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‘Gosto do diálogo e do trabalho coletivo’, diz nova presidente do TRE-AM em entrevista

Defendendo mais mulheres na política e a participação de jovens nas decisões do País, a desembargadora Socorro Guedes assume a presidência do Tribunal Regional Eleitoral e diz não temer a pressão do processo eleitoral que se aproxima

Desembargadora Socorro Guedes Moura ficará à frente da corregedoria do TRE-AM pelos próximos dois anos

Desembargadora Socorro Guedes Moura ficará à frente da corregedoria do TRE-AM pelos próximos dois anos (Juca Queiroz)

Nesta terça-feira (15) o desembargador Flávio Pascarelli deixa a presidência do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) – tem fim o seu biênio integrando o órgão. Mesmo com posse definitiva marcada para o mês que vem, a partir de amanhã, a nova comandante da corte eleitoral do Amazonas será, interinamente, a desembargadora Socorro Guedes. A posse definitiva da magistrada e do desembargador Mauro Bessa, escolhido vice-presidente e corregedor será no dia 9 de maio, em cerimônia no plenário do Tribunal de Justiça.

Terceira mulher a comandar a corte eleitoral do Amazonas, Socorro Guedes afirma que terá como marca de sua gestão o diálogo e o compartilhamento das decisões. A magistrada afirma ter como meta realizar o recadastramento biométrico em Manaus. Socorro Guedes diz que pretende buscar o aumento do quadro de servidores do tribunal. Confira trechos da entrevista com a desembargadora.

Em que estado está a estrutura do tribunal que a senhora recebe?

Fizemos um trabalho conjunto. A administração do desembargador Pascarelli foi muito pró-ativa. Eu gosto de tecnologia e o presidente sempre anuiu àquilo que a gente pensava em inovação . Houve sempre diálogo aberto e franco. Eu não tenho nenhuma dificuldade em dizer que certamente a transição está sendo muito tranquila. Esse compartilhamento de decisões já existia com o desembargador Pascarelli e espero continuar da mesma forma na minha gestão com o desembargador Mauro Bessa como corregedor.

Como a senhora vai enfrentar as pressões dos partidos, dos candidatos, da opinião pública nesse ano eleitoral?

Eu penso que a nossa vida é feita do momento presente. Então um sobrepõe o outro. Durante toda minha vida pública, desde quando vim para cá (TJ-AM) prestar jurisdição, estou à serviço. Vim para trabalhar e o trabalho para mim é um grande valor. Então, eu, realmente, não temo esse momento. Me sinto preparada para ele. Conto com o apoio dos servidores.

E a relação com os servidores vai ter qual característica?

Sempre que tenho oportunidade, enalteço a qualidade dos trabalhos dos servidores. Nós, membros da corte, passamos por ali quando muito por dois biênios, e eles permanecem. Cada servidor tem a história do tribunal nas suas células e estão ali para contribuir. Eu costumo dizer que sou extremamente humilde para chamar cada um e perguntar, pedir ajuda. Acho que a característica principal da nossa gestão será essa de dialogar com a corte, com os servidores e com toda a sociedade.

Quais as principais dificuldades da Justiça para as próximas eleições? E como resolver?

O que ainda temos de dificuldade, de desafio, é o número de servidores. O número de magistrados que temos hoje na Justiça do Amazonas ainda é pequeno. Não temos como improvisar, mas já estamos dando solução a essa dificuldade com o concurso em andamento, que certamente será provido a tempo de que esses servidores possam ir para as zonas eleitorais do interior e ali dar o suporte que precisamos. Quanto aos magistrados, tem um concurso que não vai ser suficiente, aí teremos que usar a competência e experiência dos juízes que não estão prestando jurisdição eleitoral.

O que falta para o processo eleitoral ser mais democrático?

Hoje vemos acesso à educação, a uma vida mais confortável, diferentemente de 20 anos atrás. Mas ainda é pouco. Temos que ampliar a possibilidade de escolha dos candidatos. Temos que fazer com que as mulheres participem de forma mais efetiva do processo eleitoral. É impressionante nós observarmos que 50% do eleitorado é feminino. No entanto, a representação feminina em todas as esferas, no Executivo e no Legislativo, ainda é muito pequena. Aí, se perguntam por quê? O que está acontecendo? Será que está sendo possibilitada a facilitação para que a mulher não dê só seu nome para compor a quantidade de candidatos femininos?

É preciso criar uma regra para ajustar, corrigir isso?

Não necessariamente. Acho que precisa de incentivo de todos nós. Para entrar uma mulher no cenário político, tem que sair alguém. E ninguém quer dar um espaço que já conquistou. É preciso nós acreditarmos mais na capacidade. Como a maior parte do eleitorado é feminino, a própria mulher tem que confiar na capacidade feminina. Não é questão só de gênero, mas de sabermos que a participação feminina traz outro direcionamento, traz a experiência familiar. E não se iludam, nenhuma mulher, seja desembargadora, seja empresária, por mais ocupada que seja, deixa de assumir o papel de mãe, de dona de casa. A mulher pode ser um diferencial. Defendo uma participação feminina mais efetiva. O importante é cada um fazer a sua parte e que ninguém peque por omissão.

Omissão?

A omissão é um dos grandes pecados da nossa sociedade atual. Isso me faz medo. Nesse momento vemos alguns jovens que ao ver o cenário político dizem: “não quero participar disso” ou “ali não tem pessoas sérias”, e que se pudessem nem votariam. Só vão porque é obrigatório. É preciso que tomemos a consciência de que no momento em que você se omite permite que os maus políticos assumam os cargos de direção. É preciso fazer o contrário e que os homens bons acreditem que eles podem dar essa contribuição, cada vez mais.

Qual a marca que a senhora pretende imprimir?

Tive oportunidade de aos 40 anos estar à frente do Ministério Público. Não tinha experiência nenhuma de gestão, mas tinha o que ainda tenho muito que é vontade de trabalhar, disposição. Gosto do diálogo, do trabalho coletivo. Se tiver um tônico é esse o de diálogo. Trabalho em conjunto de forma que não seja a administração da desembargadora Socorro, mas o tribunal fazendo o seu papel, que não é nenhum favor, mas nosso dever. Espero que as eleições desse ano sejam as mais tranquilas que pudermos fazer, com seriedade, rapidez e competência. Da minha parte, podem contar com trabalho assíduo e disposição de receber a todos.

E quanto à biometria. Quais são suas metas?

Uma expectativa é fazer a biometria na capital. Isso é um sonho e já está sendo viabilizado pelo TSE o fornecimento de kits. Mas tem que ter uma ingerência política para conseguir o financeiro porque vamos fazer isso terceirizado aqui, como já é feito em outros Estados. Em 2016, esperamos já utilizar a biometria na capital.

A senhora já se decepcionou com algum político de quem já foi eleitora?

Sim. Muitas vezes a minha esperança não foi correspondida satisfatoriamente. Mas que bom que após quatro anos temos oportunidade de votar novamente. Isso faz parte da vida, né? A gente ouve as propostas dos candidatos e acreditada nelas. O ponto importante é que isso não deve ser feito só no período eleitoral. Depois, como cidadãos, deveríamos acompanhar de perto aquelas pessoas que votamos.