O Brasil acompanha a nova regra prevista em Basileia III de exigência de capital de alta liquidez com certa tranquilidade. Isso porque antes mesmo da decisão do Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) de exigir caixa suficiente para fazer frente aos compromissos de curto prazo, o Brasil já monitorava o indicador diariamente.
Avaliações recentes mostram, inclusive, que o sistema financeiro nacional já cumpre os requisitos exigidos mesmo com o chamado LCR (sigla em inglês para índice de liquidez de curto prazo) de 100%.
Após a turbulência gerada pelas eleições presidenciais de 2002 no Brasil, o Banco Central começou a acompanhar com mais detalhes o nível de liquidez dos bancos no País. Desde 2003, esses números são coletados e analisados diariamente pela Diretoria de Fiscalização e o resultado é publicado semestralmente no Relatório de Estabilidade Financeira.
Há uma década
Ainda que use uma metodologia um pouco diferente da apresentada mais cedo pelo BIS, o BC já faz esse trabalho, portanto, há uma década. No BC, esse levantamento mostra que, mesmo com a crise financeira global, o nível de liquidez dos bancos brasileiros continua adequado.
Alguns cálculos recentes revelam, inclusive, que o Brasil cumpria até mesmo o LCR de 100% “com folga”. No Relatório de Estabilidade Financeira mais recente, divulgado em setembro de 2012, o BC afirmava que “as incertezas no mercado externo não comprometeram a liquidez disponível no mercado doméstico, o que permitiu tanto a expansão da carteira de crédito quanto o crescimento dos ativos líquidos no Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
“Dessa forma, manteve-se elevado o índice de liquidez do sistema, demonstrando capacidade para fazer frente a eventuais restrições de recursos, mesmo em situações de estresse”, cita o documento.