Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

‘Temos o dever de mudar e não permitir o toma lá da cá’, diz Yedo Simões em entrevista

Candidato à presidência do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM) defende uma administração compartilhada com os demais magistrados e servidores como estratégia para melhorar a imagem e a prestação de serviços da corte

Simões é o segundo entrevistado da série de entrevistas de A CRÍTICA com os três candidatos à presidente do TJ-AM

Simões é o segundo entrevistado da série de entrevistas de A CRÍTICA com os três candidatos à presidente do TJ-AM (Raphael Alves)

Membro da atual gestão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), na qual ocupa o cargo de corregedor, o desembargador Yedo Simões afirmou que, se for eleito presidente da corte, irá fazer uma administração compartilhada com os outros desembargadores, juízes e servidores.

Simões é o segundo entrevistado da série de entrevistas de A CRÍTICA com os três candidatos à presidente do TJ-AM. Na edição de amanhã, a última entrevista da série é com a desembargadora Maria das Graças Figueiredo. A seguir trechos da entrevista.

A imagem do Judiciário amazonense ficou fragilizada com a declaração do corregedor do CNJ de que Adail é blindado. O que o senhor como presidente fará para reverter essa situação?

Acho que essa questão foi tratada muito midiaticamente. Não tinha a projeção que tomou. Se nós olharmos a termo de Brasil, não é só o tribunal do Amazonas que tem esse tipo de problema. Não podemos ser tachados de um Estado onde a pedofilia é uma coisa normal. Aqui, como em qualquer lugar do mundo, existe crime dessa natureza. Agora, (o caso) foi tratado de forma midiática por pessoas que não respeitaram nossa condição como Poder Judiciário e acho que isso depõe contra a democracia. Porque quando se joga na lama ou faz insinuações dessa natureza, se depõe contra a democracia. Se começa a movimentar as forças direitistas contra o nosso sistema de governo. O Poder Judiciário não é culpado dessas questões. A culpa, se ela existir, é de toda a sociedade organizada, não digo do povo, mas de toda sociedade organizada. Porque esse atraso resulta de todo o nosso sistema de Justiça que está sofrendo mudanças.

Qual vai ser o tom de uma eventual gestão sua?

Penso numa gestão compartilhada não só com os magistrados do segundo grau, mas também com os juízes. Com os servidores também engajados nessa proposta de um novo Tribunal de Justiça. Um Tribunal de Justiça para o futuro, voltado para ações positivas. Hoje, com o patamar que está o desenvolvimento da informática poderemos prestar um serviço de qualidade e dar um exemplo para o país de organização. Agora, nós também temos que nos preocupar com o homem, com o servidor que está dando um pouco da sua vida ao trabalho no tribunal. Essa preocupação vai ser constante na nossa administração. Com a união de todos, nós podemos fazer uma grande administração, uma gestão diferenciada, voltada ao clamor da sociedade que é a prestação jurisdicional.

Na sua gestão, como vão ser tratadas as comarcas do interior?

Pretendemos dar continuidade ao concurso. Vamos reorganizar as comarcas do interior do Estado com secretarias de varas compostas por servidores suficientes para dar suporte ao juiz. Pretendemos fazer uma organização interna para dar economia em alguns setores. O nosso sistema administrativo é contratado pela Softplan/Poligraf, mas nós pretendemos migrar para um software livre e vamos economizar cerca de R$ 1,5 milhão. Pretendemos agora a contratação de um link (de Internet) exclusivo para o interior. Sabemos que o homem que está lá no interior merece atenção da Justiça.

Assumindo a presidência, como vai ser a relação com o sindicato, uma vez que o órgão reclama da atual administração?

Eu penso em manter um bom relacionamento. Sem o servidor nós não podemos avançar. Naturalmente, o tribunal tem pendências que são de décadas em função da própria lei que organizou nosso quadro. Temos pendências de data-base, de dívidas passadas que precisam ser sanadas para que o servidor possa dizer: “eu lutei e hoje estou recebendo meus diretos”. Minha intenção, e já consultei alguns especialistas da área financeira, é fazer um esforço para liquidar essas dívidas tanto com servidores, quanto com magistrados. De modo que o tribunal possa se organizar para não pagar dívidas que estão fora do orçamento.

E como ficará o pagamento da Parcela Autônoma de Equivalência (PAE)?

Minha intenção não é só pagar a PAE. É pagar todas as dívidas do Tribunal de Justiça. Temos que nos aliar a especialistas financeiros para chegarmos a um consenso sobre isso, para que o tribunal possa pagar. Magistrados e servidores têm que receber seus direitos. Isso tem que ser resolvido.

É possível uma relação saudável entre os poderes? Como fazer para que não se torne promíscua?

Com certeza é possível. O juiz não precisa agradar todo mundo. Ele deve agradar a sua consciência. O juiz deve ser íntegro, imparcial e não deve ter medo de desagradar a outra parte quando tiver razão. Porque o juiz que atende um clamor de alguém, que é amigo, que é influente vai cometer injustiça. Assim, pode ajudar uma parte, mas vai prejudicar outra. O dever do juiz é ser imparcial. A convivência com os outros poderes deve ser harmoniosa. Penso que nós também somos agentes políticos, mas a convivência não pode permitir que práticas nocivas sejam incrementadas ao Poder Judiciário. Temos o dever de mudar isso e não permitir o toma lá da cá.

A corte discute o aumento no número de desembargadores. Qual o seu posicionamento?

Eu sou favorável, sempre fui. Essa é uma posição minha. Eu vim da carreira. Penso que o tribunal, com o aumento do número de desembargadores, ficará com uma maior importância junto aos demais tribunais do país. Somos um Estado grande e faltam mais desembargadores. Dependemos da decisão que está sobre apreciação do Supremo Tribunal Federal e lá na frente isso vai ser resolvido.

Frase

“Penso que o tribunal, com o aumento do número de desembargadores, ficará com maior importância junto aos demais tribunais do país”

“O juiz não precisa agradar todo mundo. Ele deve agradar a sua consciência. O juiz deve ser íntegro, imparcial e não deve ter medo de desagradar a outra parte”

“Não podemos ser tachados de um Estado onde a pedofilia é uma coisa normal. Aqui, como em qualquer lugar do mundo, existe crime dessa natureza”.