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‘Quem pela primeira vez fez ação conjunta fui eu’, diz Eduardo Braga em entrevista

Candidato do PMDB ao Governo aponta problemas na administração atual, do seu ex-aliado José Melo, e afirma que, em sua gestão no Estado, parceria com a prefeitura de Manaus só não sai se prefeito não quiser

Senador Eduardo Braga (PMDB)

Senador Eduardo Braga (PMDB) (Antônio Menezes)

Dono de dois mandatos no Governo do Estado, o senador Eduardo Braga (PMDB) quer voltar a sentar na cadeira que deixou há quatro anos nas mãos dos agora adversários na disputa – José Melo (Pros) e Omar Aziz (PSD).

Líder das pesquisas de intenção de votos, o candidato critica a atual administração estadual, afirma que não guarda mágoa do rompimento dos seus sucessores, mas dispara críticas à atual gestão estadual. Eduardo Braga defende a volta de programas criados na gestão dele e apresenta propostas. Confira a seguir trechos da entrevista.

O senhor ainda tem quatro anos de mandato como senador. Em uma eventual vitória sua, o Amazonas vai ficar sem representante do Estado no Senado?

Não. Minha esposa (Sandra Braga) é minha suplente. Ela é super identificada com meu projeto político, com o projeto do Amazonas. É uma pessoa que conhece profundamente os problemas e os programas do Estado. Meu braço direito a vida inteira, sempre foi parceira. É maldade quererem subestimar o valor da Sandra como militante política.

O prefeito Artur Neto sugere que, se o senhor ganhar, Prefeitura de Manaus e Governo do Estado não irão se entender. É possível?

Quem pela primeira vez fez ação conjunta entre governo e prefeitura no Amazonas fui eu e o Amazonino, quando eu era prefeito e ele governador. Depois, quando fui governador, ofereci a parceria a todos os prefeitos com quem convivi. Alguns não quiseram, outros sim. O meu compromisso é com o trabalho.

Qual será a tônica desse mandato?

Trabalho.

Grandes obras?

Não só grandes obras. O meu governo não foi marcado só por grandes obras, foi marcado por importantes projetos sociais. Fizemos uma revolução na educação com o Reescrevendo o Futuro, com o mediado tecnológico, biblioteca e laboratórios de informática em todas as escolas, Jovem Cidadão, o Bolsa Floresta, Amigos da Saúde, Doutores da Alegria, assistentes e psicólogos nas delegacias. Tudo isso são programas sociais intensos.

Os produtores rurais reclamam das condições das estradas vicinais. O governo faz reparos, mas que não duram. Por que isso não é resolvido?

Primeiro, porque nós estamos na Amazônia e o clima é adverso, temos enchentes, muita chuva e isso é um desafio. Agora, a presidenta Dilma (Rousseff-PT) fez um esforço e entregou para cada município uma retroescavadeira, uma patrol (máquina motoniveladora), caçamba e esses equipamentos visam criar uma política de manutenção das estradas vicinais. Mas, esses equipamentos estão parados no interior porque o Governo do Estado não fez nenhuma parceria com os municípios para transformar essa ação do Governo Federal em efetiva. Nós queremos asfaltar algumas estradas principais e os ramais mais produtivos, dentro do que é plausível no horizonte de quatro anos.

O senhor ainda acredita que o modelo Zona Franca Verde é uma alternativa à Zona Franca de Manaus?

Continuo acreditando. A Zona Franca de Manaus tem 47 anos. O Zona Franca Verde durou sete enquanto estive no governo, depois eles acabaram e não criaram nenhuma política para o setor primário. Em um projeto desse, o tempo de maturação não são sete anos. A primeira meta do Zona Franca Verde será realinhar o orçamento do sistema de produção. Eu, quando governador, recriei a Sepror (Secretaria de Produção Rural), implantei o Idam (Instituto de Desenvolvimento) em todo Estado . Temos como meta dos quatro anos chegar a 2%, 2,5% do orçamento para o setor primário. Hoje, se gasta 0,7% da receita do Estado.

Quanto a ganhar dinheiro com a floresta em pé, com fundos internacionais, o senhor ainda acredita?

Acredito e digo mais: se não fosse a floresta em pé, nós não teríamos prorrogado a Zona Franca de Manaus por mais 50 anos. Se não fosse assim, não teríamos feito a Zona Franca ser reconhecida como o maior projeto de compensação ambiental que o Brasil tem. Quando a União Europeia quis questionar os benefícios, a presidenta Dilma foi à Europa e disse: ‘como é que nós podemos conservar a floresta se não dermos incentivos a Zona Franca?’. Só por isso já seria importante a questão da floresta em pé.

O senhor se sente traído pelo governador José Melo e pelo ex-governador Omar Aziz? Afinal, o senhor ajudou a elegê-los enquanto o PT nacional pressionava por apoio à candidatura de Alfredo Nascimento.

Quanto ao Omar e o Melo, eu já entreguei nas mãos de Deus.

Não guarda mágoa?

Deus haverá de prover.

Essa semana, o governador fez um gesto de aproximação à presidente Dilma, ao dizer que nunca se comprometeu com a candidatura de Aécio Neves. Como o senhor vê isso?

Isso não é gesto de aproximação. É o famoso faz me rir. Ele diz isso e pega os prefeitos que persegue, influencia e trata no cabresto. Coloca numa sala e não aparece, manda seu candidato a vice para, junto com o Aécio, assinarem um termo de apoio. Esse é o jogo da malandragem. Eu defendo a Dilma porque eu acredito no projeto da Dilma. Eu não defendo a Dilma porque estou interessado em me aproveitar da imagem da Dilma no Amazonas.

E quanto ao Ronda no Bairro, que o senhor já disse ser boa ideia...?

É uma boa ideia mal gerida. Sabemos das denúncias de estupro em viaturas, da corrupção. É óbvio que não são todos, a maioria é de bons policiais. Mas, não há uma gestão eficiente. Não há disciplina e hierarquia que possa dar tranquilidade à população. E tem mais. Hoje, com o contrato com essa empresa Delta, que é uma empresa cheia de escândalos no Brasil, o que tem de carro rodando não é nem a metade do que pagamos todos os meses. Portanto, é uma boa ideia que na prática está funcionando mal. Precisamos voltar a ter uma polícia que tenha hierarquia, funcionamento claro, tropa orientada corretamente. Não dá para tenente coronel mandar em coronel. Não dá para relação familiar de tenente coronel com o governador alterar a hierarquia dentro da PM.

E o que o senhor pretende fazer para mudar?

O Ronda precisa de readequação tecnológica. Tem que haver interatividade com a comunidade. Se perderam no meio do projeto. Houve uma perda na gestão e nos princípios do projeto. A corregedoria da PM tem que funcionar. Há uma acomodação do governo. Tem secretários que vão fazer 30 anos em secretarias.

Que critérios o senhor vai adotar para a escolha dos secretários dessa gestão?

Critérios técnicos.

Sai todo mundo que está no governo?

Não que saia todo mundo. Há pessoas de valor. Agora, não dá para manter a situação como está em determinados órgãos. É preciso dar uma chacoalhada para que haja uma renovação. Dar oportunidade aos jovens talentos, que podem ter um espaço na vida pública.

Quando apresentou o seu plano de governo, o senhor disse que vai trazer à pauta a construção do monotrilho. Essa é a melhor alternativa para a mobilidade?

Vou trazer à pauta a mobilidade e também o monotrilho. Com isso, não quero dizer que o monotrilho é a única solução. Mas, aqueles que dizem que o monotrilho não é a melhor solução tem que apresentar a melhor. Ninguém apresenta nada e faz nada pela mobilidade e pelo transporte público. Eu quero ajudar a resolver esses problemas. Precisamos reduzir o tempo que as pessoas passam para se deslocar. Isso melhora a qualidade de vida e até dá mais competitividade à cidade.