Log in

Bem-vindo Log out Alterar dados pessoais

Esqueceu a senha?

X

Qualquer dúvida click no link ao lado para contato com a Central de Atendimento ao Assinante

Esqueceu a senha?

X

Sua senha foi enviadad para o e-mail:

Após denúncia de 'bolsistas fantasmas', deputados batem boca na ALE-AM

Falas sobre a denúncia de 'bolsistas fantasmas' na ALE-AM e a suspensão da sessão de aprovação do reajuste dos professores, na semana passada, foram o estopim para esquentar o clima entre deputados estaduais na primeira sessão da semana

Falas sobre 'Bolsistas fantasmas e professores' deram o que falar na ALE-AM

Falas sobre 'Bolsistas fantasmas e professores' deram o que falar na ALE-AM (divulgação)

Um bate-boca coletivo entre deputados, envolvendo a denúncia de 'bolsistas fantasmas' e a suspensão da sessão de aprovação do reajuste dos professores na semana passada, deu o tom da reunião plenária da manhã desta terça-feira (20) na Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

O bate-boca ocorreu durante o tempo do PT no ‘grande expediente’, após o deputado Belarmino Lins (PMDB), vice-presidente da Casa, subir à tribuna para justificar o fato de seus filhos terem usado bolsa de medicina concedida pelo parlamento – o que é alvo de três ações civis do Ministério Público do Estado (MPE-AM), que denuncia uso irregular do benefício.

No seu discurso, Belarmino Lins disse que não foi ilegal a concessão de bolsas a pessoas que não eram funcionárias da Casa. Domingo, A CRÍTICA publicou reportagem sobre uma ação civil do MPE-AM que aponta a existência de bolsistas fantasmas na gestão de Belarmino à frente da ALE-AM, uma delas é sobrinha do deputado. Na tribuna, Lins também confirmou que seus três filhos usaram as bolsas de medicinas bancadas pela ALE-AM. “Todos tiveram bolsa, todos foram meus assessores porque não existia a proibição do nepotismo”, afirmou.

O deputado citou a concessão de bolsa para especialização em gerontologia – especialidade da medicina que cuida dos idosos –, ao lembrar dos parlamentares que estão próximos de chegar à terceira idade. “É para descontrair um pouco o clima. Desarmar os espíritos”, disse.

Em seguida, o deputado José Ricardo (PT) criticou as colocações de Lins, que interrompeu o discurso de Ricardo por dois minutos – momento em que houve um grande bate-boca entre os dois deputados –, quando o presidente da ALE-AM, deputado Josué Neto (PSD), resolveu intervir e pedir calma dos parlamentares.

José Ricardo disse que Belarmino deveria ter humildade, respeito ao dinheiro público e pedir desculpa à população, enquanto Lins pedia respeito e dizia que não tinha “cometido nenhum desatino”.

O petista então prosseguiu. Provocado por Belarmino Lins, ao ser acusado de ter contribuído para a interrupção da sessão em que seriam votados projetos de lei da área de educação, criticou a condução dos trabalhos na ocasião, quando Lins presidia a sessão. Josué Neto por sua vez rebateu as críticas de Ricardo sobre o tratamento aos professores.

O deputado Sinésio Campos (PT) sugeriu que José Ricardo estava nervoso pela decisão do PT de apoiar o senador Eduardo Braga (PMDB) na disputa pelo Governo do Estado em outubro. Ao ser chamado de “pula-pula” em resposta de José Ricardo, Sinésio Campos usou da autoridade de vice-presidente estadual do PT para desautorizar o colega a falar em nome do partido e sugeriu que ele entregasse a liderança do partido na ALE-AM.

Blog – Deputado pelo PT, Sinésio Campos


“Pula-pula não, seu cínico. Me respeite!” Essa foi a tréplica do deputado Sinésio Campos à resposta do deputado José Ricardo – “Rapaz, você é um pula-pula e ainda quer falar me criticar. É lamentável” – à sua provocação: “Tem que dar uma ‘Maracujina’ para o Zé Ricardo. Eu acho que ele teve pesadelo. Acho que o pesadelo foi a decisão que o PT tomou no final de semana e ele ainda tá se rebelando”. Sinésio se referia à formalização do apoio do partido à candidatura de Eduardo Braga (PMDB)ao governo. Na semana passada, Sinésio deixou de ser líder governador José Melo (Pros) na ALE após 12 anos na liderança do Governo do Estado em outras duas gestões (Braga e Omar). Depois de pedir respeito, Sinésio prossegiu: “Eu sou vice-presidente estadual do partido e a partir de hoje você está desautorizado para falar em nome do PT aqui na Casa (...) pula pula é o cinismo de ganhar voto utilizando falso moralismo. O senhor fala em pseudomoralidade (...). Vossa excelência é o líder do partido aqui e como líder tem que acatar a decisão do partido. Caso contrário, deixe a liderança para começar a história”.

Deputado pelo PT, José Ricardo Wendling



“O senhor tem que respeitar a população”O deputado José Ricardo levou a capa de A CRÍTICA de domingo com a reportagem sobre a denúncia de ‘bolsistas fantasmas’. E disse que Belarmino tratou o assunto com “gracejos”.

“O senhor tem que respeitar a população! Tirar brincadeira aqui com a população pelo uso indevido de dinheiro público. Isso é uma lástima! Uma lástima. Eu gostaria, sim que a população soubesse o que está sendo feito com o dinheiro público”, rebateu o deputado à exigência de respeito feita por Belarmino.

“O senhor está usando dinheiro público e ainda acha brincadeira. Botou todos os filhos para estudar com dinheiro público aqui. E na maior brincadeira coloca isso como se fosse uma coisa normal, que todo mundo tem que aceitar e ficar calado. Não é normal isso, não! Não é correto. Não é ético. Não dá para tirar brincadeiras assim, não. Deveria vir com humildade pedir desculpas da população para tentar merecer de novo os votos. Deveria pedir desculpas da população!”, completou.

Sobre a situação partidária, o parlamentar disse que não pedirá votos a outro canditado, mas que não é obrigado a pedir para Braga.

Deputado pelo PMDB, Belarmino Linsde Albuquerque


“Não foi criação minha. Já peguei o bonde andando’Belarmino contestou a argumentação do MPE-AM de que o curso de medicina não guarda compatibilidade com a atividade do Poder Legislativo, sem citar a ação civil do MPE. “Se não há correlação da Assembleia com a área de saúde porque permitiram fazer concurso para médico, psicólogo, enfermeiro, dentista, etc?”, questionou. Nenhum dos filhos do deputado formados em medicina atua no centro médico da ALE-AM.

“A permissibilidade para quem não era servidor ter bolsa de estudo não foi da minha criação. Eu já peguei o bonde andando”, disse sobre os casos dos bolsistas fantasma.

Sobre as reportagens de A CRÍTICA, o deputado disse que desde 2010 “o café vem sendo requentado”. “Agora, em 2014, e eu fazendo meu trabalho, fazendo minha parte. Não sou candidato Copa do Mundo, que ganha eleição, desaparece e se esconde do povo, não. Estou nos beiradões onde sou votado, onde tenho compromisso e onde sou votado e eleito”, disse. Belarmino disse que sempre cumpriu as regras moralizadoras impostas que proibiram a contratação de parentes ou a livre concessão das bolsas.

Josué diz que ilegalidade não se repete na gestão dele


Para A CRÍTICA, o presidente da ALE-AM, Josué Neto, afirmou que em sua gestão não há “bolsistas fantasmas”. “É bom esclarecer que essa denúncia é de outra gestão que não é a minha”, disse. A ilegalidade foi identificada nas listas de bolsistas do período de 2005 a 2011. Nesse intervalo, a ALE-AM foi presidida pelos deputados Belarmino Lins e Ricardo Nicolau. Hoje Belarmino é vice-presidente e Nicolau é corregedor da Casa.

A denúncia de ''bolsistas fantasmas" foi feita pelo promotor de Justiça Edilson Martins em uma das ações civis que foram entregues à Justiça nos dias 6 e 12 deste mês. As ações dão continuidade ao trabalho de investigação feito pela 77ª Promotoria de Justiça Especializada na Proteção do Patrimônio Público, que no dia 10 de abril ingressou com outra ação civil contra a ALE-AM e outras dez pessoas também beneficiadas com bolsas de estudos do curso de medicina. O MPE-AM considera que o curso não guarda compatibilidade com as principais atividades da ALE-AM (legislar e fiscalizar), contrariando o que determina a Lei Estadual nº 2.645/2001. Onze deputados são citados pelo promotor.

No bate-boca de ontem, Josué Neto disse que José Ricardo estava mal informado sobre o tratamento que foi dado aos professores na semana passada. “Não foram maltratados. Foram muito bem tratados”, disse. Afirmou que a exigência de documentação é de praxe e que alguns professores não puderam entrar no plenário porque o local estava lotado.

Sobre a suspensão da sessão em que se votava o reajuste salarial dos profissionais, Belarmino disse que deu “tipo um corretivo nesses quatros gatos pingados que estavam tumultuando aqui o processo de votação e encerrei a votação”.

Facebook Voce Reporter
Denuncia