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Fórum reúne pessoas de diferentes organizações para discutir o racismo no Brasil

O 3º Encontro de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas ocorrerá nos auditórios Rio Negro e Rio Solimões, do ICHL, da Universidade Federal do AM de quarta a sexta

Edição de 2012 do Encontro de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas, também realizada no ICHL, da Ufam, discutiu os impactos e desafios do Ecofeminismo

Edição de 2012 do Encontro de Mulheres Afroameríndias e Caribenhas, também realizada no ICHL, da Ufam, discutiu os impactos e desafios do Ecofeminismo (Euzivaldo Queiroz)

O silêncio terminou! É com essa perspectiva que a pesquisadora e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) Patrícia de Melo Sampaio encerra o texto “Por uma história da escravidão africana e da presença negra na Amazônia, escrito em 2011, ao apresentar o livro “O Fim do silêncio – presença negra na Amazônia”, do qual é a organizadora.

A publicação é parte de um enorme esforço regional assumido por cientistas e organizações do movimento social (feministas e negro) para retirar da invisibilidade as histórias e as trajetórias das populações negra e indígenas na Região Amazônica. A partir do dia 23, até o dia 25, um outro capítulo dessa luta começará a ser inscrito: o racismo institucional é o tema do 3º Encontro de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas.

Mulheres e homens, vindos de várias cidades e de diferentes organizações populares, e da Venezuela estarão reunidos nos auditórios Rio Solimões e Rio Negro, no Instituto de ciências Humanas e Letras (ICHL-Ufam) para discutir as formas institucionais de racismo vigentes no Brasil e principalmente na Amazônia. A proposta é fazer um grande mosaico dessas manifestações, pontuar as consequências da política racista vigente no País, reafirmar ações de enfrentamentos e conceber outros projetos para ajudar a romper com a invisibilidade instituída.

Organizado pelo Fórum de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas, o encontro é uma parceria do Consulado Geral da República Bolivariana da Venezuela em Manaus, desde 2012, com um leque de organizações do movimento popular e instituições amazonenses. O tema da edição deste ano foi definido no encontro de 2013 e terá três mesas redondas: a primeira enfoca a “Luta e Resistência dos Povos Originários da Pan-Amazônia e do Caribe” (no dia 24, a partir das 8h30 às 12h); a segunda, a partir das 14h, trata da questão “Mulheres, ações afirmativas e políticas de enfrentamento na Pan-Amazônia e no Caribe”; e a terceira, no dia 25, a partir das 8h30, aborda “Luta e Resistência dos Povos Afrodescendentes da Pan-Amazônia e do Caribe”. Na parte da tarde de sexta-feira será elaborado e votado o documento contendo as propostas de ação de combate ao racismo institucional.

Longa caminhada

“O racismo institucional está relacionado ao descaso do Estado na efetivação das políticas sociais que estão designadas para o povo negro”, afirma a ativista Raimunda Nonata Corrêa, secretaria estadual de combate ao racismo do Partido dos Trabalhadores no Amazonas e uma das fundadoras do Fórum de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas. Nonata cita o estatuto da igualdade racial (lei nº 12.288-2010) como exemplo de descaso dos governos no trato das demandas formuladas pelo povo negro. “Quatro anos depois de aprovado em nível federal ainda não se tem uma política de articulação nos Estados para efetivar de fato esse instrumento”, critica.

A ativista cita um outro cabo de guerra nesse campo, o do ensino da África nas escolas da Amazônia e do Amazonas particularmente, onde o tema aparece como transversal e enfrenta o “pouco interesse” do Estado na qualificação dos professores e na habilitação para executar um programa de inclusão. “Ficamos na dependência de um ou outro professor que por iniciativa pessoal decida estimular os estudantes a conhecer outras faces da história sobre os negros na Amazônia”, critica.

Nonata Corrêa chama a atenção para os processos que envolvem o povo de terreiro e a juventude negra afirmando não existir campanhas destinadas a envolver o povo brasileiro nessa frente. “É o movimento social que carrega essa tarefa quase isoladamente”, diz. Ela cita ainda as questões de intolerância religiosa e de racismo que se repetem pelo Brasil e nem sempre conseguem, via Ministério Público, uma efetiva ação de enfrentamento.

Reflexão sob o olhar feminino

A realização do 3º Encontro de Mulheres Afro-Ameríndias e Caribenhas em Manaus é visto por representantes de organizações do movimento negro como um ato singular da luta pela escrita de uma outra página da história dos povos originários e afrodescendentes. “Há necessidade da reflexão sob o olhar feminino das questões de exclusão e invisibilidade que atingem a todas as mulheres da região Pan-amazônica. A escolha do tema Racismo Institucional não poderia ser mais pertinente exatamente quando discutimos no País as formas de fazer avançar as políticas de ações afirmativas, ao mesmo tempo em que acompanhamos episódios de racismo explícitos por parte de uma elite conservadora que luta contra a democratização dos espaços de poder”, afirma Leonor Franco de Araújo, mestra em História Social das Relações Públicas, professora da Universidade Federal do Espírito Santo, militante do Movimento Negro, membro do Fórum Estadual de Mulheres Negras.