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Após 'boom', mercado imobiliário local entra na rota da estabilidade, diz presidente de construtora

Otacílio Valente, presidente da Construtora Colmeia, cita exemplos desse cenário econômico que entrou de vez na rota da estabilidade com novos e bons negócios

Presidente da construtora Colmeia, Otacílio Valente

Presidente da construtora Colmeia, Otacílio Valente (Evandro Seixas)

Após a euforia vivida nos últimos anos, as incorporadoras e construtoras locais parecem enfim, caminhar rumo à maturidade. A análise foi feita pelo presidente da construtora Colmeia, Otacílio Valente. No início do mês, ele esteve em Manaus para o lançamento da quinta torre do Residencial Bosque Flores, e falou a DINHEIRO sobre cenário econômico, perspectivas e tendências do mercado imobiliário da capital amazonense.

A Colmeia está iniciando as vendas da quinta torre de um condomínio residencial lançado em dezembro do ano passado e que já possui dois terços dos apartamentos vendidos. A velocidade das vendas pode significar, atrelada ao desempenho de outras construtoras, uma recuperação do ritmo do mercado imobiliário na cidade?

Sim. Desde 2009, observamos uma precipitação por parte de muitas construtoras em fazer lançamentos de produtos (condomínios) ao mesmo tempo. Grandes incorporadoras do Sul do país saíram de sua sede e foram ocupar espaços em todo o Brasil. Como resultado, chegou um momento em que não havia como escoar esses produtos. Agora, me parece que a situação está um pouco mais estabilizada para todos. Acredito que o mercado está “tomando juízo”.

Quais erros podem ter sido cometidos pelas empresas do setor em Manaus para que houvesse esse estoque de apartamentos verificado, sobretudo em 2013?

Creio que algumas empresas não souberam enxergar as necessidades dos consumidores porque chegaram às cidades sem absorver a cultura local, implantando um modelo sulista e sem adaptações às realidades da Região Norte. Faltou pesquisa de mercado para saber onde e como as pessoas gostariam de morar.

Que diferenças o senhor pode citar?

Muitos apartamentos foram adensados em pequenas torres, por exemplo. Para a realidade do Sul e Sudeste em que o terreno representa até 25% do custo da construção, faz sentido que sejam colocados de seis a oito apartamentos por andar. Em Manaus, não é necessário. As pessoas querem espaço e esse espaço pode ser concedido a elas, porque o preço do terreno na cidade representa menos de 15% do valor gasto para construir.

O senhor acredita que o mercado tenha passado por uma euforia?

Com certeza. As empresas entraram-se em um estado de euforia ao achar que tudo o que se lançasse, seria vendido. Nesta empolgação generalizada, esqueceram de dimensionar a demanda. Por esse motivo ocorreram os estoques.

E hoje, de forma geral, o senhor pode dizer que o mercado está mais maduro?

Sim. Hoje, após várias construtoras do setor terem, enfim, conseguido escoar estas unidades extras, muitos erros foram corrigidos e o cliente tem mais opções. Agora ele pode escolher dentre as que mais se adequam às suas necessidades.

Neste processo de euforia, o público-alvo das construtoras se deparou com uma escalada de preços dos imóveis. Com esta maturidade, os preços também podem voltar atrás?

Os preços também vão se adequar e ficar justos. Em alguns momentos talvez eles tenham subido mais do que deviam, mas não há mais essa tendência. Eu não acredito em queda de preços, mas em equilíbrio dos preços como estão. Eles devem acompanhar ou corrigir a inflação, mas agora sem grandes sobressaltos de elevação.

E qual é a média do preço do metro quadrado hoje em Manaus, conforme sua avaliação do mercado?

O preço médio gira em torno de R$ 4,7 mil reais, por metro quadrado, para apartamentos de dois ou três quartos. No Sul e no Sudeste do país, o metro quadrado para o mesmo tipo de apartamento custa aproximadamente R$ 6 mil. Significa que, mesmo com os preços de logística que encarecem o metro quadrado local, ainda conseguimos um bom preço.

O senhor pode apontar tendências para o desenvolvimento do mercado local este ano? Quais áreas da cidade se destacam como promessas de bons negócios?

As pesquisas que temos feito têm identificado claramente que a região da Ponta Negra ainda é a maior área de valorização. Os empreendimentos que estão surgindo neste local são sofisticados e agregam ainda mais valor àquela região.

Manaus ainda é um lugar com espaço para o crescimento do mercado imobiliário?

Tenho convicção que sim. Existe mercado, o que é necessário é identificar o produto e onde ele pode ser instalado.

Mesmo com o cenário favorável, o setor segue enfrentando desafios. Em sua análise quais seriam esses desafios?

O grande desafio das incorporadoras é a legislação ambiental em todo o País. Ela é muito confusa, não define claramente as competências, possui interpretações diversas e instalou uma insegurança jurídica na hora de empreender. O empresário tem medo de adquirir uma área nobre de preço elevado e não saber o quanto e se vai poder usar a área.

Como o senhor avalia este ano para o segmento imobiliário?

Este ano tem se desenhado positivamente. Minha preocupação é com o ano de 2015. O governo está segurando tarifas de energia elétrica, ônibus, transporte coletivo, entre outras. Essas tarifas provavelmente serão “soltas” depois das eleições, o que deve refletir na inflação do ano seguinte. Com este aumento, corremos o risco de perder uma grande conquista nos últimos 20 anos: a inflação controlada no País. Se isso ocorrer,a construção civil não será a única prejudicada.

Residencial Bosque Flores

A construtora Colmeia lançou na última terça-feira, a quinta torre, de um total de seis, do Residencial Bosque Flores, localizado na Avenida Torquato Tapajós, na Zona Oeste de Manaus. Os apartamentos de dois e três quartos possuem área de 60 a 68 metros quadrados, com duas vagas na garagem e acabamento em porcelanato e fachada em cerâmica. O valor do investimento varia de R$ 260 mil a R$ 310 mil.

Segundo o presidente da construtora, Otacílio Valente, o grande diferencial do empreendimento é um preço mais acessível, porém, com o mesmo requinte dos apartamentos da construtora localizados na ponta Negra. “Queríamos inaugurar um produto inédito para a classe B (classe média alta). Então desenvolvemos este produto que mesmo em um espaço menor de área construída, oferece qualidade”, detalha.

Segundo ele, os primeiros blocos de apartamentos, pertencentes às cinco primeiras torres comercializadas pela empresa, começam a ser entregues em 2016. Os últimos apartamentos estão com a entrega prevista para 2017 parciais. Até o momento, 240 apartamentos de um total de 360 unidades já foram vendidas.