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Especialistas alertam para doses elevadas de resíduos de agrotóxicos em alimentos do AM

Advertência é de organizadores de seminário que discutiu os riscos causados pelos resíduos de agrotóxicos nos alimentos do amazonense

O pimentão é o campeão no ranking dos produtos com mais resíduos de agrotóxicos, mas até o tucupi tem uma parcela do veneno usado para garantir o desenvolvimento da macaxeira no campo

O pimentão é o campeão no ranking dos produtos com mais resíduos de agrotóxicos, mas até o tucupi tem uma parcela do veneno usado para garantir o desenvolvimento da macaxeira no campo (Bruno Kelly)

Ao consumir produtos como pimentão, cenoura, batata inglesa, alface e pepino, o amazonense está ingerindo elevadas doses de agrotóxicos. “Esses produtos são os que mais apresentaram resíduos de produtos químicos usados pelos agricultores e devem ser evitados porque são venenos na mesa”, alertou a pesquisadora Elisa Wandelli, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Amazonas, durante o 2º Seminário Contra Agrotóxicos e pela Vida, realizado ontem no auditório Senador João Bosco da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE).

Segundo dados de levantamentos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o pimentão é o campeão em resíduos de agrotóxicos, com 84%, seguido pela batata inglesa, com 51,9%, a cenoura tem 48,9%, e o pepino, com 32,7%. Diante desses dados, entidades como a Rede Maniva de Agroecologia do Amazonas (Rema), Embrapa Amazônia Ocidental, entre outros, discutiram a implantação e a execução das políticas públicas relacionadas à promoção da agroecologia e da soberania alimentar em contraposição aos sistemas produtivos baseados no uso de agrotóxicos.

CONSCIENTIZAÇÃO

Segundo Elisa Wandelli, neste seminário a ideia é saber o que os órgãos fizeram do que foi discutido e acertado no primeiro para a questão ambiental e social dos agricultores, para a soberania alimentar, envolvendo reforma agrária, crédito, acesso à terra, respeito às formas de vida e o uso da terra para que ofereça alimentos saudáveis. “Firmamos parcerias entre as instituições de pesquisa, ensino e extensão e a sociedade civil, assim como órgãos executivos e fiscalizadores para fazermos um plano de trabalho detalhado sobre agrotóxico, buscando a valorização da agrocecologia, que é alternativa para o uso do agrotóxico”, explicou a pesquisadora. Para ela, decisões como fortalecimento da extensão rural, sensibilização e educação, e uma escola rural que dê alternativa sustentável a essas comunidades, são fundamentais para mudar essa realidade.

Márcio Menezes, coordenador da Rema, diz que a rede é um movimento em prol da agroecologia, reunindo todos os que se importam com essa causa. “Estamos dizendo que esse modelo de produção de alimentos está contaminando a terra, água, o agricultor e quem consome”, advertiu ele, lembrando as inúmeras possibilidades de produzir sem agrotóxicos. Segundo ele, o Brasil é campeão mundial em produção orgânica, mas é também o que mais usa agrotóxicos no mundo, uma dicotomia inaceitável, o que demonstra falta de vontade política para começar a mudar essa realidade. Enquanto isso não acontece, é melhor evitar produtos que apresentam alta contaminação, do contrário, eles continuarão sendo produzidos sem qualquer respeito ao meio ambiente e à saúde humana.

Para quem quer evitar os venenos na mesa, a alternativa é consumir o que é produzido pela Associação dos Produtores de Orgânicos do Amazonas (Apoam). O presidente da entidade, Raimundo Moura de Carvalho, 59, diz haver dificuldade na produção de adubos, mas os 18 agricultores orgânicos do Estado, que aos sábados comercializam sua produção na feira realizada na sede do Ministério da Agricultura, na avenida Maceió, em Adrianópolis, não têm prejuízos. “Se tivéssemos condições de produzir mais, maiores seriam as vendas”, afirma.