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Ação de ‘justiceiros do mal’ preocupa especialistas do AM

Devido a demora das autoridades em elucidar crimes, uma espécie de ‘justiceiros’ vêm punindo bandidos com as próprias mãos, até mesmo com a morte. Especialistas estão inquietos com a prática que vem crescendo no Estado

O assassinato do delegado Oscar Cardoso, que mobilizou toda a categoria e provocou ‘onda de vingança’, trouxe novamente à tona a discussão sobre o problema

O assassinato do delegado Oscar Cardoso, que mobilizou toda a categoria e provocou ‘onda de vingança’, trouxe novamente à tona a discussão sobre o problema (Bruno Kelly)

A insatisfação da população com a demora das autoridades em elucidar crimes tem contribuído para que a prática de “fazer justiça com as próprias mãos” deixe de ser coisa rara em Manaus. Mas será esse o caminho certo para resolver os problemas?

A pergunta divide opiniões, especialmente após a execução do delegado de Polícia Civil Oscar Cardoso, no domingo retrasado, 9 - assassinado com mais de 20 tiros - ter provocado uma “onda” de reações de colegas de profissão dele, que prometeram se vingar dos assassinos do delegado.

Mas a “sede de vingança” não ocorre somente entre policiais. Casos de taxistas que mataram suspeitos de ter assassinado colegas de profissão, situações em que adolescentes, adultos e idosos foram agredidos e até linchados após cometerem crimes foram noticiados ao longo de 2013 e também neste ano.

Para o sociólogo da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Davyd Spencer Ribeiro de Souza, 33, um dos aspectos que chama a atenção é o acúmulo de violência nas relações interpessoais. “A violência tem se tornado uma prática comum nas relações entre as pessoas, que vão perdendo a capacidade do diálogo e conhecimento mútuo. Acaba se tornando uma disputa de poder e a prática comum de violência é extremamente preocupante”, alertou o sociólogo, que coordena um projeto de pesquisa que estuda os padrões de violência e criminalidade de algumas cidades da Região Metropolitana de Manaus - Iranduba, Itacoatiara, Presidente Figueiredo e Manacapuru, além da capital.

No dia 16 de fevereiro, no município do Careiro Castanho (a 89 quilômetros de Manaus) Anderson Lopes da Cruz, o “Parazinho”, 23, matou Eliomar de Souza Vilar, 19, o “Buiú”, com um tiro durante uma festa. Horas depois ele foi assassinado por familiares da vítima a facadas e pauladas. Na época, a Polícia Civil do município informou que o crime foi motivado por vingança entre traficantes.

Outro caso aconteceu na rua Aracu, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus. O pedreiro Luciano Conceição da Silva, 20, foi preso no dia 6 de março após 22 meses foragido. Ele é suspeito de ter matado o padrasto Antônio Leberato Alves com uma facada no pescoço na própria casa. Em depoimento à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) ele disse que estava cansado de ver a mãe apanhar do companheiro e decidiu agir.

O Secretário de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP), Paulo Roberto Vital, desaconselha a população a “fazer justiça com as próprias mãos” e orienta as vítimas que procurem os órgãos competentes para que as providências sejam tomadas. “Chamem os órgãos policiais para que sejam adotadas as medidas dentro da lei”.

Matou PM e foi executado com 100 tiros

Um dos casos memoráveis de vingança, que causou repercussão no Estado, aconteceu há sete anos, no bairro São José, Zona Leste de Manaus.

Twnay Pereira de Oliveira, 25, assassinou a mãe, o sobrinho, o cunhado e feriu as duas irmãs e mais duas pessoas utilizando um revólver calibre 38 e uma pistola.

Após o ataque aos próprios familiares, ele deixou uma carta explicando que o que o motivou a cometer os crimes foi o fato de ele não gostar do próprio nome, culpando sua mãe. Uma das vítimas de Twnay foi o cunhado, que era policial militar. Após o crime, uma perseguição policial ganhou as ruas da cidade, em busca do suspeito.

Horas depois dos homicídios, numa troca de tiros com a polícia na estrada do Aleixo, bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, ele levou dois tiros e morreu.

Colegas de farda do soldado da PM morto, ao saberem da morte de Twnay, foram ao local do crime e o alvejaram com aproximadamente 100 tiros, numa ação de retaliação.