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TCE compra cadeira no valor de R$ 10 mil

A poltrona adquirida pela corte faz parte de um pacote de compras de R$ 182,8 mil de móveis de uma loja de luxo de Manaus

O TCE-AM enviou a imagem da poltrona (acima) que custou R$ 10,1 mil. Órgão diz que o móvel ainda não foi entregue

O TCE-AM enviou a imagem da poltrona (acima) que custou R$ 10,1 mil. Órgão diz que o móvel ainda não foi entregue (Mariana Lima)

Quem lê os diários oficiais com alguma frequência já percebeu que a Administração Pública, além de contas complexas, também possui despesas no mínimo curiosas - seja pelo luxo exigido pelos órgãos e poderes, seja pela quantidade de dinheiro público gasto para bancar o conforto de poucos.

O Tribunal de Contas do Estado do Amazonas (TCE-AM), por exemplo, em 2013, gastou R$ 182,8 mil em móveis, na loja Dinâmica. Entre as peças adquiridas pelo órgão, está uma poltrona para escritório no valor de R$ 10,1 mil.

Os móveis, de acordo com o departamento de comunicação do TCE-AM, ocupam áreas novas ou reformadas pelo órgão, como duas recepções, auditórios, salas de apoio do auditório, sala VIP, biblioteca e salas de trabalho de conselheiros.

A poltrona foi adquirida em 2013. Mas, segundo o novo presidente do TCE-AM, conselheiro Josué Filho, o objeto ainda não foi entregue pela loja. Por isso, o órgão só pagará os R$ 10,1 mil após receber o móvel. A lista de compras do tribunal foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do tribunal do dia 9 de janeiro deste ano.

Josué Filho explicou que a poltrona tem preço alto porque possui características anatômicas para pessoas com problemas de coluna. “Ela é ergométrica”, informou o presidente do TCE-AM. Por telefone, o conselheiro Érico Desterro confirmou ter esse problema.

Josué Filho afirmou que não considera luxo gastos de R$ 10,1 mil com uma poltrona ou R$ 26 mil com dois quadros. Para o conselheiro, o TCE-AM é um “palácio”. Logo, os móveis que o decoram têm que “harmonizar” com os ambientes do prédio.

“Você pode dizer que o tribunal tem bom gosto”, disse Josué Filho à reportagem de A CRÍTICA, completando: “Você não pode botar num palácio desse uma coisa que é incompatível. Não sincroniza. Não harmoniza. Já pensou se aqui tivesse cheio de cadeira, de banco de madeira. Aqui tem que ter um ambiente bom”.

Da mesma loja, o TCE-AM comprou ainda artigos como tapetes de R$ 1,4 mil, mesas, aparadores e balcões de recepção de até R$ 11,2 mil. Somente os móveis para a recepção e as salas Vips do prédio anexo do tribunal custaram R$ 48,9 mil.

Josué Neto herdou da administração que o antecedeu R$ 65 milhões no caixa do TCE-AM.

Poltrona mais cara custa R$ 3,6 mil
Na manhã do dia 16, a reportagem de A CRÍTICA esteve na loja Dinâmica Design, localizada no bairro Chapada, à procura da poltrona de R$ 10,1 mil. Duas atendentes e a gerente da loja, identificada como Flávia, informaram que a loja não vende poltronas para escritório nesse valor. Nem sob encomenda

.

No catálogo apresentado por uma das vendedoras, por orientação da gerente, não constava nenhuma poltrona no valor ou nas medidas apresentadas pelo TCE-AM. A reportagem encontrou, disponível para compra, uma poltrona de R$ 3.672 (foto), considerada a mobília tipo escritório mais cara a venda na loja.

A equipe de vendas do estabelecimento informou que a loja faz encomendas a gosto do cliente, mas que são necessários a compra de seis unidades, número mínimo para fechar um contêiner.

Os vendedores e a gerente informaram que as encomendas são feitas, geralmente, para mobílias de madeira e que objetos como poltronas raramente são compradas por encomendas, por serem produtos importados.

Móvel foi comprado em catálogo
O departamento de comunicação do TCE-AM rebateu a informação obtida por A CRÍTICA na loja, alegando que não correspondia à realidade. Segundo o departamento, a poltrona não fazia parte do showroom da loja, por isso foi encomendada via catálogo.

De acordo com o TCE-AM, outras duas empresas participaram da licitação para a compra de móveis. Mas cobraram valores altos. “A compra foi efetuada na loja Dinâmica porque foi a empresa que apresentou o menor valor dos móveis (R$ 174.639,00). As outras empresas que atenderam ao edital, foi a Raiuga Móveis (no valor de R$ 204,100,60) e a TEC Shop (R$ 211.889,50)”, informou o departamento de comunicação, em e-mail enviado a A CRÍTICA.

Por telefone, Flávia, a gerente da loja, disse que se a repórter tivesse informado o nome da linha de poltronas que procurava, teria mostrado o catálogo correto. Segundo ela, nesses casos, a empresa faz a compra de outros fornecedores, e repassa aos clientes. A poltrona de R$ 10,1 mil é produzida no Paraná, pela Formline Móveis.