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Vontade de mudança anima eleitor jovem no Amazonas

Representantes de quase 1/4 do eleitorado amazonense, jovens se dizem insatisfeitos com os atuais representantes e se preparam para corrigir escolhas nas urnas

Os eleitores com idade entre 16 e 24 anos são 473 mil no Amazonas, o que representa 21,7% do total do eleitorado no Estado, estimado hoje em 2,2 milhões

Os eleitores com idade entre 16 e 24 anos são 473 mil no Amazonas, o que representa 21,7% do total do eleitorado no Estado, estimado hoje em 2,2 milhões (Erica Melo)

A decepção e o desânimo com a política – e principalmente com os políticos – e a vontade de mudar se misturam na cabeça dos jovens aptos a votar no Amazonas esse ano. Dois sentimentos distintos em uma parcela significativa do eleitorado amazonense. São 473 mil eleitores no Amazonas com idade entre 16 e 24 anos, o que representa 21,7% do total no Estado.

Prestes a completar 18 anos, o estudante do ensino médio Pedro Borges representa bem essa dicotomia. Ele votou na eleição municipal de 2012 e afirma que se decepcionou com seus candidatos. “Pesquisei sobre a vida de alguns políticos e dos que votei. Só que depois foram reveladas coisas que eu não sabia, coisas erradas deles. Então, assim, eu perdi tempo procurando saber daqueles caras e votando. Esse é um dos motivos porque eu não quero votar. São poucos os que a gente puxa o passado e não é ficha suja. Tem político que não merecia estar com mandato e, sinceramente, eu não sei como eles são eleitos, já que são tão criticados”, conta.

Pedro, no entanto, diz acreditar que o voto pode fazer a diferença. Ele contou com a ajuda do pai que foi quem o orientou a pesquisar a trajetória dos candidatos. Além do incentivo paterno, o estudante teve como aliada a Internet, que foi a ferramenta que utilizou para pesquisar a vida dos candidatos em 2012. Para ele, os candidatos precisam compreender de verdade a realidade das pessoas e não só fazer cena para televisão. “É preciso humildade para conversar, dialogar, se aprofundar mesmo nos problemas. Eles falam o que o povo quer ouvir. O povo ouve o que quer ouvir, mas não tem o que quer”, observa.

Morando sozinho em Manaus há um ano, o estudante de odontologia e auxiliar técnico de informática Ruan Carneiro, 19, diz que os políticos precisam mudar de postura para convencê-lo a mudar de opinião. Ele se diz desencantado com o processo eleitoral. “Acho que a política está uma coisa muito imoral. O sistema faz com que mesmo os políticos com boas intenções se corrompam, eles esquecem ideologia”, afirma.

“Digo isso porque já me decepcionei com políticos e olha que eu nunca votei sem conhecer, analisar e ponderar sobre as ideias dele”, ressaltou ao mesmo tempo em que disse não estar disposto a abandonar a cidadania e que defende uma mobilização para mudar o atual cenário. “Uma pessoa só não faz nada, assim como poucos políticos bons. Para fazer um pouco a diferença, eu deveria convencer algumas pessoas. Mas, um só não vai conseguir mudar nada. É preciso um grupo grande de pessoas”, pontua Ruan.

Aline Batista, 24, que apenas estuda para passar no vestibular, diz que também já se arrependeu de votar em políticos locais. “O que a gente procura, a gente ainda não encontrou, que é um político de caráter, que traga um bom trabalho para a sociedade”, frisa. Ela afirma que a maioria dos políticos não cumpre com a palavra porque promete o que está fora de alcance e que depois só faz justificar e pedir desculpas. “É o que eles sempre fazem”, acrescenta. Apesar disso, Aline diz que o eleitor não pode desanimar. “Vamos pelo menos tentar”, completa a jovem.

Falta informação sobre cargos

Se por um lado há mobilização da Justiça Eleitoral para que o eleitor jovem vá às urnas em outubro, por outro falta informação sobre as atribuições de cada cargo político em disputa esse ano. Jovens ouvidos por A CRÍTICA dizem não saber todos os cargos que estão em disputa esse ano e nem qual a principal responsabilidade de cada um deles.

O estudante do ensino médio Fabiano Palheta, 18, por exemplo, contou que na escola isso não é ensinado. “Não é ensinado, mas eu acho que deveria”. Segundo ele, a falta de informações é um dos motivos pelos quais ainda não escolheu seus candidatos. “Ainda estou por fora desses candidatos. Vou esperar a campanha na TV para conhecer e espero que eles digam o que devem e pretendem fazer”, afirmou .

O perfil de candidato ideal traçado por Fabiano tem como principal característica a justiça. “Ele tem que ser justo, estar disposto a melhorar as coisas. Temos muitos problemas para serem resolvidos, principalmente na saúde”, disse.

Mais acesso ao ensino superior

Os jovens consultados pela reportagem têm um interesse em comum: incentivo, mais vagas e mais estrutura para a educação superior. Os que ainda cursam o ensino médio disseram que a preparação para os vestibulares e para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ser complementado. “Eles orientam quando vão ser as provas. A gente até tem um reforço que é bom e por isso vim estudar aqui no Centro. Mas, as escolas dos bairros não têm esse nível”, disse Elizandra Freitas.

“Precisamos de mais bolsas ou vagas nas (universidades) públicas”, comentou Lucas Gabriel. Já Pedro Borges reclama da falta de acompanhamento social dos alunos pela escola. “Muitos jovens não têm conselhos em casa, na família e não sabem como reagir a certas situações”, avalia Pedro. “E, se não tiverem orientação na escola, acabam sendo influenciados negativamente e isso acaba sendo ruim para eles no futuro”, disse.