Pesquisa aponta redução no número de fumantes em Manaus

Dados  de uma Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde apontam que percentual de fumantes em Manaus está abaixo da média nacional

A coordenadora do programa municipal de combate ao tabagismo, a  enfermeira Marlene Lessa de Souza,a com o monoxímetro

A coordenadora do programa municipal de combate ao tabagismo, a enfermeira Marlene Lessa de Souza,a com o monoxímetro (Clóvis Miranda)

Manaus vem registrando uma queda no número de fumantes de acordo com a Pesquisa Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), realizada pelo Ministério da Saúde. Anualmente, um universo de 2 mil entrevistados é ouvido nas capitais brasileiras.

A pesquisa é aplicada onde já existem implantados programas municipais de controle do tabagismo. Manaus passou a contar com o programa em 2008, quando o percentual de fumantes na cidade era de 13,4%. Hoje, esse índice jjá se encontra em 11,8%, bem abaixo da média nacional que é de 15,4%.

 De acordo com o secretário municipal de Saúde, Francisco Deodato, essa redução vem acompanhando a ampliação e a qualificação gradativa do Programa Municipal de Controle do Tabagismo, que hoje conta com uma rede de 11 ambulatórios para tratamento de fumantes na cidade. “Quando assumimos o programa, havia uma fila de espera de mais de 300 pessoas e apenas um ambulatório”, afirma. O serviço hoje dispõe de equipe multidisciplinar, formada por especialistas, e equipada para auxiliar as pessoas que desejam parar de fumar.

 Ampliação

 A intenção da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) é aumentar para 16 o número de ambulatórios na cidade em 2012.

A coordenadora do programa, a enfermeira Marlene Lessa de Souza, explica que desde 1996 o Ministério da Saúde trabalha no sentido de desenvolver ações de prevenção, controle e tratamento do tabagismo, mas foi somente a partir de 2001, quando o Instituto Nacional do Câncer (Inca) lançou um consenso de abordagem de tratamento do fumante, que o Governo Federal lançou o Programa Nacional de Controle do Tabagismo, passando a orientar os estados e municípios a desenvolverem ações locais.

 Marlene explica que o principal fator no trabalho de controle é a sensibilização do fumante. “As ações de controle são colocadas à disposição do dependente, mas é fundamental que ele faça a adesão ao tratamento e queira realmente parar de fumar”, explica ela.

 Tratamento

 O tratamento ocorre em dois meses e o paciente é acompanhado por um período de um ano. Ao chegar no ambulatório, o fumante responde ao Questionário de Fagerstron, por meio do qual é possível dimensionar o grau de dependência dele à nicotina (se física, psíquica e comportamental).

 Em seguida, ele é encaminhado ao médico, que o submete a um exame clínico normal e ao teste da dosagem de monóxido de Carbono, por meio do monoxímetro, conhecido como o “bafômetro do cigarro”, onde é dosada a quantidade de monóxido de Carbono no sistema respiratório do paciente. “Basta ser fumante, não precisa nem ser dependente. O aparelho mede qual é o grau de contaminação que se tem no organismo”, explica a enfermeira, ressaltando que todos os ambulatórios possuem monoxímetro.

 Na sequência, é feito o teste de espirometria, que vai diagnosticar precocemente a ocorrência de doenças pulmonares relacionadas ao cigarro, a exemplo de bronquite crônica, enfizema pulmonar e a DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica). “O diagnóstico precoce já permite que o dependente seja submetido a um tratamento para essas doenças”, afirma Marlene. Paralelamente, o paciente começa a participar de reuniões em grupos de dez a 15 pessoas, lideradas por um terapeuta/psicólogo, em quatro sessões mensais.

 Tratamento e prevenção

Os principais sintomas da abstinência da nicotina são ansiedade, insônia, tontura, dor de cabeça e depressão. Para vencer esses problemas gerados pela ausência da substância no organismos muitas vezes é prescrito pelos médicos a aplicação de nicotina em adesivos. Considerados medicação, os adesivos são fornecidos gratuitamente para os pacientes nos ambulatórios.

De acordo com Marlene Lessa, o trabalho vem gradativamente surtindo o efeito esperado, com um número maior de fumantes aderindo ao programa a cada ano. Em 2008, foram 43 pessoas atendidas. No ano seguinte, 153. Em 2010, 355, e, até setembro deste ano, o número de fumantes chegava a 434.

Desde 2009, são realizadas campanhas de divulgação que visam sensibilizar a população. Aliado a isso, é feito também o trabalho de fiscalização, visando o cumprimento da Lei Estadual 1.634, de 29 de agosto de 2009, que proíbe o uso de cigarros em ambientes coletivos.

 “A lei acabou fortalecendo nosso trabalho e fazemos também blitze em restaurantes a partir de denúncias feitas pelo 0800-092-0123”, explica Marlene. O estabelecimento que permitir a prática pode ser multado em até R$ 50 mil .

Em datas comemorativas, como o Dia Nacional de Combate ao Tabagismo (29 de agosto) e Dia Mundial Sem Tabaco (31 de maio), são realizadas ações públicas, com o uso do monoxímetro. Pais fumantes muitas vezes se surpreendem quando o resultado do exame feito nos filhos apresenta nível de contaminação, por conta do chamado tabagismo passivo.

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