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‘Devia haver prova para prefeito’, diz futura conselheira do TCE-AM, Yara Amazônia Lins

Auditora que assumirá o posto de conselheira do TCE afirma em entrevista para A CRÍTICA, que pautará sua atuação pela ética e justiça

Auditora Yara Lins atendeu à representação interposta pela agência Sacada Publicidade LTDA

Auditora de carreira do TCE, Yara Lins será empossada no cargo de conselheira de contas na próxima terça-feira (Euzivaldo Queiroz)

A auditora Yara Amazônia Lins, mais nova conselheira do Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM), em entrevista para A CRÍTICA defendeu que, para evitar a corrupção e o desvio do dinheiro público nas prefeituras do interior do Amazonas, os prefeitos tenham, no mínimo, nível superior. Para ela, a legislação eleitoral deveria exigir que além de ter curso superior, os gestores municipais tivessem curso de gestão pública.

Yara Lins afirma que, da mesma forma que é aplicada a prova da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), deveria existir uma prova para ser prefeito. Segundo a conselheira, a falta de competência e conhecimento dos prefeitos do interior do Estado os leva a serem influenciados por aqueles que os cercam, e alertou: “Não vão ser essas pessoas que vão responder a processos”.

A auditora Yara Lins foi escolhida na terça-feira, pelo governador José Melo (Pros), conselheira do TCE-AM na vaga destinada aos auditores, que foi aberta com a aposentadoria de Lúcio Albuquerque. A indicação do governador foi aprovada, na quarta-feira, pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas.

Yara Lins será a segunda mulher a compor a corte de Contas. A primeira foi a ex-senadora Eunice Michiles. A posse da conselheira foi marcada para terça-feira, 17, às 9h no TCE-AM. A seguir trechos da entrevista.

Como a senhora pretende lidar com a pressão política sobre o cargo que irá ocupar?

Não vejo pressão sob o meu cargo. Aqui no Tribunal nós não temos dificuldade, principalmente quanto à relação dos prestadores de contas que não fizeram a sua parte e estão inelegíveis. O conselheiro presidente (Josué Filho) encaminhou a lista ao Tribunal Regional Eleitoral, e eu pelo menos não sofro ou sinto nenhum tipo de pressão. É muito tranquilo, pois concedemos sempre o direito ao contraditório. Mesmo aqueles prefeitos que não tem competência e não estão familiarizados em prestar contas, o TCE tem enviado suas inspeções e também através da escola de contas tem feito um trabalho pedagógico para que eles possam aprender a prestar conta corretamente e dentro do prazo.

O fato da senhora ser parente de dois deputados, sendo um federal (Átila Lins) e um estadual (Belarmino Lins), afeta o seu trabalho?

Não. Eu me posiciono com ética e eles entendem que o meu trabalho não é político e sim técnico. Desta forma cada um faz o seu trabalho. O trabalho deles é político, o meu é com a responsabilidade de respeitar a coisa pública, de maneira que eu não tenho nenhuma interferência deles no meu trabalho. A minha imagem não é vinculada a deles. Eu entrei aqui em 1975 e nunca quis me beneficiar de regalias por ser parente de políticos.

Como pretende marcar a sua atuação na corte?

A minha atuação vai continuar a mesma, marcada sempre pela justiça, pela ética e não tenho foco de perseguir ninguém. Apenas quero ser justa com as pessoas. Eu vou continuar o que sou. O meu gabinete não vai mudar, não precisa marcar hora pra vir aqui. Eu atendo qualquer pessoa, seja autoridade ou um simples servidor.

A senhora se considera “mão de ferro”?Já me chamaram de mão de ferro. Eu multava muito, então, o conselheiro Josué Filho quando chegou ao TCE disse: “Yara, tu multa os prefeitos que não querem fazer a coisa certa, mas tu está atirando em mosquito com metralhadora”. E eu achei sábio o aconselhamento dele como uma pessoa mais experiente, e a pessoa tem que ter humildade para aceitar as ponderações das pessoas mais experientes, mas eu nunca deixei de fazer a coisa correta, apenas tive mais ponderação. A mulher naturalmente é mais energética, ao menos essa é a minha opinião.

O desvio do dinheiro público predomina nas administrações do interior do Estado ou a reprovação de contas é por falta de conhecimento técnico?

Eu acho que a corrupção é uma questão de caráter. Mas, no meu ponto de vista, é mais falta de competência e de conhecimento da legislação que esses prefeitos se deixam influenciar por aqueles que os cercam. Não são quem os cercam que vão responder aos processos. Penso que a legislação eleitoral deveria ter um requisito básico para poder ser prefeito, que é ter nível superior, além de um curso de gestão pública e um sobre a lei das licitações. Assim eles saberiam qual a consequência do mau uso do dinheiro público. Não existe prova para a OAB? Deveria existir prova para prefeito também.