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Políticos do Amazonas se empenham para eleger parentes durante as eleições de 2014

Prática recorrente na política brasileira, a articulação de parentes para acumular mandatos no Executivo e Legislativo se renova na eleição de 2014, no Amazonas, com a presença de, pelo menos, seis políticos com mandato na campanha de familiares

Família e política nas eleições do Amazonas de 2014

Família e política nas eleições do Amazonas de 2014 (Arte: Thiago Rocha)

Pelo menos seis políticos com mandato, no Amazonas, tentam eleger parentes para ocupar uma das cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) ou da Câmara dos Deputados. A lista inclui o prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB), que faz campanha para eleger o filho Arthur Bisneto (PSDB) deputado federal. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) também está empenhada para eleger o marido, Eron Bezerra (PCdoB), deputado federal. Glória Carrate (PSD), que alçou voo político impulsionada pela popularidade do marido, Miguel Carrate (PV), que já foi deputado estadual, agora vê o companheiro tentar voltar à ALE-AM.

Já os deputados federais Henrique Oliveira (SDD) e Sabino Castelo Branco (PTB) querem eleger os filhos deputados estaduais. O deputado federal Silas Câmara (PSD) busca reeleger a esposa, Ana Lúcia (PSC), deputada federal pelo Estado do Acre e vai além. Este ano quer obter mandatos para as duas filhas. Gabriela Câmara (PTC) concorre a uma das cadeiras na Assembleia Legislativa do Acre (ALE-AC), enquanto Milena Câmara (PPS) quer ser deputada distrital (equivalente a estadual) no Distrito Federal.

Com exceção de Artur Neto e Vanessa Grazziotin, todos os demais padrinhos também buscam a reeleição ou disputam outra vaga, que é o caso de Henrique Oliveira, que concorre como candidato a vice-governador.

Para o analista político Afrânio Soares, presidente da Action Pesquisas, só o parentesco não basta para que os postulantes tenham sucesso na disputa. “Se for só a história do vem comigo, não creio que alguma dessas candidaturas vá muito longe”, afirma. Soares aponta a necessidade de um conjunto de fatores para que os apadrinhados menos conhecidos consigam se eleger. “É preciso uma campanha estruturada”, observa.

“No passado e até recentemente, alguns políticos conhecidos conseguiram eleger filhos, que na maioria das vezes estavam iniciando a vida política. O Artur Neto fez o Arthur Bisneto vereador com 20 anos. O Serafim Corrêa fez o Marcelo Serafim deputado federal. O Sabino fez o Reizo vereador. O Nelson Azedo fez o Nelsinho vereador. O Luiz Fernando Nicolau fez o Ricardo Nicolau”, lembrou.

O analista pontua que é necessário que os filhos tenham que participar do legado dos pais. “O Reizo, por exemplo, apresentava o mesmo programa e fazia as mesmas ações sociais do pai”, exemplifica. “No caso dos dois que têm programas de assistência (Luiz Fernando e Nelson Azedo), não foi só o fato do doutor Fernando pedir votos para o Nicolau ou do Nelson pedir voto para o Nelsinho que fizeram deles eleitos. Foi uma conjuntura de fatores, entre eles uma campanha estruturada. A maioria dos casos ocorre dessa maneira”, afirma.

Dos apadrinhados que concorrem a vagas no Amazonas, Henrique Oliveira Filho (SDD), 24 anos, é o único estreante. Eron acumula cinco mandatos de deputado estadual. Bisneto é deputado estadual, antes foi vereador e disputou a Prefeitura de Manaus em 2004. Reizo está no segundo mandato de vereador.

Serafim e Marcelo são candidatos

O ex-prefeito Serafim Corrêa (PSB), que em 2006, quando estava à frente da prefeitura, foi o principal cabo eleitoral do filho, Marcelo Serafim (PSB), que se elegeu deputado federal com 92,2 mil votos. Em sua estreia, em 2004, mesmo ano em que o pai venceu a disputa na prefeitura, Marcelo teve apenas 4,2 mil votos como candidato a vereador de Manaus e não foi eleito.

Serafim contou nesta quinta-feira que ele e a família não queriam que Marcelo ingressasse na política. “Nós já tínhamos um político na família, que era eu. E o político tem que abrir mão de muitas horas de convivência com a família para poder estar na política e não queríamos isso para ele. No entanto, eles nos convenceu e nós o apoiamos”, disse. “Eu sempre respeitei as decisões dos meus filhos. Como regra, os filhos políticos têm identidade própria, CPF próprio. Eles são pessoas responsáveis”, observou, ao frisar que é importante que todas as pessoas se interessem em participar da política.

Ele disse que o filho sempre o procura para pedir conselhos. “Nem sempre concordamos. E isso é muito natural”, frisou. Serafim avaliou como positiva a atuação do filho como vereador e deputado. “Ele é uma pessoa responsável, é estudioso, trabalhador, dedicado”, disse.

Sabino diz que ideia partiu de Reizo

O deputado Sabino Castelo Branco disse, ontem, que partiu de Reizo a vontade de ingressar na política. “E é claro que eu o apoiei. Ele fez um bom trabalho, tanto é que agora (em 2012) foi o mais votado”, afirmou. O parlamentar revelou que, para a disputa deste, ano Reizo resistiu em lançar candidatura a deputado estadual porque a mãe, Vera Castelo Branco (PTB), concorre à reeleição ao mesmo cargo.

“Ele relutou até o último instante. Mas, eu tinha as pesquisas nas mãos que foram feitas com o eleitor dele que afirmavam que não votariam em outro candidato que não fosse ele. Cerca de 85% dos eleitores do Reizo não votam em outro que não for ele. Ou seja, não transferia o voto para mãe. A deputada tem os votos dela aqui e no interior”, disse. “Ele não queria que entendesse que ele estaria disputando espaço com a mãe”, completou.

Sabino afirmou que não interfere no trabalho do filho. “Ele é muito independente. Como pai ele me respeita muito, agora quando é para apresentar um projeto, votar, ele não fica dependente de mim, não. Eu não interfiro. Até hoje, nesses seis anos que ele tem de vereador, eu fui duas vezes na Câmara Municipal”, disse.