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Sistema Guardião sofre incêndio às vésperas de inspeção do MPE

A operação do “Guardião” é de responsabilidade da Seai. A pasta é comandada desde 2007 por Thomaz Vasconcellos e só podem ser realizadas com autorização da Justiça

Thomaz Vasconcelos, segundo fontes, acumula salários de delegado e secretário

O secretário Thomaz Vasconcellos é o responsável pelas ações de inteligência policial que envolvem o uso do Guardião (Arquivo/AC)

Às vésperas de ser inspecionado pelo Ministério Público Estadual (MPE-AM), o Sistema Guardião - superaparelho de escuta telefônica usado pela Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai) - sofreu um incêndio. O sinistro, que não teve a causa divulgada pela Seai e nem pela Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP) ocorreu na manhã do dia 22.

A operação do “Guardião” é de responsabilidade da Seai. A pasta é comandada desde 2007 por Thomaz Vasconcellos. Legalmente, as interceptações telefônicas só devem ser realizadas para fins de investigação policial. E somente com autorização da Justiça.

Mas não é raro reclamações Brasil afora, sobretudo de figuras políticas, da existência de esquemas de espionagens por meio de interceptações ilegais. No Amazonas, além da Seai, a Polícia Federal (PF) possui um supercomputador para grampear telefone. O equipamento é destinado aos órgãos de inteligência policiais.

Desde que foi adquirido, em 2006, o Guardião da Seai nunca foi inspecionado. A responsabilidade por apurar a legalidade dos atos da pasta dirigida por Thomaz é da Promotoria do Controle Externo da Atividade Policial (Proceap) do MPE-AM.

Segundo a promotora responsável pela Proceap, Cley Martins, a Seai está no roteiro de inspeção da promotoria, que inicia esse mês.

O Guardião fica na sede da SSP-AM, localizada na avenida Torquato Tapajós. No mesmo local funciona a Seai. Na manhã do dia 22, os bombeiros foram acionados para controlar o incêndio. Até o momento, a secretaria não emitiu explicações sobre o incidente. Assim como não deu publicidade ao ocorrido.

QUEIMA DE ARQUIVOA CRÍTICA tentou contato com Thomaz Vasconcellos na sexta-feira e no sábado, 1º, mas ele não atendeu as chamadas para o telefone 99xx-xx25. A reportagem de A CRÍTICA apurou que as gravações feitas pelo Guardião teriam sido perdidas. Essa informação foi negada, no sábado, pelo delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM), Josué Rocha. Segundo ele, as informações do aparelho estavam salvas. O Guardião é um sistema produzido pela empresa catarinense Digitro. O fabricante diz que não vende o supercomputador para entidades não habilitadas.

Delegado-geral desconhece causa

O delegado-geral da Polícia Civil do Estado do Amazonas (PC-AM), Josué Rocha, disse, no sábado, desconhecer as causas do incêndio no Guardião. “Não tenho essa informação. A perícia não ofereceu resultado final. Temos que aguardar o laudo da perícia”, disse o delegado-geral.

Segundo Josué Rocha, nenhuma investigação teria sido prejudicada. “Por enquanto, não. Tem um sistema de backup (cópia de segurança), que armazena as informações. Por isso não prejudicou”, disse o delegado-geral.

Josué Rocha disse não saber informar em que medida o incêndio prejudicou o funcionamento do Guardião. “Não posso também te informar. Esses detalhes assim ficaram com o secretário de inteligência (Thomaz Vasconcellos).

Na ementa do acórdão da decisão que acatou a denúncia contra os acusados na operação Estocolmo, realizada pelo Polícia Civil, o TJ-AM ressaltou que, dado o modus operandi da suposta rede de exploração sexual de menores de idade, as interceptações telefônicas foram fundamentais para desvendar o crime. Um dos réus é o deputado estadual Fausto Souza (PSD).

Governadores alvos de grampo

Em 2012, durante a CPI do Cachoeira, os governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), e de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), reclamaram que eram vítimas de grampos ilegais. Os dois sustentaram ainda a suposta existência de um esquema de espionagem e arapongagem no País.

À época, foi divulgado que a própria Polícia Federal (PF) investigava se o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, tinha um Guardião em casa ou acesso a um. Citada em reportagens, a Digitro, que fabrica o supercomputador, divulgou nota afirmando que não vende o sistema para entidades não habilitadas. E que cada equipamento tem número de série. Logo, a distribuição é controlada. “Não existe a hipótese de uso ‘avulso’ do equipamento”, defendeu a empresa em trecho da nota.