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Cheia 2014: Vazante lenta prejudica ainda mais produção rural no Amazonas

Lentidão na vazante deixou agricultores sem áreas adequadas para plantação. Pecuaristas sofrem com falta de pasto

No interior, plantações inteiras de maxixe, jerimum e malancia foram perdidas por causa da demora na vazante

No interior, plantações inteiras de maxixe, jerimum e malancia foram perdidas por causa da demora na vazante (Arquivo/A CRÍTICA)

A cheia deste ano - que atingiu 29,44 metros e foi a quinta maior da história - trouxe mais um complicador para a produção rural do Amazonas: a lentidão do processo de vazante dos rios. O nível das águas tem recuado devagar afetando principalmente a pecuária, culturas de várzea como hortaliças e melancia, além de atrasar o início da plantação de juta e malva. A estimativa da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) é de que pelo menos 10 mil famílias estejam sendo afetadas pela demora.

O titular da Sepror, Valdenor Cardoso, explicou que os municípios do Baixo Amazonas, como Urucurituba, Parintins, Urucará Boa Vista do Ramos e Nhamundá, estão entre os mais prejudicados. “A vazante lenta comprometeu as pastagens e obriga os pecuaristas a adquirirem ração suplementar para o gado não morrer de fome. Já os agricultores de juta e malva que deveriam estar semeando desde o final de julho, ainda aguardam pela queda no nível da água para o início dos trabalhos. Plantações de maxixe, jerimum e melancia foram perdidas”, enumerou.

Consequencias

Enquanto a vazante não acelera, os prejuízos se acumulam. O Presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Amazonas (Faea), Muni Lourenço, relatou que a atividade pecuarista é que mais preocupa o órgão em termos de prejuízos. “Não temos como estimar os prejuízos, mas sabemos que esta situação está aumentando drasticamente os custos de produção na pecuária”, afirmou.

Segundo ele, os pecuaristas estão sendo obrigado a manter os rebanhos por mais tempo em terra firme e precisam alugar pastagens. Outros que já exauriram o pasto e começam a arcar com a despesa da ração do gado.

Outra situação grave é a da cultura de fibras (juta e malva). De acordo com Lourenço, as indústrias de sacarias que compravam a produção local já passaram a importar o item da Ásia devido a falta do produto no Estado. ”A cheia desse ano foi muito dura porque nem bem o setor primário saiu dos efeitos da cheia histórica de 2012 e em menos de dois ano já foi atingido novamente”, lamentou.

Perdas

Até o final de junho, conforme os dados mais recentes do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), o prejuízo do setor rural devido a cheia estava calculado em R$ 215,45 milhões, com culturas como banana e mandioca entre as mais afetadas. O volume superou em 65,74%, os danos de 2012, ano de cheia recorde, com 29,78 metros.

Produtores recebem auxílio no AM

Para amenizar os prejuízos dos produtores rurais e não afetar ainda mais a próxima safra, a Sepror informou que já está tomando providências. O titular da pasta, Valdenor Cardoso, disse que as medidas abrangem desde a facilitação do acesso dos produtores à ração suplementar – casquinha de soja -para o gado sem pastagem até auxílio técnico para a recuperação e preparação das áreas de pasto e cultivo para os próximos doze meses.

Conforme explicou, os produtores estão tendo facilitadas questões de logística, transporte e acesso a sementes. “Também estamos com parceiras com órgãos como a Embrapa para ensinar técnicas como cultivo de pastagem rotativa em terra firme, por exemplo. A ideia é evitar grandes perdas no próximo ano”, comentou.

Além do auxílio técnico, os trabalhadores rurais ainda podem solicitar financiamento junto ao Idam ou ao Banco do Brasil para reestruturar áreas de pastagem ou plantio. Devido a cheia deste ano, a Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) disponibilizou, no início de agosto, R$ 10 milhões em crédito emergencial para os produtores, com limite de R$ 10 mil por trabalhador.