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‘Ergonomia no trabalho ainda com muitas falhas’, afirma médico do Trabalho em entrevista

Médico do Trabalho Hudson Araújo diz que a ergonomia aplicada ao mundo do trabalho avançou nos último 15 anos, mas ainda deixa a desejar. Nesta quinta-feira (27), ele esteve em Manaus, onde ministrou palestra

Hudson Araújo esteve em Manaus nesta quinta-feira (27), onde ministrou palestra

Hudson Araújo esteve em Manaus nesta quinta-feira (27), onde ministrou palestra (Márcio Silva)

De acordo com a Previdência Social, apenas este ano, 1.065 trabalhadores no Amazonas estão em processo de reabilitação profissional, após serem afastados por aquisição de doenças ocupacionais.

Entre as principais causas do afastamento estão as doenças do sistema músculo-esquelético e tendinite.

Para o médico do Trabalho, Hudson de Araújo Couto, especialista em Medicina do Trabalho, a prevenção das doenças ocupacionais está diretamente relacionada a boas práticas de ergonomia no ambiente de trabalho.

Em visita a Manaus, nesta quinta-feira (27), onde ministrou palestra na Escola dos Juízes do Trabalho, ele falou com exclusividade ao A CRÍTICA sobre a importância da adaptação entre o trabalho e o homem.

Qual o conceito de ergonomia e qual a importância de sua aplicação no ambiente de trabalho?

Em poucas palavras, ergonomia é uma ciência de adaptação do trabalho às pessoas visando boa produtividade com conforto e segurança. A importância é mostrar que é preciso entender o ser humano em suas capacidades e limitações e a partir daí mudar as condições de trabalho e não o contrário.

A aplicação da ergonomia nos locais de trabalho é recente? Quais são as falhas encontradas?

Sua presença nas empresas cresceu nos últimos 15 anos, mas as falhas ainda existem, sobretudo as relacionadas a fatores da organização do trabalho como horas extras, trabalhos aos fins de semana e feriado, turnos muito corridas e falta de mão de obra, sobrecarregando os trabalhadores presentes.

A que lesões as falhas ergonômicas podem levar?

As principais são os transtornos de ombro, como a bursite, de punho como a tendinite, as dores difusas que não aparecem como lesão, mas são causadas por estresse e fadiga e os problemas de coluna, sobretudo na lombar.

Em que tipos de trabalho são encontradas as principais lesões?

Sobretudo em carregadores braçais que sustentam sacas de até 30 quilos com produtos variado, mas operários de linhas de produção e funcionários de escritórios em geral também sofrem bastante.

Que alternativas as empresas podem adotar?

A empresa pode encarar a ergonomia como prioridade e procurar soluções que podem ser de engenharia – aumentar tamanhos de bancada, substituir máquinas pesadas pelas que exigem menos força- ou de gestão, que são definir menor tempo de trabalho, mais intervalos, evitar sobrecargas de função e horas-extras.

E o que o trabalhador pode fazer para evitar lesões ocupacionais?

Usar as posturas corretas de corpo. Quem trabalha com computador tem que se sentar direito. Não dá para ficar com o telefone pendurado no pescoço, nem sentado longe do encosto da cadeira. O trabalhador também pode listar quais são os problemas ergonômicos de seu posto e comunicar o serviço médico da empresa.

Hoje como está configurada a cobrança por melhor aplicação da ergonomia nas empresas?

O conceito é de 1950, mas hoje a pressão de órgãos fiscalizadores melhorou significativamente. A fiscalização, que era feita apenas pelo Ministério do Trabalho passou a ser responsabilidade do Ministério Público. Então, a punição passou de multa até geração de um processo contra o dirigente que estaria lesionando as pessoas pela ausência de cuidados ergonômicos.