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Consumidor amazonense tem preferência por peixe de rio ao de cativeiro

Os amantes de peixes das cidade apontam diferença de gosto entre o peixe de rio e o de cativeiro. Ciência ainda não investigou se um dos dois é mais saudável

Tem quem aposte numa dieta baseada no consumo de peixes como opção para uma vida mais saudável. Há também um receio se o valor nutricional do peixe de viveiro pode ter sofrido alterações

Tem quem aposte numa dieta baseada no consumo de peixes como opção para uma vida mais saudável. Há também um receio se o valor nutricional do peixe de viveiro pode ter sofrido alterações (Clóvis Miranda)

Existe uma série de alimentos que os amazonenses tem o hábito de valorizar, mas, sem dúvida, o peixe deve ser o principal deles. Mesmo que não seja diariamente, grande parcela da população costuma levar à mesa o tambaqui, a matrinxã, a sardinha ou o pacu, por exemplo. Nas feiras e mercados da capital há a oferta de peixes capturados diretamente nos rios e os que são criados em viveiros. Mas apesar dos peixes conterem muitos nutrientes, como proteínas, ainda há receio em relação ao consumo de dos criados em reservatórios de água. Não somente pelo gosto, alguns consumidores desconfiam da qualidade dos peixes de viveiro. Há também um receio se o valor nutricional pode ter sofrido alterações.

Tem quem aposte numa dieta baseada no consumo de peixes como opção para uma vida mais saudável. Basta uma pequena porção de peixe no prato para fornecer uma quantidade necessária de alguns nutrientes importantes.

“O peixe é constituído de nutrientes como proteínas, gordura e carboidratos. E tem suas classificações: peixe magro, semi-gordo e gordo. Todos esses elementos numa composição centesimal (referente a proporção) tem que somar 100% de nutrientes. O que vai variar é a gordura”, explica o tecnólogo do Pescado e doutor em Biologia de Água Doce, Nilson Luiz Carvalho.

A Crítica ouviu alguns consumidores e a atração da maioria foi pelos peixes que vivem livremente nos rios de nossa região. Muitos têm receio dos peixes de viveiros porque desconfiam da alimentação à base de ração para engorda e crescimento do animal. “Sempre escolho peixe de rio porque a gente sabe que ele veio ‘natural’ para ser consumido”, disse a dona de casa Eliane Teixeira, 42.

“A gente nunca sabe como se deu alimentação e a criação de um peixe de viveiro. Por isso, não sabemos se é tão saudável”, também falou o aposentado Josué Almeida, 64.

O pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) afirma que, em relação à pesquisa, não se tem como dizer ainda que peixe de cativeiro é menos saudável que o de rio. “Tendo qualidade, o peixe faz a função dele que é nutrir. Em outras localidades do mundo, o que ocorre são adições de hormônio para que os peixes cresçam mais rápido. Mas ainda não houve um levantamento de análise que expusesse como um problema aqui no Amazonas”, explicou.

Segundo Carvalho, a ração usada para alimentar peixes de cativeiro possui níveis de proteínas para o crescimento. “De um determinado ponto da vida dele, ele recebe certa quantidade de proteínas e conforme ele vai crescendo, vai recebendo uma ração com diminuição do nível de proteínas, mas todos os outros nutrientes continuam (carboidratos, gordura)”, completa o doutor em Biologia de Água Doce e Tecnólogo do Pescado, do Inpa.

Diferencial está no gosto da gordura

“No caso dos peixes que são criados em viveiro e os que vivem livres nos rios, na verdade, o que diferencia mais é o gosto da gordura”, ressalta o pesquisador do Inpa, Nilson Luiz Carvalho.

“Como o peixe de viveiro está confinado e a comida é jogada ali, ele não precisa correr atrás da alimentação. O que acontece: assim como o ser humano, se ele vai engordando e não faz exercício, vai acumulando gordura na cavidade. E essa gordura pode transpassar também o músculo do peixe”, detalha.

Sobre os peixes que vivem livremente nos rios, o pesquisador explica que a alimentação deles se dá pelo período da cheia e da vazante. “Na cheia, ele tem comida à vontade, come muito e esse alimento vai para aquela gordura abdominal que, na época que não tem, ele consome. O que eu entendo é que o sabor dele é diferenciado exatamente na gordura porque é feita por elementos químicos que dão o sabor”, esclarece.

São três tipos de sistema de criação de peixes, acrescenta Carvalho. O extensivo que consiste em ambientes amplos; o semi-intensivo, em viveiros de barragem; e o intensivo, em viveiro escavado.

Modo de preparo faz a diferença

Nilson Luiz ainda complementa que o peixe tem uma gordura ‘light’ (gordura insaturada) e que a ‘digestão’ delas também diferencia.

“Uma é mais fácil de ser digerida. Existe a insaturada, que é o caso do peixe, e se tem uma facilidade maior de digestão dessa gordura. Mesmo que o peixe seja um peixe gordo, que você faça um prato com ele assado na brasa, no forno ou cozido, por exemplo, que desmancha, essa quantidade de gordura diminui”, explica o pesquisador.

Mas se o peixe for frito, o efeito é inverso. “Nesse caso você vai acrescentar uma quantidade de gordura na dieta”. Ele confirma que, independentemente de ser peixe de rio ou de cativeiro, essa gordura diminui quando o modo de preparo não acrescenta ingredientes que não o deixam mais saudável.

“Cozido ou assado, você terá uma quantidade de gordura bem menor. Porque ele extrai pelo calor. Você fritando, que é mais gostoso (brinca o pesquisador), fica uma quantidade de gordura 30% acima do que ela tem, porque segura a gordura”, finaliza.

No caso das sardinhas frescas, são consumidas em geral pelos amazonenses, fritas.