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Especialistas debatem sobre o futuro das universidades no 3° Encontro de Reitores no RJ

Com o tema: A Universidade do Terceiro Milênio, uma reflexão a partir da Ibero-América, especialistas destacaram no evento a importância do compromisso social e o foco na internacionalização

O evento, que está sendo realizado no Rio de Janeiro e se encerra hoje, reúne mais de mil reitores de universidades ibero-americanas e também da Europa

O evento, que está sendo realizado no Rio de Janeiro e se encerra hoje, reúne mais de mil reitores de universidades ibero-americanas e também da Europa (Gerson Severo)

As universidades deste milênio precisarão aprofundar seus compromissos sociais e, ao mesmo tempo, acelerar processos de internacionalização de alunos e professores. Esse foi o principal recado das plenárias de abertura do 3° Encontro de Reitores da rede Universia, que acontece no Rio de Janeiro até hoje, e discute o tema: A Universidade do Terceiro Milênio, uma reflexão a partir da Ibero-América.

Mais de mil reitores de universidades iberoamericanas participam do evento. Na conferência de abertura, ontem de manhã, o reitor da universidade autônoma do México, Joaquim Narro, lembrou o potencial da comunidade ibero-americana, com seus mais de 600 milhões de falantes de português e espanhol, destacou também o peso crescente da América Latina no mundo global, com 9% de participação na economia mundial e um contingente de 106 milhões de jovens aptos a ingressar na educação superior. “Esses números, contudo, nos enganam, pois somos a região mais desigual do mundo e as universidades têm papel fundamental na solução desta desigualdade”, disse Narro.

Reitor da universidade de Heidelberger (Alemanha), Bernhard Eitel disse que os modelos europeus de universidades têm muito a contribuir com o modelo ibero-americano porque, ao lado da igreja, tem atravessado muitos séculos formando jovens e solucionando problema da sociedade em que estão inseridos. Para ele, o modelo europeu baseou-se em três pilares principais: promoção do conhecimento, internacionalização e comunidades livres para pesquisar e ensinar. “Hoje passamos por um novo momento, em que a internacionalização se transformou na internacionalidade”, afirmou. “Essa internacionalidade é nossa capacidade de formar alunos, jovens, com um potencial transcultural muito grande, será um jovem academicamente cosmopolita”, explicou, acrescentando que essa internacionalidade é um caminho sem volta para as universidades de todos os cantos do mundo

Lições

Para o reitor da Universidade de Oxford (Inglaterra) Andrew Hamilton, a centenária instituição inglesa tem logrado êxito na superação dos desafios, abraçando as mudanças, mas mantendo-se fiel aos princípios fundamentais do ensino superior. “O problema agora é que o ritmo das mudanças é alucinante neste século”, ponderou.

Para superar esse ritmo, Hamilton defende as parcerias sistemáticas com outras universidades e citou como exemplo as pesquisas de Medicina Tropical feitas em Oxford. “Temos parcerias fortes com universidades da Ásia e da África, onde doenças como malária são um grave problema, e lá nossos pesquisadores trabalham em forte contribuição com pesquisadores universitários e médicos, trazendo soluções que depois viraram políticas públicas de combate a doenças tropicais, que matam milhares a cada ano“, disse.

Debate sobre universidade e sociedade

Uma das plenárias mais concorridas do dia foi “Universidade e o Entorno Social”, onde os reitores foram convidados a refletir sobre a pergunta: “Como podemos contribuir para o desenvolvimento de nossas sociedades?”

O reitor da Universidade de Monterrey (México), David Noel Ramírez, defendeu que as universidades deste milênio devem foram profissionais com três características marcantres: Forte formação ética, senso de cidadania e conscientes de que têm uma hipoteca a pagar para a sociedade. “Não podemos ensinar apenas ética profissional, temos de ensinar ética pessoal; fazer o jovem entender que ser honesto é rentável”, afirmou. “Esse jovem também precisa de um senso de cidadania plena, não só essa que se expressão no voto, mas sim envolvendo-se com a comunidade, discutindo os problemas dela e cobrando soluções do poder público. Por fim, ele tem de saber que tudo que ele tem deve à sociedade, pois conhecimento é servir, não é acumular riquezas para si, portanto ele tem de pagar essa hipoteca social de alguma forma, prestando serviços ao público”, explicou.

A reitora da Universidade Federal do Mato Grosso, Maria Lúcia Cavali, defendeu que a comunidade tem de estar em tudo o que a universidade fizer, não apenas na dimensão da Extensão universitária. A universidade para ela tem cinco missões para com o povo e o desenvolvimento regional: Compromisso social com ensino e pesquisa; Interação constante para dialogar e responder as demandas da população; Democratização, abrindo cada vez mais vagas para os jovens nos cursos superiores; Inclusão de segmentos sociais tradicionalmente excluídos; e por último Formação, essa com duas características: quantitativa (crescendo o número de alunos) e qualitativa, expressa na qualidade das soluções que propõe para os problemas.

*Repórter viajou a convite do banco Santander