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Ribeirinhos do Amazonas cobram investimentos ao serem testados para as eleições de 2014

A simulação do voto biométrico ocorreu nesta quinta-feira (24), na comunidade rural de Santo Antônio do Paracuuba, no Município de Iranduba, e eleitores aproveitaram a ação da Justiça Eleitoral para cobrar melhorias para a região

Agricultor Mateus Ferreira dos Santos pede investimentos

Agricultor Mateus Ferreira dos Santos pede investimentos (Euzivaldo Queiroz)

Os eleitores e eleitoras da comunidade rural de Santo Antônio do Paracuuba, no município de Iranduba (a 25 quilômetros de Manaus), que nesta eleição terão acesso ao que há de mais moderno em termos de urna eletrônica (votação biométrica), não dispõem sequer de um item básico para garantir a qualidade de vida: a água potável.

Ontem, a Justiça Eleitoral do Amazonas, em conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), esteve na comunidade e realizou, na escola municipal Nossa Senhora de Fátima, uma simulação do voto com 26 eleitores utilizando o sistema de identificação biométrica. Em média, cada eleitor levou cerca de 3 minutos e 35 segundos para votar.

A comunidade, onde vivem cerca de 125 famílias, enfrenta problemas na área de saúde. De acordo com a pescadora artesanal Marta Duarte Vieira, 35, quando existe uma emergência, é necessário vir a Manaus. “Quando o meu pai caiu doente, nós saímos daqui de madrugada para Manaus, para poder marcar uma consulta. Quer dizer, é um idoso, não tem mais resistência, você precisa enfrentar filas, para ver se consegue uma ficha, para chegar lá e ainda não ser atendido. Eu acho um desrespeito. A vida do meu pai não vale menos que a de alguém da capital”, desabafou.

Assim como milhares de ribeirinhos dos municípios do Amazonas, Maria Vieira sobrevive da pesca e da agricultura. Mas no período da cheia dos rios a renda oriunda do plantio de hortaliças fica completamente comprometida. “Nesse período (de cheia dos rios), onde a área que a gente planta está debaixo da água, fica muito difícil, são quase nove meses com uma renda a menos. Acaba que todo mundo sofre muito no período de alagação”, disse a pescadora. Ela é uma das eleitoras que fez o recadastramento biométrico e, no dia 5 de outubro, votará para os cargos de governador, presidente, deputado e senador.

Outra moradora da comunidade Santo Antônio, a professora Marisete Marques Salgado, 26, lembrou aos candidatos que querem comandar um orçamento de R$ 14 bilhões por ano (no governo do Estado) que a única escola da comunidade precisa de investimentos na área de informática. “Apesar de estarmos próximos a Manaus, ainda somos esquecidos. Vemos investimentos na área de informática em outras escolas municipais, e não se tem notícia dessas ferramentas para a nossa comunidade”, disse.

A professora Zeneide Mendes de Menezes, 31, afirmou que, devido à falta de água potável, as crianças da vila adquirem constantemente diarreia, hepatite e leptospirose. “Aqui precisa muito de um poço artesiano, são 125 famílias, mais de 600 pessoas que, na maioria dos casos, nasceu na comunidade, já passou da hora, na verdade. Algumas famílias têm condições de tratar a água, mas outras não”, cobrou.

Agricultor pede investimentos

Morador da comunidade rural do Santo Antônio do Paracuuba, o agricultor Mateus Ferreira dos Santos, 34, deseja que os governantes que serão eleitos olhem mais pelos pequenos agricultores. “Muita gente acha que foi bem assistido nesse governo, eu acho que não. Eles se confiam na Bolsa Família, e assim continuam no mesmo lugar que sempre estiveram. Eu desejo que o próximo governo me dê a oportunidade de um financiamento para que eu possa investir em agricultura”, reivindicou Mateus.

O trabalhador lembrou que a agricultura ainda é a principal fonte de renda de todas as famílias da comunidade, mas que na cheia dos rios todos têm dificuldade em se manter. “Se eu não tivesse o meu salário de caseiro, ficaria complicado neste período (de cheia). Aí, eu teria que ir para Manaus atrás de emprego. Aqui tem vezes que a verdura dá dinheiro, e tem vezes que não dá. Então, quem não tem de outro lugar para tirar, além da agricultura, sofre muito”, admitiu. “A gente sempre vota na esperança de melhorias, claro. Mas se não fosse obrigado eu não votaria”, completou.