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‘Os partidos que saíram da base, que saiam do governo’, diz líder do governador José Melo

O deputado Sidney Leite, novo líder do governador José Melo na ALE-AM, afirma em entrevista concedida ao A Crítica, que militância do Pros não está motivada para pedir votos para a candidata a presidente da República do Partido dos Trabalhadores (PT)

O deputado defende a saída de todos aqueles que não vão apoiar a reeleição do governador José Melo

O deputado defende a saída de todos aqueles que não vão apoiar a reeleição do governador José Melo (Luiz Vasconcelos)

Novo líder do Governo do Estado na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), o deputado Sidney Leite afirma que aliados do governador José Melo (Pros) estão resistentes em pedir votos para a presidente Dilma Rousseff (PT). José Melo anunciou, semana passada, que fará palanque para a reeleição da presidente. No entanto, o PT no Amazonas já anunciou apoio à candidatura do senador Eduardo Braga (PMDB).

O deputado defende a saída da estrutura da máquina estadual, de cargos de confiança, de todos aqueles que não vão apoiar a reeleição do governador. Deputado de primeiro mandato, Sidney Leite, que também é vice-presidente estadual do Pros, tem a missão de ser o principal interlocutor entre os colegas deputados e o governador. Ele assume o posto após a debandada do ex-líder do Governo, deputado Sinésio Campos, para a trincheira do senador Eduardo Braga (PMDB). A seguir trechos da entrevista concedida para A CRÍTICA.

O senhor acaba de assumir a liderança do governo na Assembleia. O que há de orientação, prioridade do governador José Melo (Pros) para os trabalhos na Casa?

Primeiro, ele coloca que não terá nenhum problema em estabelecer diálogo sobre qualquer tema. Segundo, ele disse que nós não teríamos dificuldades fruto disso. Eu, particularmente, já conversei com a secretária de Infraestrutura, conversei com o secretário de Educação, fiz uma visita ao reitor da UEA para que a gente possa ter discussão e debates sem nenhum problema. Tive também uma conversa prévia com o secretário de Saúde. Fiz isso logo nesses primeiros dias.

Houve uma debandada da base governista que rachou no apoio aos pré-candidatos José Melo e Eduardo Braga (PMDB) o que não torna fácil a tarefa de líder...

Eu particularmente entendo que o parlamento precisa ter oposição. Parlamento sem oposição não é parlamento. Nós precisamos divergir. Isso se faz necessário até para que a gente possa dar a nossa contribuição para a sociedade. Agora, é claro que eu assumo a liderança num outro quadro do momento político. Até então, nós tínhamos a maioria.

E como é que vai ser?

A maioria o governo tem. Mas vamos buscar sempre o diálogo e o entendimento com todos os pares.

Mas, não é uma maioria esmagadora como os governos estão habituados. Como enfrentar essa situação?

Com mais diálogo e mostrar a base desses projetos. A discussão política é inerente até porque isso faz parte do processo político. Mas, para a discussão dos projetos que o governo encaminhará para essa Casa nós vamos buscar conversar, fundamentar, com todos os parlamentares. Se tiver sugestão ou crítica, que a gente possa melhorar e aprimorar esses projetos.

Já existe uma lista de propostas de impacto?

É isso que eu dizia. Por exemplo, conversei com a UEA. Com a Seduc, o que se referia à questão trabalhista já foi encaminhado. O governador está tratando do pessoal da saúde. E tem outras coisas que ainda estão em fase de elaboração, mas acredito que em breve estará vindo para cá.

Para o senhor, que já foi prefeito de Maués, qual o peso do interior nas eleições?

Nós já vimos várias eleições em que o interior tem sempre um papel fundamental e tenho certeza que esse ano não será diferente. Terá um papel que definirá o rumo da eleição.

Na sua avaliação, o governador José Melo tem vantagem por ser e estar sempre no interior?

No interior, fora o sentimento popular, tem uma coisa que contribui muito que são as lideranças. Acredito que por todo o cenário político, o governador reunirá a maior força de lideranças. Outra coisa é que ele tem uma relação muito forte com a educação, foi dirigente do setor primário e trabalhou muito próximo ao interior em outros governos. Não tem outro político que conheça tão bem o interior até por toda essa vivência política. Então, ele tem essa vantagem a seu favor.

O senhor sempre foi muito próximo ao ex-governador Amazonino Mendes. Qual será o papel dele nessas eleições?

O Amazonino tem uma fatia do eleitorado. Conversei com um especialista que disse que ele tem um eleitor cativo, um eleitor apaixonado. O que não poderia ser diferente para quem foi governador três vezes. Toda força numa eleição é importante. Não é à toa que ele é procurado por inúmeros candidatos e lideranças. O apoio dele é importante para o processo político.

Ainda é um apoio que o Pros quer?

Com certeza.

E em que pé está a conversa com ele e com outros partidos?

Temos conversado muito. O governador já conversou com o Amazonino. Eu tenho uma relação com o Amazonino que é independente de política e temos trabalhado muito para que o Amazonino e o PDT estejam conosco no nosso arco de aliança. Hoje, o Pros tem, e que vai ser consolidado nos próximos dias, o apoio do PTN, do DEM, o apoio, que estamos conversando para ajustar, do PV, também do PSC. Estamos conversando, como já disse, com o PDT e com o PR do senador Alfredo Nascimento.

Até pouco tempo, o senhor era do DEM e fazia muitas críticas à gestão petista do Governo Federal. Como que fica essa relação, sendo o senhor vice-presidente estadual do Pros que vai fazer palanque à reeleição de Dilma?

Na condição de militante do partido, digo que o professor Melo vai ter uma certa dificuldade, e isso é uma coisa que ainda não conversei com ele, porque é muito estranho que um determinado partido de uma determinada candidata esteja num palanque do adversário e a gente apoiar essa candidata. Creio que isso é uma coisa que deverá ser discutida internamente.

Então o senhor acredita que esse apoio ainda não está selado definitivamente?

Não é isso. Uma coisa é o apoio do governador, outra coisa é o apoio daqueles que o admiram, daqueles que são seus amigos e daqueles que militam. É uma coisa que na cabeça da militância não é bem digerida.

O senhor tem preferência pelo palanque nacional do PSDB?

Eu não diria preferência. Não há é motivação. A militância não está motivada para pedir voto para o candidato do PT. Independente de quem quer que seja, porque o PT está no palanque adversário.

A falta de apoio à candidatura do Pros é a única condição para não haver motivação para pedir votos para a presidente ou há algo de ideológico nisso?

Também. Eu particularmente tenho minhas restrições. Mas, o que estou colocando não é como deputado, estou falando pelo o que eu vejo. O governador Melo toma essa decisão por entender que é o melhor caminho. A própria direção do partido o deixou muito à vontade. Eu conversei com o presidente nacional que disse que para o Amazonas não há nenhum encaminhamento para o Pros ficar com o PT e que a deliberação é que as regionais fiquem à vontade para se aliar com quem quiser.

Como o senhor avalia a manutenção de pessoas no governo que não vão apoiar a reeleição de Melo?

Eu e muitas pessoas do partido (Pros) defendem que os partidos que saíram da base que saiam do governo, inclusive o PT, e na sua integralidade. Eu acho que quem é governo, é governo. Quem é oposição, é oposição. Não dá para ser os dois. Ou não é um partido.

O senhor acha que o clima vai ficar pesado aqui na Assembleia nos próximos meses com esse racha da base?

Espero que tenham maturidade suficiente para não transformar o plenário em palanque. Essa é minha primeira experiência como parlamentar e entendo que a sociedade espera mais da gente. Que a gente não diminua o trabalho que é feito aqui, que é difícil, e que a gente não traga palanque para cá. Agora, se isso for feito, paciência.

O senhor já manteve conversas com os colegas que saíram da base governista?

Olha, eu conversei foi com o deputado Sinésio Campos. Nós viajamos juntos. Fomos para uma audiência no Município de Careiro.

E ele deu alguma dica sobre a liderança do governo?

(Risos) Ficamos de conversar. Não conversamos ainda. Conversamos mais do ponto de vista político. Conversei muito com ele e vou buscar conversar com os outros colegas, até porque, após três anos, você cria uma relação.

Qual será o maior desafio do próximo governador?

A interiorização do desenvolvimento econômico. O Estado não pode ter mais a Zona Franca de Manaus como o único modelo de desenvolvimento. Temos condições de ter um pólo gás-químico, de piscicultura, de avançar com a questão da biodiversidade. É preciso uma articulação proativa que possa dar condições nesse modelo, mas com essa logística para que a Zona Franca de Manaus possa trabalhar com os nossos países vizinhos. Agora, é preciso essa estrutura e essa logística com estradas e portos.