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Brasileiros e descendentes de palestinos no Amazonas pedem o fim do confronto em Gaza

Integrantes da comunidade árabe no Amazonas tiveram apoio dos brasileiros em uma passeata realizada nesta sexta-feira (01), no Centro de Manaus, para pedir o fim dos conflitos na Faixa de Gaza, agravados no mês passado

Mulheres vestindo roupas tradicionais da Palestina participaram da manifestação com faixas de apoio e pedindo a Paz no Oriente Médio; judeus e amazonenses também apoiaram os manifestantes

Mulheres vestindo roupas tradicionais da Palestina participaram da manifestação com faixas de apoio e pedindo a Paz no Oriente Médio; judeus e amazonenses também apoiaram os manifestantes (Lucas Silva)

Mais de 300 pessoas, entre brasileiros e membros de comunidades árabes, participaram de uma passeata, nesta sexta-feira (01), no Centro, pedindo o fim do conflito entre Israel e Palestina que registra milhares de mortos, além de feridos e desabrigados. O protesto foi realizado por membros de comunidades árabes palestina, síria, libanesa e judaica, que moram em Manaus. Eles participaram juntos do ato para mostrar à sociedade amazonense e ao mundo que é possível os povos dos dois lados, que vivem uma guerra interminável, conviverem em harmonia e em paz no Oriente Médio.

O ato segue uma série de manifestações que acontecem em todo o mundo contra os bombardeios realizados pelo Estado de Israel contra Gaza desde o começo do mês passado. As manifestações cobram que os chefes de estado do mundo inteiro interfiram no conflito e consigam de Israel o cessar fogo imediato.

De acordo com o comerciante de descendência árabe Aly Bawab, Israel está cometendo um verdadeiro genocídio, assassinato deliberado de pessoas por diferenças étnicas, raciais e religiosas, contra a Palestina. Ele nutre o sonho de voltar com a família para a Palestina, mas mantém a família no Brasil devido ao conflito. “Israel está fazendo com os palestinos o mesmo que sofreu da Alemanha quando os judeus foram perseguidos e mortos, e encontraram nos países árabes um lar. Eles matam hoje o povo que os acolheu no passado para defender uma falsa soberania e isso não tem justificativa. Muitos inocentes foram mortos e outros terão o mesmo fim se o mundo não fizer nada. Temos 26 mortos do lado de Israel contra mais de 2 mil da Palestina”, disse.

Os manifestantes se concentraram na praça do Congresso e seguiram pelas avenidas Eduardo Ribeiro e Sete de Setembro até a praça da Heliodoro Balbi (praça da Polícia). Com faixas e cartazes eles mostram imagens de vítimas recentes das investidas de Israel, além de cenas de destruição. O intuito foi despertar um senso crítico e sensibilizar a população para o que está sendo mostrado no noticiário internacional.

Além dos membros de comunidades árabes, muitos amazonenses sem descendência estrangeira participaram em apoio à causa. “Não importa se estamos aqui ou em outro lugar do mundo, nós temos que nos posicionar contra a morte de inocentes e de guerras que nunca levarão a nada”, disse a vendedora Patrícia Guedes, 28.

Para Tereza Alakra, o mundo não pode assistir de braços cruzados ao massacre que está sendo cometido por Israel e esperar pela “iniciativa sem sucesso da Organização das Nações Unidas (ONU)” de conseguir paz. “Precisamos de paz. Temos milhares de mortos e um número que só aumenta a cada dia. Isso não pode continuar”, disse.

Número de mortes nos dois lados é desigual

De um lado Israel defende que o Hamas, grupo que o Estado afirma ser terrorista, é o responsável pelo sequestro e assassinato dos três adolescentes israelenses no dia 12 de junho deste ano e está escondendo armas e militantes em Gaza, sendo necessário atacá-la. Do outro, a Palestina defende que o controle israelense sobre a Faixa de Gaza é categoricamente abusivo e que a situação humanitária é insustentável.

Dados, divulgados ontem pelo governo palestino, apontam que 1.330 palestinos foram mortos, sendo 40% crianças, e que o número de feridos ultrapassa 7 mil. O conflito se intensificou nos últimos 25 dias, quando Israel disparou mísseis contra o território palestino e promoveu uma invasão por terra.

A palestina Kefah Al-Manasra, 37, está em Manaus há poucos meses e se emociona ao falar do conflito mantido por Israel. “Só peço que essa guerra inútil acabe e que o povo de Israel se una com os palestinos. Israel quer mais território para quê? A Palestina é um território nosso por direito. Que Israel tenha consciência e se entregue à paz. Todos somos árabes, mas se Israel continuar com isso, o mundo precisará se unir para mostrar para Israel que a guerra não é o caminho”, disse.

Haya Omar, 34, está há 16 anos em Manaus e diz que chora todo vez que assiste pela televisão o que classificou como crime contra inocentes. “Nosso povo está sofrendo imensamente e sendo morto por uma coisa que não tem culpa. Crianças, mulheres e idosos são os que mais sofrem com essa guerra”.