Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Polícia diz que crime organizado na capital do AM se fortalece com quatro pilares de atuação

Poder de corrupção, hierarquia, lavagem de dinheiro e execução dos inimigos garantem o crescimento de 'Família do Norte' (FDN) e 'Primeiro Comando da Capital' (PCC), segundo investigadores e delegados da polícia

Depre apreende 65Kg de maconha prensada

O comércio de maconha, cocaína e drogas sintéticas é apenas uma das faces do crime organizado (Márcio Melo)

Quatro são os pilares que mantém o crime organizado fortalecido. Quem afirma são os investigadores de polícia e delegados que lidam diariamente com o tráfico de drogas em Manaus. Esses pilares são: poder de corrupção, hierarquia, lavagem de dinheiro e execuções. As duas facções criminosas existentes no Estado, “Família do Norte” (FDN) e “Primeiro Comando da Capital” (PCC), seguem à risca o esquema.

Investigadores da Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre), afirmam que a FDN, ainda em expansão, comanda 90% de todo o tráfico do Estado, restando 10% para o PCC.

Em comum, as duas facções têm “estatuto”, cada um com o seu, prevendo a existência de conselheiros (alguns presos, outros em liberdade ou foragidos) que decidem sobre os negócios do tráfico, lavagem de dinheiro, compra e venda da droga e até quem deve morrer, geralmente de forma violenta para servir de exemplo.

Na FDN, quando um traficante considerado do alto escalão morre, como aconteceu com três traficantes nos últimos três meses, o próprio conselho foi quem determinou o luto de três dias nas penitenciárias comandadas pela organização. Nesse período os internos não podiam ingerir bebida alcoólica, fumar, usar drogas e nem manter relações sexuais. A única coisa permitida e obrigatória era ouvir música gospel.

Dentre os principais nomes que fazem parte do conselho da FDN estão o “Mano G” (que pode ser o “Giba”, “Gregório”, ou “Gelson Carnaúba”), José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, Alan Souza Cartimário, o “Nanico”, João Pinto Carioca, o “João Branco”, Ronairon Moreira Negreiros, Francisnaldo dos Santos Silva, o “Cinta-Larga”; Janderson Araújo da Silva, o “Boca Rica”; e Fábio Diego Mattos Oliveira, o “Piu Piu”.

Vainer de Matos Magalhães, o “Pepe”, também faz parte do conselho, mas está foragido. Há indícios, segundo a Depre, de que ele esteja na Bolívia, onde a namorada dele cursa Medicina. O Genildo da Silva Saraiva, o “Candiru” fazia parte do conselho, mas foi morto no dia 22 de maio após trocar tiros com a Secretaria-Adjunta de Inteligência (Seai) da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e Grupo Força Especial de Resgate e Assalto (Fera), da Polícia Civil.

CARACTERÍSTICA DO CRIME

As investigações da delegacia de entorpecentes descobriram que o alto poder de corrupção envolve pessoas do judiciário, legislativo, Polícia Civil, Polícia Militar, promotores e até pessoas da Corregedoria.

No esquema da lavagem de dinheiro, o estelionatário tem papel fundamental no crime organizado. É ele o responsável por levantar fundos para a compra da droga, por meio da criação de empresas em nomes de “laranjas”. Há casos em que um estelionatário conseguiu empréstimo bancário de R$ 200 mil para ser usado no crime.

É comum os chefes do tráfico abrir empresas em nomes de parentes, com o objetivo de “lavar” o dinheiro do tráfico. O Pepe, Mário Tabatinga e Zé Roberto são exemplos de traficantes de possuem lojas de veículos.

Uma das formas de demonstrar superioridade e “marcar território” é no modo como os crimes acontecem. Quem trai o conselho geralmente é executado de forma cruel. O mesmo acontece com os adversários.

A hierarquia funciona de forma piramidal. Cada conselheiro tem sua pirâmide, que é formada pelo olheiro, seguido do vapor, depois o boqueiro, gerente e, por fim, o chefe da boca. Cada um comanda uma área específica da cidade.

Na Zona Sul, por exemplo, o Giba é responsável por administras as áreas. Para abrir uma “lojinha” (boca de fumo) tem que ter autorização do chefe. Essas lojinhas só funcionam com material específico de alguém.

No Coroado, de acordo com investigações da Depre, um traficante queria vender 10 quilos de maconha, mas tinha que ter permissão do Ronairon. Na maioria das vezes o chefe não dá permissão. Mas quando concede, leva uma grande fatia do lucro, como uma espécie de “concessão”. A droga é vendida à vista ou no apurado (o que for apurando vai pagando).

Especializada está sucateada

Para combater o tráfico de drogas em todo o estado, a Depre dispões apenas de oito investigadores, que também fazem o papel da inteligência, e dois delegados.

Sem estrutura e equipamentos mínimos adequados, a especializada funciona com equipamentos precários e sucateados. Sem recursos financeiros vindos do Estado ou Município, eles pagam com recursos próprios os informantes para elucidações dos casos. Devido a essas exposições, os investigadores e delegados são ameaçados de morte constantemente por traficantes do PCC e FDN.

Os investigadores não dispões de rádio com frequência específica e óculos de visão noturna. Os computadores da delegacia são conectados com fiação exposta e funciona no “porão” do prédio da DRCO e Dema.

Consórcio para trazer as drogas

Segundo investigações da Depre, toda a maconha prensada, aromatizada, hidropônica e Skank (outra variação) comercializadas em Manaus pelo PCC e FDN vêm do Paraguai via Mato Grosso. Cada facção tem sua logística para trazer a droga e, em algumas vezes fazem um consórcio e deixam a rivalidade de lado para poder obter grande quantidade de entorpecente. A maconha produzida no Município de Maués, por exemplo, tem pouco valor de mercado

A cocaína entra no estado pela tríplice fronteira (Brasil, Bolívia e Peru). Geralmente a porta de entrada é o Município de Tabatinga, no Amazonas, ou pelo Peru, via Acre. De acordo com os investigadores.

As investigações feitas na Delegacia Especializada em Prevenção e Repressão a Entorpecentes (Depre) apontam que a FDN atualmente negocia droga sintética com traficantes de outro País. Ecstasy e LSD são trocados por igual valor de mercado por maconha e cocaína.

Os grandes traficantes não medem esforços para mostrar o que ganham. Muitos deles ostentam grossos cordões de ouro, relógios caríssimos, carros de luxo, lanchas, dentre outros. Até lipoescultura as mulheres fazem usando o dinheiro do tráfico.