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Brasileiro negligencia forma mais eficaz de prevenção à Aids e DSTs

Estatísticas e pesquisas de comportamento indicam que uso da camisinha como forma de prevenção está em baixa. Urologista ressalta possíveis motivos para a banalização

Anoar Samad diz que a camisinha é o mais seguro método contra DSTs/AIDS

Anoar Samad diz que a camisinha é o mais seguro método contra DSTs/AIDS (Arquivo/AC)

O uso da camisinha não é um assunto novo, mas pesquisas recentes mostram que, mesmo com todas as campanhas de orientações dos governos, centenas de jovens e adultos têm negligenciado o preservativo, que ainda é o único meio eficaz de proteção contra as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), dentre elas a Aids.

Na semana passada, o 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, elaborado pela Universidade Federal de São Paulo, que analisou o comportamento de 1.742 pessoas com idades entre 14 e 25 anos de todo o País, apontou que quase 40% das mulheres entre 14 e 25 anos de idade não usam ou quase nunca usam camisinha em suas relações sexuais. Entre os homens da mesma faixa etária, um em cada três declarou não usar o preservativo ou usá-lo poucas vezes.

Em Manaus, o cenário não é diferente, segundo afirmou a coordenadora do Núcleo de Controle de DST/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Adriana de Souza. Ela destacou que em 2013, Manaus registrou 967 notificações de HIV, 271 a mais que em 2012.

Com os registros feitos em 2013, Adriana destaca que o número total de notificações da doença na capital chegou a 8.402 desde 1986, quando houve a primeira notificação.

Chama a atenção o aumento do número de notificações entre adolescentes e jovens de 15 a 19 anos. “Houve um crescimento de 40% no número de notificações entre jovens dessa faixa etária, o que comprova que os jovens não estão usando o preservativo”, disse Adriana.

A coordenadora informou que o poder municipal deve intensificar as campanhas de prevenção junto às escolas, dentro do Programa Saúde na Escola. É importante ainda fazer o teste rápido do HIV, Sífilis e Hepatite, oferecido hoje em 41 unidades da rede municipal.

Banalização da doença

Para o urologista Anoar Samad, membro-fundador da Sociedade Brasileira de Urologia no Amazonas, muitas pessoas, principalmente os mais jovens, estão banalizando o uso de preservativos por conta do tratamento oferecido na rede pública.

Além do risco de uma gravidez indesejada e a Aids, o médico lista algumas das DSTs mais comuns àqueles que praticam sexo sem proteção: herpes, sífilis, HPV, gonorréia, hepatite B e clamídia.

Anoar Samad explica que algumas apresentam sintomas de imediato, como feridas, bolhas, corrimentos e verrugas, mas outras só se manifestam meses ou anos depois do contato sexual sem preservativo, como é o caso da Aids, causada pelo vírus HIV.

No geral, algumas doenças, se não tratadas, podem ter como consequência o câncer, infertilidade e morte. “É importante destacar que qualquer prática sexual sem proteção oferece risco de contaminação de DSTs e basta que isso ocorra uma única vez. O uso do preservativo durante a relação sexual é a melhor e mais segura forma de impedir o contato com o sangue, o esperma e a secreção vaginal”, disse Anoar Samad.