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Policiais ignoraram ameaça pelo celular 18 horas antes da morte do delegado Oscar Cardoso

PMs receberam ligação informando que estavam na lista de execuções, mas só acreditaram quando receberam a notícia da morte do delegado

O delegado foi preso no ano passado após se envolver em um esquema de extorsão e tráfico de drogas

Delegado Oscar Cardoso trocou de número de celular em outubro de 2013, por isso não deu para os policiais avisá-lo (Antônio Menezes)

Policiais militares que trabalhavam na Força Tarefa com o delegado Oscar Cardoso, 61, foram avisados, 18 horas antes, que eles e o delegado estavam marcados para morrer, mas só acreditaram assim que ficaram sabendo que Cardoso havia sido executado com mais de 20 tiros.

Desde o dia do crime, os PMs e suas famílias estão protegidos pela Polícia Militar e temem serem mortos pela mesma organização criminosa que matou Oscar Cardoso.

O sargento Einar Magalhães Ribeiro, o cabo José Samuel Spener, e os soldados Willame de Souza Castro, Donato da Silva Paes e Ronaldo Machado Bacuri receberam a informação por volta das 20h de sábado (8 de fevereiro), via telefone, que seus nomes estavam numa lista, encabeçada pelo delegado, para serem mortos. A ligação foi para o celular de um deles, que no mesmo momento informou aos demais integrantes.

Os policiais só não conseguiram avisar o delegado porque, segundo eles, ele tinha mudado o número de seu celular desde que foi preso em outubro do ano passado, acusado do crime de extorsão. Por volta das 16h de domingo, o delegado foi executado com mais de 20 tiros na esquina das ruas Negreiros Ferreira e Carvalho Paes de Andrade, no bairro São Francisco, Zona Sul.

Segundo Júlio César Correa, advogado dos militares, o informante teria dito que tomou conhecimento da ameaça e que teriam partido do traficante João Pinto Carioca o “João Branco”, um dos líderes da facção criminosa denominada de Família do Norte (FDN), nas dependências da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai). A motivação do crime seria vingança pelo estupro da mulher de João Branco, identificada como “Sheila”, e pelas extorsões praticadas pelos policiais que o grupo do traficante vinha sofrendo.

Os militares inicialmente não levaram a sério, pois não tinham nenhum envolvimento com o estupro de Sheila e muito menos com casos de extorsões, já que havia uma investigação apontando outros nomes de PMs da ativa e ex-PMs, alguns que foram até reconhecidos pela vítima.

Ainda segundo o advogado, só depois que foram informados que o delegado tinha sido morto é que telefonaram para ele e pediram segurança para eles e suas famílias. “Eles procuraram proteção porque não tinham mais dúvidas de que seriam os próximos alvos”, disse Correa. Até ontem os militares estavam sob proteção da Polícia Militar. Os policiais afirmam que são inocentes, assim como o delegado Oscar, dos crimes de extorsão e também do estupro de Sheila.

PMs estavam de serviço

As investigações feitas por uma força tarefa formada por delegados e promotores apontam o traficante João Pinto Carioca, o “João Branco”, como o autor do crime, motivado por vingança pelo estupro sofrido pela mulher do traficante, identificada como “Sheila”, e também porque os policiais estariam extorquindo os traficantes e vendendo as drogas deles para traficantes de um grupo rival.

O advogado Júlio César disse que tenta entender como e por que João Branco relacionou os nomes de seus clientes com o estupro da mulher dele, já que ela teria reconhecido outras pessoas, e se a polícia sabia quem são, por que não os prendeu. Os militares informaram que, no dia do sequestro de Sheila, a maioria estava de serviço e alguns participaram da operação que pagou o resgate da mulher do traficante. Porém, os criminosos que receberam o dinheiro foram identificados e não foram presos.