O CEO concentrador, com perfil predominantemente técnico e que se posiciona muito acima de seus comandados tende a perder espaço, dando lugar a um novo tipo de executivo, mais humano, capaz de desenvolver vínculos com pessoas, ser eficiente na condução dos negócios, sem deixar de dedicar tempo a si mesmo e à família.
Especialistas e executivos ouvidos por A Crítica afirmam que a consolidação total desse novo profissional pode demorar entre 40 e 50 anos, mas é inevitável. Uma das razões para essa mudança é a própria complexidade das operações e os novos modelos de produção.
“Na sociedade industrial, as pessoas vendiam sua força, seu físico. Pensar não era necessário. Hoje, isso pode ser feito por robôs, menos de 20% do PIB mundial vêm da indústria. O que movimenta a economia são atividades que requerem trabalho intelectual, é preciso pensar no que se faz. Isso exige um novo comportamento de quem lidera”, analisa o CEO da Idea Desenvolvimento Empresarial, Moisés Fry Sznifer.
Isso implica em saber interagir adequadamente com a equipe, o que não é fácil. “Em pesquisa envolvendo 150 CEOs, foi identificado que uma das maiores dificuldades é justamente lidar com as equipes”, diz o especialista em desenvolvimento humano e dinâmica de negócios, Luiz Fernando Garcia. Ele dá dicas para melhorar essa interação (veja no Blog).
Sendo visto como uma pessoa e não como um super-herói (ou um ditador), o gestor tem respostas melhores de sua equipe e consegue delegar com segurança, tendo condições de administrar melhor seu próprio tempo e cuidar de si mesmo. É claro que essa dinâmica só é possível quando a cultura corporativa o permite, o que já é realidade em grandes empresas de TI, como Yahoo!, Google e Apple.
Cultura corporativa
“Minhas prioridades na vida são Deus, família e Yahoo!, nessa ordem”. Foi o que afirmou a executiva Marissa Mayer em sua primeira entrevista como CEO da gigante de tecnologia. Vale lembrar que ela foi contratada em plena gravidez. O Yahoo! é uma das empresas com cultura corporativa que vê a valorização das pessoas como a melhor forma de atingir resultados.
Essa percepção, segundo Moisés Fry , ainda não está bem clara para as organizações. “Ainda tem uma herança grande da era industrial (quando o capital intelectual não era importante). O modelo mental da era industrial, com todos os valores criados, ainda resiste tenazmente na cabeça das pessoas. Mas a mudança é inexorável, ainda que leve 40 ou 50 anos”, pondera.
Isso, em se tratando de gestores contratados. No caso dos empreendedores, porém, sobretudo nos pequenos e médios negócios, conciliar gerenciamento da empresa com qualidade de vida torna-se uma missão mais difícil. Para o empresário Mário Ricardo Gomes, nas fases iniciais do negócio, é preciso abrir mão de algumas coisas em prol do empreendimento, tendo em mente que esse sacrifício será compensado com o sucesso.