Os policiais militares do programa Ronda no Bairro não vão cumprir a determinação do comandante-geral da Polícia Militar (PM) do Amazonas, coronel Almir Davi, que proibiu os PMs de perseguirem suspeitos de crimes. A afirmação é do coordenador do programa, coronel Amadeu Soares. “Isso não vai acontecer. As viaturas do Ronda vão continuar perseguindo suspeitos, se for preciso. O que não vai mais acontecer é atirar em área urbana”, afirmou.
Amadeu Soares disse não saber de nenhuma determinação, mas classificou a medida como “absurda”. “É claro que é mais inteligente fazer um cerco do que sair a 120 km/h perseguindo um suspeito e colocando em risco a vida do próprio policial e de terceiros, que estão nas ruas. Mas a função da polícia é combater o crime e se, para isso, for preciso fazer uma perseguição, eles vão fazer”.
A medida, segundo fontes de A CRÍTICA, teria sido motivada pelos recentes incidentes ocorridos durante perseguições policiais, algumas resultando na morte de suspeitos perseguidos, e também pelo objetivo de evitar danos às viaturas que, no caso do programa Ronda no Bairro, são alugadas.
O assessor de Comunicação da PM, coronel Euler Cordeiro, esclareceu que a recomendação do Comando Geral é no sentido de orientar os policiais a acompanhar os infratores, mantendo a segurança. “O acompanhamento é seguir, em segurança, informando todas as redes amigas, que vão tentar fazer o bloqueio”, explicou.
Omissão
Mas, de acordo com policiais militares entrevistados pelo programa A CRÍTICA NA TV, a ordem foi clara no sentido de não iniciar perseguições a suspeitos de crimes, mesmo que o fato aconteça na frente deles, como relatou um dos PMs, que não quis se identificar, temendo represálias. “É determinação não perseguir moto, nem carro, nem ninguém, nem se eu ver a pessoa roubando na minha frente”, relatou o policial.
Coincidência ou não, a medida foi tomada pela PM depois de casos desastrosos de perseguições empreendidas por policiais militares. Em um deles, no domingo, o segurança Jorge Siqueira Brilhante, 35, morreu após a motocicleta que ele pilotava ser atingida por uma viatura 8ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), no cruzamento entre as avenidas Aruanã e Brasil, no bairro da Compensa, Zona Oeste, e cair no igarapé do Franco.
Segundo a polícia, ele trafegava sem capacete e tentou fugir de uma blitz, mas foi perseguido pelos PMs. A família do segurança acusou os policiais militares de atropelarem e matarem o vigilante propositadamente.