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Detentos são mantidos em escola depois de rebelião em Parintins

Após rebelião que terminou com dois internos mortos, um deles decapitado, e o presídio incendiado, 123 presos foram encaminhados para salas de aula

Presos queimaram colchões e mataram um detento decapitado

No dia da rebelião, policial carrega saco onde estava a cabeça de um detento (Jonas Santos)

Os amotinados da rebelião em Parintins estão presos na escola estadual senador João Bosco, localizada na avenida Nações Unidas, no Centro, ao lado do presídio que foi incendiado e parcialmente destruído pelos internos. A unidade, com capacidade para 36 presos, abrigava 138.

São 123 presos que estão recolhidos em três salas de aula, até que a Secretaria de Segurança Pública recupere o pavilhão do setor administrativo e as grades quebradas, por eles, durante a manifestação. A rebelião durou oito horas e terminou com um saldo de duas mortes brutais.

“Iremos ficar com a tropa até que a situação fique completamente normalizada”, afirmou o major Franciney Bó, que comanda a operação. Os policiais do Batalhão de Choque da PM, de Manaus, chegaram a Parintins na segunda-feira, por volta das 21h, quando os policiais locais já haviam negociado a rendição dos líderes do motim. “Estamos agora fazendo a limpeza da cadeia e, somente após a recuperação das celas e do pavilhão, os presos serão reconduzidos à unidade prisional”, afirmou Bó.

Nos protestos recentes não foram registrados óbitos, bem diferente da rebelião de segunda, em que os detentos Admil Silva, 59, preso por tráfico de drogas, e Paulo Elizer, acusado de crime de estupro, foram assassinados. O primeiro teve a cabeça e mão decapitadas e o corpo jogado na fogueira do incêndio dentro da unidade. O segundo foi morto com sinais de afundamento no crânio, segundo relatório final da PM.

Dois detentos passaram mal e foram internados no hospital Padre Colombo, dentre os quais o vereador João Bacú, que está detido no presídio, condenado por crime de estupro. A PM identificou que os internos conhecidos por “Cícero”, “Fion” e “China” foram quem comandaram o motim. Esses dois últimos é que teriam decapitado Admil e lançado a cabeça dele e a mão para fora do presídio. Eles e mais três encarcerados estão separados dos demais e foram recolhidos às celas da Delegacia de Polícia.

O comandante do Batalhão da PM do município, tenente coronel Valadares Junior, informou que o Ministério Público Estadual e a direção da unidade prisional solicitaram ao juiz André Campos, da Comarca de Parintins, a transferência dos presos que comandaram a rebelião. “Houve o pedido de transferência e estamos aguardando a decisão do juiz”, afirmou o comandante.