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Negro é vendido a R$ 1 no site MercadoLivre.com e polícia do RJ investiga incitação a racismo

Os dados do usuário que fez a postagem de venda no site MercadoLivre foram entregues à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial. O Ministério Público também deverá apurar possível crime

A postagem no MercadoLivre foi removida após denúncia dos próprios usuários do site

A postagem no MercadoLivre foi removida após denúncia dos próprios usuários do site (Divulgação)

A Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRCI) da Polícia Civil do Rio de Janeiro informou nesta sexta-feira (10) que instaurou inquérito para apurar crime de incitação ao racismo no caso de publicação de anúncio vendendo negros a R$ 1 no site de vendas MercadoLivre.

De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Civil, por enquanto não serão divulgadas mais informações para não atrapalhar o andamento das investigações. A Agência Brasil solicitou entrevista com o delegado responsável pelo caso, que preferiu não falar sobre o assunto.

A Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) também divulgou nota sobre o caso nesta sexta-feira, afirmando que enviará na segunda-feira (13) ao Ministério Público do Rio de Janeiro pedido de apuração de responsabilidade de crime de racismo e de discriminação racial.

O MercadoLivre já entregou à Ouvidoria Nacional da Igualdade Racial, vinculada à  Seppir, os dados cadastrais e de acesso do usuário que fez a postagem, solicitados na quinta-feira (9). As mesmas informações já haviam sido encaminhadas à Polícia Civil.

Segundo o ouvidor nacional da Seppir, Carlos Alberto Silva Júnior, o autor da postagem pode ser enquadrado no Artigo 20 da Lei n° 7.716/1989, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.

Na nota publicada pela secretaria nesta sexta-feira, Silva Júnior afirma que "é inaceitável a tentativa de desumanização da população negra, enquadrando seus indivíduos como mercadoria e remetendo os mesmos de volta à escravidão".

O anúncio repercutiu nas redes sociais no domingo (5) e ficou no ar até segunda (6). De acordo com o MercadoLivre, a postagem foi removida após alerta dos próprios usuários do site. O MercadoLivre disse que está à disposição das autoridades e também declarou que disponibiliza um botão de denúncia para que os usuários alertem sobre conteúdos inadequados.