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Manifestantes ocupam frente da Prefeitura de Tabatinga (AM) e questionam gastos públicos

População do município amazonense questiona os gastos da Prefeitura e exige melhorias na área da saúde e de infraestrutura urbana

Tabatinga, na fronteira com a Colômbia, será uma das cidades beneficiadas

Cerca de 500 pessoas participaram do ato, que questionou os altos gastos da Prefeitura de Tabatinga (Ney Mendes/ Arquivo A CRÍTICA )

Na tarde desta terça-feira (20), uma manifestação com cerca de 500 pessoas tomou conta da avenida da Amizade, em Tabatinga, município a 1.108 quilômetros de Manaus. A concentração aconteceu na frente da loja automotiva Cometa Motocenter, por volta das 15h (horário local), e se deslocou até a Prefeitura da cidade, localizada na mesma avenida, chegando no local por volta das 16h40.

Segundo Cirineu Lima, um dos manifestantes, o movimento busca questionar o Poder Público sobre os gastos do município e sobre a condição em que se encontra a cidade. “Já enviamos documentos ao Ministério Público Federal, amanhã (quarta-feira, 21) enviaremos ao Ministério Público Estadual, pois a situação não pode ficar assim”, disse.

Lima explicou a situação dos servidores contratados da Prefeitura, uma das situações que motivou o protesto: “Os servidores estão tendo os INSS descontado mas já sabemos que ele não está sendo repassado. Além disso, a situação dos trabalhadores que fazem a coleta do lixo é deplorável: eles não vêm recebendo o adicional de insalubridade”.

“Além disso, recentemente tivemos a reforma de uma escola, a Joceide Andrade, que custou mais de R$ 1 milhão. Quando que ia ser gasto numa reforma? Onde foi parar esse um milhão?”, pergunta o manifestante.

Segundo o morador, a saúde da cidade está "um horror", assim como a pavimentação. Ele comenta que uma nova moda na cidade, é a troca de moto por cavalos, tamano o descaso das vias. "As pessoas estão apelando porque não dá para trafegar em Tabatinga. A empresa que seria responsável pelo serviço, a KPK, está na cidade desde junho de 2013 e não fez absolutamente nada”, acrescentou.

Na rua Santos Dumont, por exemplo, que dá acesso ao campus do Instituto do Amazonas, não há condições dos estudantes se deslocarem para as salas de aulas, já que todo o trajeto é só lodo e lama lá.

'Há muita ignorância'

O prefeito de Tabatinga, Raimundo Carvalho Caldas (PDT), rebate as questões alegando "muita ignorância por parte das lideranças do movimento" e também intenções políticas, considerando as eleições deste ano.

“Um exemplo dessa ignorância é a questão dos servidores contratados. Fizemos um acordo sobre a questão em dezembro de 2013. Agora, a Receita Federal desconta direto da Câmara Municipal e da Prefeitura, que têm o mesmo o CNPJ, o valor equivalente ao INSS desses servidores baseado em uma estimativa calculada por eles. Em abril, eles descontaram cerca de R$ 103 mil, referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março”, explicou o Prefeito.

“A questão dos responsáveis pela coleta de lixo é mais engraçada, pois não estamos pagando justamente por uma ordem externa. Concedemos normalmente a insalubridade em 2013, paramos de fazer isso quando, em abril, fomos notificados pelo Tribunal de Contas do Estado por estarmos pagando sem um laudo atestando a condição insalubre. Eu já designei uma equipe pra analisar, caso a caso, a situação desses trabalhadores e quem comprovadamente tiver direito, vai receber a insalubridade”, garantiu Raimundo.

Já sobre o custo da reforma da escola, Caldas diz não se intimidar em dizer que a Joceide Andrade é "a escola mais completa do interior do Amazonas". "Tem auditórios e refeitório climatizados, quadra, câmeras de vigilância, tudo. Ela foi reformada e ampliada, foi uma 'senhora obra'. Ela não custou R$ 1 milhão, custou R$ 3 milhões. Eles erraram para baixo”, rebateu o gestor.

O Prefeito defende, ainda, a situação da saúde no município. “Quando assumi, encontrei quatro médicos e eles recebiam a miséria de R$ 5 mil, tudo por programas estaduais e federais. Contratamos 15 médicos, pagando R$ 15 mil a cada um, e agora, com a chegada dos médicos cubanos, a situação melhorou ainda mais”, contou.

“Claro que podemos melhorar e estamos fazendo isso. Terminamos a obra de uma Unidade de Pronto Atendimento que estava parada há tempos. Reformamos a Unidade Básica de Saúde do bairro Nova Esperança, estamos reformando a do bairro Tancredo Neves e esperamos começar a reforma da do bairro Santa Rosa até mês que vem. Ainda esse ano, espero construir mais duas, uma no bairro Ibirapuera, outra no bairro Vila Verde”, detalhou Raimundo.

Ele, no entanto, cede na questão da pavimentação. “Concordo com os manifestantes que a pavimentação está ruim, mas eles têm de entender que estamos passando pelo inverno mais rigoroso que eu já tive notícia em Tabatinga. Não é culpa minha, nem da empresa, é uma questão da natureza”, desabafa o político.

“De fato, a KPK está lá, desde setembro de 2013. Tem empresa, tem máquinas e tem asfalto, o que não tem são condições. Recentemente, começamos a trabalhar algumas horas próximas do meio-dia, quando o sol está a pino. Estamos avançando como podemos”, concluiu o prefeito.