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Marido e filha de inglesa morta no rio Negro clamam por justiça

Família Metcalf volta para a Inglaterra sem ter nenhum retorno das autoridades amazonenses sobre o andamento do processo da morte da advogada Gillian Metcalf

Charles e Natasha Metcalf estiveram em Manaus para contratar um advogado para acompanhar o andamento do processo que investiga a morte de Gillian

Charles e Natasha Metcalf estiveram em Manaus para contratar um advogado para acompanhar o andamento do processo que investiga a morte de Gillian (Euzivaldo Queiroz)

O marido e a filha da advogada inglesa Gillian Metcalf, que morreu em setembro do ano passado depois que a lancha Dona Shirley, conduzido por Raimundo Nonato Lima colidiu com o Clicia VI, pilotado por Mailson Gomes, no rio Negro, voltaram nesta segunda-feira (14) para a Inglaterra sem ter nenhum retorno das autoridades amazonenses sobre o andamento do processo.

Segundo Charles Metcalf pelo fato de a viagem ter acontecido de forma rápida, não foi possível ser recebido pelas autoridades, mas um grupo de advogados da cidade foi consultado para prestar assessoria à família enquanto o processo durar.

De acordo com a promotor, Raimundo Oliveira, da 9º Vara Criminal do Fórum Enoch Reis, o caso foi novamente encaminhado para o 9º Distrito Integrado de Polícia, pois não foi possível determinar a responsabilidade dos dois motoristas, porém o delegado responsável pela investigação, Geovanne Pablo, informou que o inquérito foi concluído no dia nove de outubro e agora aguarda decisão da justiça. “A promotoria enviou uma requisição pedindo para que dois peritos da Marinha fossem ouvidos novamente, e no dia quatro de abril reencaminhamos tudo”, acrescentou o delegado.

Segundo Charles Metcalf o objetivo da visita foi sensibilizar as autoridades sobre o caso para que acidentes como o que matou a inglesa não se repitam.

Para Charles, passados seis meses da morte de Gillian, ficar em casa esperando pela Justiça é muito frustrante. “A sensação de que não estamos fazendo nada para acelerar o processo é muito ruim”, disse Charles Metcalf.

O marido de Gillian lembra que no dia do acidente entrou na lancha e não se sentiu seguro na sequência porque a embarcação estava andando muito rápida, além disso Charles conta que por ser feriado o rio estava cheio de pequenos barcos de passeio o que deveria ter feito com que o piloto tivesse um pouco mais de cuidado.

Charles conta que quando viu a outra lancha vindo na mesma direção achou que uma das duas embarcações iria reduzir a velocidade, mas isso não aconteceu. “Tava claro que um acidente iria acontecer se eles não parassem”, acrescentou Charles Metcalf.

No momento do acidente Gillian bateu a cabeça e morreu antes de ser socorrida.

Campanha de solidariedade

Para homenagear a mãe, as duas filhas Natasha, de 20 anos, e Alice Louise, de 18, começaram há uma semana a recolher fundos (fundraising) no https://www.justgiving.com/gillmetcalf para reformar e ampliar a escola Tajutane, na Zâmbia.

Segundo Natasha, que esteve em Manaus com o pai para tentar sensibilizar as autoridades, fora a doação no site, elas conseguiram arrecadar por volta de R$ 50 mil com amigos e familiares.

De acordo com Natasha, o objetivo do fundo é doar o dinheiro, mas se as pessoas quiserem batizar a escola com o nome da mãe seria maravilhoso. Para Charles Matcalf seria uma bela homenagem para alguém que amava viver e conhecer novos lugares.

Natasha diz que no próximo verão a família pretende ir à Zâmbia ajudar na reforma na escola. “Antes dessa viagem as doações serão finalizadas”, disse. Para estimular as doações, Natasha, Alice e mais cinco primos e amigos estão participando de provas de obstáculo em Tunbridge Wells, com fotos e vídeos no Facebook.

Cinco perguntas para Charles Metcalf, irmão da vítima

1º O senhor não estava seguro na lancha. Por que continuou a viagem?

Achei que a velocidade que eles estavam dirigindo era normal, afinal essas pessoas trabalham com isso e fazem essas viagens todos os dias. Tive vontade de gritar, mas o único instinto que tive foi me jogar no chão. Se soubesse que gritando poderia fazer com que o motorista diminuísse a velocidade eu teria feito. Talvez isso pudesse mudar o rumo da história.

2º Como tem sido os dias sem a companhia de Gillian?

Tem sido muito difícil porque ela deixou um buraco muito grande, mas com a ajuda dos amigos e principalmente da família dela, que nos apoia, nós temos suportado a dor. Vir a Manaus faz parte do processo de superação, pois tenho certeza que ela gostaria que nós lutássemos por Justiça para que esse tipo de acidente não aconteça com outras pessoas.

3º A família pretende voltar ao Amazonas?

Pra visitar não temos uma data, mas caso seja necessário testemunhar ou verificar o andamento do processo vamos voltar sim. Voltar assim que formos convocados. Gostaríamos também de concluir o passeio que iniciamos junto com a Gillian, pois temos muitas coisas bonitas para conhecer. Antes do acidente passamos pelo Paraná e a intenção era ir para o Rio de Janeiro e Salvador.

4º O senhor considera a justiça brasileira lenta?

Eu não sou advogado, mas sei que prisão não é incomum no Reino Unido por infrações graves assim. Não faz diferença saber se o piloto da Clicia VI tinha uma habilitação falsa para conduzir embarcações, pois a certificação ou não que cada motorista tinha não muda o fato de que ambos os pilotos agiram de uma maneira errada e foi isso que acabou ocasionando a morte de uma pessoa.

5º O que mais angustia a família durante todo esse processo?

A distância entre os dois países, pois me angustia muito em pensar que o crime possa ficar impune. Acredito fortemente que ambos os pilotos tiveram um papel no incidente. Qualquer um dos pilotos poderia ter evitado a colisão, mas eles não iriam ceder, era uma disputa. Depois de ler os testemunhos dos dois no inquérito, tenho certeza de que as autoridades brasileiras vão concordar e fazer Justiça.