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Operação ‘Puro Malte’: Polícia descobre fraudes à União

Investigação sobre quadrilha de falsificadores vai parar na Polícia Federal. Os membros do bando, que aplicaram golpes cujas cifras ultrapassam R$ 10 milhões, pagaram R$ 1 mil de fiança e já estão soltos

Durante as investigações da operação ‘Puro Malte’, a polícia apreendeu diversos documentos falsos, equipamentos usados na falsificação e faturas dos cartões (detalhe)

Durante as investigações da operação ‘Puro Malte’, a polícia apreendeu diversos documentos falsos, equipamentos usados na falsificação e faturas dos cartões (detalhe) (Divulgação)

A Polícia Federal (PF) será acionada pela Polícia Civil do Amazonas para investigar golpes contra a União praticados por uma quadrilha de estelionatários presa durante a “Operação Puro Malte”, deflagrada há um mês, em Manaus e Fortaleza. Os membros do bando, que aplicaram golpes cujas cifras ultrapassam R$ 10 milhões, pagaram R$ 1 mil de fiança e já estão soltos, por determinação da desembargadora Encarnação Salgado.

Durante a investigação, que durou sete meses e foi comandada pelo Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), a Polícia Civil descobriu que, além dos golpes a bancos, aplicados com o uso de cartões de créditos roubados ou adquiridos por meio de documentação falsa, a quadrilha também falsificava documentos (como certidão de nascimento, identidade, comprovante de residência e CPF) para que idosos pudessem receber aposentadorias rurais ilegalmente.

A fraude ao benefício pago pelo INSS só foi descoberta após o cumprimento de mandado de busca e apreensão no apartamento de um dos líderes do bando, identificado como Mário Pereira, em Fortaleza. Lá, a polícia apreendeu dezenas de RGs e certidões de nascimento falsas, usados no golpe à Previdência Social. No local, funcionava uma espécie de fábrica de documentos falsos, onde até máquina de datilografar era usada para inserir dados em certidões de nascimento.

A fotografia de um único idoso, por exemplo, aparece em 50 identidades, com nomes diferentes. Por meio do documento falso, o idoso requeria aposentadoria em diversos postos do INSS espalhados Brasil afora. Os valores eram sacados pelos criminosos. Os idosos ficavam com uma parcela do dinheiro roubado da União.

“Crimes praticados contra o interesse da União serão repassados à Polícia Federal, após autorização do juiz que está presidindo o processo”, disse o delegado Mário Júnior, do DRCO. “Não era isso que estávamos apurando. Esse golpe nós descobrimos no decorrer da investigação Essa matéria deve compor um inquérito da PF, que tem competência para apurar crimes praticados contra a União”, comentou o delegado.

Com tentáculos no Amazonas, Rondônia, Mato Grosso, Goiás e Ceará, a quadrilha também fabricava documentos falsos para montar empresas-fantasmas e conseguir crédito junto aos bancos. Conforme a polícia, as empresas de fachada, cujos donos só existiam no papel, funcionavam entre seis meses e um ano, até conseguirem cartões de créditos “sem limite” junto a instituições financeiras. Somente uma fatura de um dos membros da quadrilha ultrapassava os R$ 600 mil.

Vida de luxo sustentada pelo crime

A especialidade do bando era adquirir imóveis, carros de luxo, pagar viagens (e até operação plástica ao custo de R$ 30 mil) com cartões de créditos roubados ou obtidos junto aos bancos por meio de documentos falsos. “Eles tinham uma divisão de tarefas e de lucros e estabeleciam o percentual que cada um ia ganhar. Diversificam os golpes na medida da conveniência e da oportunidade”, afirma o delegado Mário Júnior.

“Podemos afirmar que essas pessoas oferecem um risco efetivo em liberdade. Elas não vão parar. O histórico delas revela a índole de cada investigado”, completou. No dia 29 de abril, a desembargadora Encarnação Salgado confirmou decisão de plantão de primeiro grau e libertou os “cabeças” do bando.

Durante a “Operação Puro Malte”, deflagrada no dia 8 de abril, a Polícia Civil cumpriu 19 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. Foram apreendidos oito carros, duas motocicletas, R$ 63.146 mil em espécie, 26 folhas de cheques em branco, 77 cartões de crédito, aparelhos eletrônicos entre notebook, celulares, tablets, TVs, central de câmeras de segurança, uma pistola PT. 380, um revólver calibre 22 e mais de 100 munições de vários calibres.

Até BMW foi comprada com cartão de crédito

Usando cartões de créditos obtidos por meio de fraude, um dos membros da quadrilha, Claudino Alves Prado, causou prejuízo de R$ 2 milhões a um único banco. A informação consta no inquérito aberto pela Polícia Civil para investigar o caso. Com nomes falsos, ele comprou uma BMW utilizando dois cartões de crédito.

Um dia após a compra da BMW, o golpista transferiu a posse do automóvel para a esposa, Jusele Lemos Leal, que também foi presa, mas já está solta, assim como o marido. Durante a “Operação Puro Malte”, a Polícia Civil apreendeu o veículo. De acordo com o delegado Mário Júnior, Claudino Prado responde a processos por estelionato em Rondônia, Ceará, Distrito Federal, e um processo por homicídio, onde a vítima foi Fernando Araújo Borges, “ex-parceiro dele”.

No dia em que deflagrou a “Operação Puro Malte”, a polícia fechou dois estabelecimentos comerciais e um depósito. Um dos estabelecimentos fechados, a L.B. Distribuidora, localizada na rua Alexandre Magno, conjunto Shangrilá, Zona Centro-Sul, pertence a Claudino Prado.

Foram presos na operação Luis Fabiano de Lima, 34, Claudino Prado, 51, conhecido como “Show”, a esposa dele, Jusele Lemos, 31, Manoel de Jesus Alves de Araújo, 25, a cunhada de Luis Fabiano, Cinara Giselle de Souza Andrade, 22, o marido dela, Jardel Ferreira Bezerra, 28, Paulo Sergio Borgneth Pantoja, 45, Carlos Cesar Bruno da Silva, 40, os irmãos Elielson de Amaral Sousa, 28, Marcia de Amaral Sousa, 34, Diego Jansen de Paula Caetano, 31, Nailson Gama da Silva Júnior, 20. Cinco carteiros também foram presos.