositivos móveis podem ajudar as pessoas a desenvolver, manter e melhorar as suas competências de alfabetização.

Entre as pessoas entrevistadas no levantamento da Unesco, 62% afirmaram que leem mais depois de terem começado a realizar a atividade através de seus celulares e um terço disse usar o telefone para ler para seus filhos – e destes, mais de 30% comentaram que o hábito seria mais frequente se mais livros infantis fossem disponibilizados.

Facilidade de carregar a biblioteca

O professor Odenildo Sena, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e atual secretário de Estado da Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), afirma que a praticidade e facilidade do telefone processar e disponibilizar informações às pessoas é um componente que contribui para esse quadro apontado na pesquisa.

“Não tenho dúvidas de que isso tem impacto grande na formação e preparação das pessoas para ler e escrever, pois elas se veem motivadas a isso”, observou Odenildo, que é professor do Departamento de Língua Portuguesa da Ufam. Segundo ele, sem essa tecnologia as pessoas tinham que ir ao encontro das leituras, às bibliotecas e livrarias para folhear um livro, o que pode ser feito hoje em equipamentos como tablets, iphones, e-books e kindle. “Hoje, com a tecnologia, essas coisas vêm ao encontro das pessoas e as fazem ler até mais que aquilo que desejam”, acrescenta ele, citando a leitura atual que faz de um livro em um kindle sobre Carlos Marighela, de 500 páginas. “Levo para qualquer lugar, o que seria impossível se fosse com o livro impresso”, exemplifica.

Para Odenildo, como a tecnologia leva às redes sociais, o jovem se vê obrigado a ler, o que tem desdobramentos positivos, na medida em que o obriga a pensar para elaborar um texto, mínimo que seja.