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Pesquisa do Ipea sobre comportamento da mulher surpreende negativamente

Pensamento machista e autoritário sobre a condição da mulher é demonstrado em pesquisa do Ipea, aponta socióloga

Violência contra a mulher é um dos pontos da pesquisa

Violência contra a mulher é um dos pontos da pesquisa (Luiz Vasconcelos/ 21/nov/2009)

A pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revelando que a maioria da população brasileira acredita que “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, e que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros", surpreendeu negativamente estudiosos do tema, como a socióloga e mestre em Sociedade e Cultura Márcia Oliveira, coordenadora do Departamento de Educação do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social (Sares).

A revelação de que 65% de um total de 3.810 pessoas ouvidas disseram concordar que mulher que mostra o corpo merece ser atacada, 91% concordam total ou parcialmente com a prisão do marido que bate em mulher, embora desses, 89% considerem que “roupa suja deve ser lavada em casa”, trazidas pela pesquisa são chocantes, na avaliação de Márcia Oliveira. Segundo ela, a pesquisa mostra principalmente que a sociedade ainda mantém um pensamento machista da condição da mulher.

Comportamento

Embora seja interessante analisar a mudança no comportamento no caso da violência por força da Lei Maria da Penha, permanece incutido no imaginário das pessoas o pensamento de que o homem tem direito a usar a violência contra a mulher. Isso está demonstrado no fato de 70% dos entrevistados concordarem que marido que bate em mulher vá para cadeia, mas admitirem que as brigas entre o casal devem ser resolvidas entre quatro paredes. “Para mudar isso, talvez precisemos de uma geração inteira”, confirma Márcia.


A pesquisa, de acordo com a socióloga, mostra também a permanência da relação de sujeição, submissão da mulher, quando mostra que há um tipo de mulher para casar e outro para transar. “É uma visão medieval, que separa as mulheres entre santas e pecadoras”, critica.

Os que concordam que as mulheres merecem ser atacadas por usar pouca roupa tentam legitimar a violência e o controle sobre o corpo da mulher. Para ela, a culpabilização da mulher pela violência sexual é ainda mais evidente na alta concordância com a ideia de que “se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros”, frase aprovada por 58,5% dos entrevistados. Numa cidade como Manaus, onde  usar pouca roupa  devido ao clima é normal, é como se afirmasse que no Norte as mulheres querem ser violentadas, lamentou a socióloga, indicando aí também um componente de discriminação regional.

Pontos - Violência contra a mulher preocupa

  • Embora represente a legislação mais avançada do mundo no combate à violência contra a mulher, a Lei Maria da Penha (11.340/06) não reduziu o feminicídio no País.
  • Os números de 2009 a 2011 demonstram que ocorreram mais de 50 mil mortes de mulheres por causas violentas no País. Esse número equivale a uma morte a cada uma hora e meia.
  • O Anuário de Segurança Pública mostrou que no ano de 2012 ocorreram mais de 50 mil casos de estupro, o equivalente a seis estupros a cada hora. Entre as vítimas de violência doméstica ou sexual, predominam mulheres negras, jovens, e com baixa escolaridade. 
  • Especialistas defendem a criação do Fundo Nacional de Enfrentamento da Violência contra as Mulheres, assim como a aprovação do Projeto de Lei 296/13, resultante da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Violência contra a Mulher.