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Presidente da CPI da Pedofilia defende afastamento de toda a estrutura em torno de Adail

Com dados de investigações anteriores, a deputada Érika Kokay (PT-DF) espera ampliar a solicitação do desembargador Francisco Cruz para combater toda a administração municipal de Coari

Deputada Érika Kokay (PT-DF) e o procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz, em reunião no MPE na tarde desta sexta (21)

Deputada Érika Kokay (PT-DF) e o procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz, em reunião no MPE na tarde desta sexta (21) (Antonio Lima)

A presidente da CPI da Pedofilia da Câmara Federal, deputada Érika Kokay (PT-DF), participou de uma reunião na tarde desta sexta (21) com membros do Ministério Público do Estado (MPE) para falar sobre o pedido de intervenção estadual em Coari.

Com informações e relatos de investigações anteriores da CPI, a deputada quis trazer elementos para rever e ampliar a solicitação do procurador-geral de Justiça, Francisco Cruz, que até então estava restrita apenas à nomeação irregular de membros do Conselho Tutelar do município. Érika defendeu que é preciso agir com rigor para transformar a conduta “arraigada”, em sua definição, da administração de Coari. “Não basta afastar o prefeito, é preciso acabar com toda a estrutura montada para aliciar as jovens e intimidar suas famílias”, defendeu a presidente da Comissão.

Também estiveram presentes à reunião a relatora da CPI, deputada Liliam Sá (Pros-RJ), os deputados estaduais Luiz Castro (PPS) e José Ricardo (PT), bem como representantes de movimentos ligados à defesa de crianças e adolescentes.

Críticas à falta de ação da Justiça amazonense

Esta é a segunda vez que a CPI da Pedofilia da Câmara investiga denúncias relacionadas a Adail. Entre julho e setembro do ano passado, a Comissão ouviu depoimentos de vítimas e pediu providências da justiça amazonense quanto ao prefeito Adail Pinheiro. Em passagem por Coari, no início de julho, partidários de Adail chegaram a hostilizar os membros da CPI, impedindo-os de entrar em locais onde seriam ouvidas vítimas do suposto esquema.

Na época, a deputada já havia criticado a falta de ação do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), retomando o tom mais duro das declarações na manhã desta sexta (21). Em depoimento à imprensa, pouco antes de uma reunião com a desembargadora Socorro Guedes, Érika qualificou a justiça amazonense de “frouxa” na condução de processos envolvendo autoridades, além de apontar uma “teia” de interesses para dificultar a sua tramitação.

“Isso é uma demonstração de frouxidão, frouxidão do estado e frouxidão da própria lei amazonense, que não pode ser admitida”, afirmou a presidente da CPI, estendendo as críticas não só a Adail, mas à recente autorização dada ao presidiário Raphael Souza, filho do falecido deputado Wallace Souza, para viajar ao Caribe. A crítica irritou o presidente do TJAM, Ari Moutinho: “ela que prove que o tribunal é frouxo. A Justiça do Amazonas é altiva, ativa e confiável”, respondeu o desembargador.

TJAM repudia declarações de deputada

À noite, Moutinho enviou uma nota de repúdio à afirmação da parlamentar. “Trata-se de uma declaração extremamente ofensiva e desrespeitosa para com o Judiciário Estadual, atingindo a honra e a dignidade seus servidores e magistrados, profissionais que aqui estão, dia após dia, levando a Justiça aos lugares mais longínquos do Amazonas. Tal expressão desmoraliza e desmerece todo o trabalho realizado por este Poder”.

O presidente do TJAM também reforçou a colaboração total do Tribunal para com os procedimentos da CPI, e criticou o fato de a declaração da deputada ter sido feita à imprensa, e não diretamente a ele. “O que mais surpreende é que, em momento algum, enquanto estive reunido por mais de duas horas, nesta sexta-feira, com integrantes da CPI e assessores, houve, por parte da referida deputada, qualquer referência ao termo utilizado nessa afirmativa (frouxidão). É de se estranhar, portanto, que, ao presidente da Corte, o representante máximo deste Poder, tal expressão não tenha sido mencionada. Se assim o fosse, seria rebatida de imediato por mim. Contudo, foi feita à imprensa”, afirma.

Ameaças em Coari

Na quinta (20), a CPI foi a Coari ouvir novos depoimentos de vítimas do suposto esquema de exploração sexual mantido pelo prefeito do município. Denúncias de intimidação por parte da população foram frequentes. Em conversa com a TV A CRÍTICA, o deputado estadual Luiz Castro (PPS) afirmou que uma das depoentes chegou a ser ameaçada em pleno trajeto rumo ao campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) no município, onde seria ouvida. “Um sujeito chegou num carro vermelho, baixou a janela e fez um gesto com as mãos, simbolizando um revólver apontado pra ela”, contou.

Pela noite, Érika, Liliam e o restante da Comissão foram à Assembleia Legislativa do Estado (ALE) para colher novos depoimentos. Na ocasião, Liliam também criticou a imparcialidade do governador do Estado, Omar Aziz, e de senadores e deputados federais do Amazonas por não terem se pronunciado até o momento sobre o caso. “Até agora não vi o governador deste Estado, nem os deputados federais e estaduais se mexerem para ajudar a gente. É inadmissível que os representantes do povo não digam nada, é preciso empenho de todos, a população merece uma resposta”, alertou.

Indiciados da ‘Operação Estocolmo’

Na noite desta sexta (21), a CPI conduz audiências com indiciados da ‘Operação Estocolmo’, que, em novembro de 2012, descobriu a ação de outra rede de exploração sexual, a qual, segundo levantamentos da responsável pela operação, a delegada Linda Glaúcia, beneficiava empresários e políticos de alto poder aquisitivo do Amazonas.

* Com informações da repórter Rosiene Carvalho.