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Novo presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis apresenta projetos em entrevista

Almir de Mendonça Taveira toma posse nesta quinta-feira (07) com a missão, entre outras, de atrair para a entidade a maior parte dos 5 mil corretores

Almir Taveira atua no ramo de corretagem de imóveis há oito anos de forma liberal

Almir Taveira atua no ramo de corretagem de imóveis há oito anos de forma liberal (Clóvis Miranda )

Atuando no ramo há oito anos, Almir de Mendonça Taveira, 42, assume nesta quinta-feira (07), a presidência do Sindicato dos Corretores de Imóveis (Sindimóveis) para o triênio 2013-1016. O principal desafio do novo comandante é agregar os quase 5 mil corretores do mercado amazonense, já que apenas 300 são filiados ao Sindimóveis. Obter maior reconhecimento da categoria e lutar pela garantia dos direitos dos corretores locais são outros projetos de Almir.

Em um bate-papo com A CRÍTICA, ele explicou mais sobre seus planos e fez um raio-x do perfil profissional exigido pelo mercado local. O novo presidente também expôs seu panorama sobre o mercado imobiliário local, que se encontra aquecido principalmente nas classes C e D e em processo de expansão para a Região Metropolitana da capital.

Quais são suas principais metas à frente do Sindimóveis, neste triênio 2013-2016?

Queremos dar ao corretor a segurança suficiente para ele trabalhar. O corretor é um profissional liberal e às vezes não tem renda fixa. Aqui no Estado este problema diminuiu pelo fato de 60% dos profissionais atuar em stands de vendas de construtoras. Nós também vamos fiscalizar esses stands e verificar a segurança que está sendo oferecida para o profissional, se seus direitos legais estão sendo obedecidos. Queremos conseguir convênios com planos de saúde para os corretores. Já temos algumas conversas encaminhadas. O Sindimóveis é uma instituição relativamente nova, pois tem apenas oito anos e quase foi desativado, até que em 2010 ganhou fôlego. Vamos continuar nesse crescimento.

Quais são as exigências para atuar como corretor hoje no Amazonas? Qual o perfil que o mercado deseja atualmente?

O corretor faz um curso de técnicas de transações imobiliárias (TTI) que é oferecido em vários locais e tem que estar em dia com o conselho regional. Em termos de qualificação é exigido apenas o ensino médio completo. Mas já existem cursos técnicos como o de gestão imobiliária, que é oferecido gratuitamente pelo Cetam. Há também cursos superiores ofertados por instituições como o Ciesa, Ulbra e Fametro. Quanto ao perfil exigido, digo sempre que o corretor é a base de uma negociação. Ele tem que ser ético, bom profissional, pois vai lidar com pessoas. O cliente acredita tanto nele que chega a entregar a chave do imóvel nas suas mãos. É preciso ter responsabilidade sempre. E logicamente, um carro próprio e linhas de celulares sempre disponíveis.

A profissão tem dado um bom retorno financeiro no Estado? Qual a remuneração mensal de um corretor?

É uma boa profissão e também é lucrativa. A renda varia muito de acordo com as vendas realizadas; ela pode ser num mês R4 10 mil, em outro R$ 20 mil, mas também pode cair bem abaixo disso. Digo sempre que corretor tem que ter foco. Se fizer isso bem, terá seu trabalho reconhecido. Trabalhamos sempre com comissões e quanto maior o volume de vendas, melhor. Em um lançamento, nós ganhamos de 1,5% a 2%. No caso de aluguel, a primeira prestação é paga ao corretor. Em vendas, a taxa do corretor é de 6%, mas o valor ainda é negociável. Nas avaliações de terrenos e imóveis, cobramos 1% do valor. E no caso de terrenos rurais, a comissão chega à 10 %. Dá para viver bem.

O corretor amazonense ainda enfrenta problemas no mercado local como o de não  receber corretamente suas comissões?

Sim, infelizmente ainda existe muita gente que age de má fé. Em casos de contratos de terceiros, por exemplo, há muitas “pegadinhas” para o corretor. Tem profissional que às vezes acredita na palavra do cliente, não amarra um contrato e acaba se dando mal. O corretor consegue um comprador, apresenta ao dono do imóvel e tem cliente que negocia “pelas costas”, só para não pagar a comissão. E o pior é que quem faz isso é gente que tem poder aquisitivo. Vou procurar montar um trabalho para resguardar os colegas destas questões.

Como você avalia o mercado de imóveis no Amazonas atualmente?

Hoje aqui em Manaus, o mercado está muito aquecido principalmente nas classes C e D. A urbanização promovida pelo Prosamim fez a demanda de imóveis crescer muito. Quem morava naquelas áreas foi indenizado, e sai em busca de imóveis na proximidade. Isso fez todas as regiões por onde o Prosamim passou serem valorizadas. O Estado também quer mais terrenos para construir os prédios do Prosamim e aquece esta outra área. A facilidade de se obter financiamentos também colabora para o bom funcionamento do mercado local. Isto sem contar que nós temos também uma grande demanda de aluguéis. Muitas empresas procuram pontos comerciais para se instalar na cidade. A Ponta Negra ainda está aquecida, mas lá o público é classe A. Um terreno que custava R$ 200 mil há dois anos, hoje está na casa do R$ R$ 400 mil. É praticamente 100% de valorização. E a estrada Manoel Urbano (Manaus-Manacapuru) será o novo ponto de crescimento. Já existem algumas construtoras interessadas em terrenos de 50 e 100 mil metros quadrados para construção de prédios de quatro a cinco andares.

Existem riscos do mercado local entrar em processo de saturação?

Os riscos de saturação do mercado podem acontecer, pois o próprio mercado é flutuante. Mas acredito que isso ainda demore.