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OAB promove ato de repúdio na sede da PM por agressão de policial a advogada

Islene Setúbal teria sido espancada durante uma fiscalização a uma casa de shows que ela representava; entrada dos advogados na sede da Polícia foi dificultada por policiais armados, que tentaram intimidar os manifestantes

Entrada dos manifestantes no Comando Geral teve nervosismo e conversas com os policiais

Entrada dos manifestantes no Comando Geral teve nervosismo e conversas com os policiais (Divulgação)

Cerca de 40 advogados foram ao Comando Geral da Polícia Militar, na avenida Codajás, 1505, Zona Sul de Manaus, na manhã desta quinta-feira (15), para promover um ato público de repúdio à violência policial.

O protesto foi motivado pela agressão sofrida pela advogada Islene Marques Setúbal, no último dia 30 de abril, durante o exercício legítimo da profissão. Ela relatou ter sido espancada pelo PM Francisco Ferreira da Rocha durante uma fiscalização a uma casa de shows no Santa Etelvina, Zona Norte, que ela representava na ocasião. De acordo com Islene, as agressões começaram no momento em que o policial pediu para verificar a veracidade do alvará de funcionamento do local.

A ocorrência foi denunciada no mesmo dia à Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública, mas, segundo o presidente da OAB-AM, Alberto Simonetti Neto, nenhuma providência foi tomada. “Temos ciência de que esse episódio foi isolado e praticado por um policial que não honrou a farda. Sabemos que a maioria dos policiais respeita as prerrogativas do advogado e os direitos dos cidadãos. No entanto, há uma diminuta minoria que pratica de forma contumaz o abuso de autoridade e a truculência”, afirmou.


Policial premiado a delegado

Além de Francisco não ter sofrido qualquer tipo de sanção por parte dos órgãos corretivos da PM, ele ainda foi nomeado para a função de delegado no município de Apuí, a 408 km de Manaus. A decisão indignou os advogados, que manifestaram seu desagravo com a escolha de Francisco. “Lá, ele já demonstrou seu despreparo para o exercício do cargo. Tanto pelo seu passado agressivo, quanto pela forma espalhafatosa como iniciou seu trabalho naquele município, fantasiando-se de ‘xerife texano’”, pontuou Simonetti.

A entrada dos advogados na sede da PM foi tumultuada, com alguns policiais armados tentando impedir o acesso dos manifestantes. Só com a intervenção do coronel Rommel Pereira foi possível a realização do ato. O caso de Islene segue para o Ministério Público Estadual (MPE), além de estar sendo apurado pela Corregedoria Unificada. “Também foi instaurado um inquérito na Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher. Estamos unidos para defender uma colega, e nunca compactuaremos com policial que usa da violência e arbitrariedade, quando deveria estar fazendo cumprir a lei”, ressaltou o presidente da OAB-AM.