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No Dia Mundial da Água, recursos hídricos do Amazonas estão ameaçados por poluição

Lençóis freáticos poluídos, igarapés e rios sob ameaça e falta de tratamento compõe um cenário que precisa ser conhecido


Encontro das Águas, no Amazonas, é considerado patrimônio natural do Brasil

Encontro das Águas, no Amazonas, é considerado patrimônio natural do Brasil (Márcio Silva/ 05/ago/2009)

As águas contaminadas dos igarapés de Manaus, que são verdadeiros esgotos a céu aberto, podem estar contaminando as águas subterrâneas. O alerta é do geólogo Fred Cruz, ao chamar a atenção para o risco do consumo de água retirada de poços com menos de 40 metros de profundidade. “Hoje, em Manaus, se consome muita água envasada, mas em alguns casos pode ser que a da empresa concessionária seja melhor do que essas”, assegurou ele. Outra notícia preocupante foi dada pelo engenheiro da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), Rainier Pedraça, no seminário. Baseado na Pesquisa Nacional de Saneamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ele informou que mais de 60% da população dos municípios da zona rural do Estado consomem água sem qualquer tipo de tratamento com desinfectantes.

 De acordo com Fred, a cidade de Manaus deve ser olhada pelas autoridades não como trechos isolados, pois temos águas contaminadas nos rios, sem condições de uso e nem balneabilidade, que é a capacidade para uso em banhos, pois esses têm íntima relação com os lençóis freáticos e águas subterrâneas. “Se essas águas têm ligação direta com os igarapés, elas estão também contaminadas”, observou o especialista, que esteve no Seminário “Água, Saneamento e Energia: perspectivas para o Amazonas”, promovido pela Secretaria Estadual de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos, em comemoração ao Dia Mundial da Água, celebrado neste sábado (22).

O geólogo acredita que o fato do manauense dar crédito incontestável às vendidas envasadas é puro desconhecimento. “Sem saber a origem dessa água, se vem de poços profundos, talvez a água da Manaus Ambiental seja mais saudável que a da garrafa, PIS quem garante que essa água do garrafão é de qualidade”, questiona ele, indagando se a Agência de Vigilância à Saúde (Anvisa) faz alguma fiscalização para verificar se não está contaminada por microorganismos como vírus, bactéria e fungos.

O engenheiro Rainier Pedraça diz que de acordo com os planos municipais de saneamento básico elaborados por 51 municípios, foram detectados problemas na captação, reservação, tratamento e distribuição da água. Em mais de 30% dos municípios pesquisados, há problemas de instalações de poços, com a presença de ferro na água, mais de 60% deles têm problemas na captação, com pouca infra-estrutura e proteção, mais de 70% não tem sistema de reservas e mais de 60% não tratam a água com cloro.

Por ser um órgão de saúde pública, a Funasa se preocupa com essa situação e propõe ações como a reestruturação dos serviços, capacitação de pessoal, controle das perdas, instalação de hidrômetros, entre outros. O grande problema, segundo Rainier, é que com a saída da Cosama, os municípios ficaram responsáveis pelo serviço de água, mas não se prepararam para isso. Hoje, a Funasa financia a construção dessas estruturas nos municípios, mas faltam projetos e interesses dos municípios.

Frases

“É preciso saber a origem das águas envasadas vendidas em Manaus porque se não for de poço com pelo menos 40 metros de profundidade, ela pode estar contaminada”. Fred Cruz - Geólogo

“A Pesquisa Nacional de Saneamento do IBGE mostrou que 60% da população dos municípios do interior consomem água sem qualquer tipo de tratamento”. Rainier Pedraça - Engenheiro da Funasa