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Trabalho na Arena da Amazônia era orgulho para especialista morto em construção do estádio

Operário, Antonio José Pita Martins, era especialista em guindaste e atuou nos estádios da África do Sul, Benfica e Sporting e ainda na Arena do Grêmio (RS)

Antonio Martins concedeu entrevista ao caderno Craque, no ano passado, e falou do orgulho pelo trabalho na Arena

Antonio Martins concedeu entrevista ao caderno Craque, no ano passado, e falou do orgulho pelo trabalho na Arena (Clóvis Miranda)

O operário Antonio José Pita Martins, 55, morto nesta sexta-feira (07) na desmontagem de um guindaste usado na obra da Arena da Amazônia, era um especialista na construção de estádios de futebol. Antes de vir para Manaus, ele atuou na construção dos estádios do Benfica e Sporting, clubes tradicionais de Lisboa, arenas feitas para a Copa da África e na Arena do Grêmio, em Porto Alegre.

Antonio Martins trabalhava há dez anos com o guindaste chamado “carinhosamente” de “Hulk”, porque era verde e grande. Um equipamento que pesa 750 toneladas e atinge 66 metros de altura. Foi na desmontagem dele que uma peça de soltou e caiu sobre Antônio.

Natural da cidade turística de Ericeira, considerada a “Terra do Surf” em Portugal, Antonio pretendia voltar para a casa após o encerramento dos trabalhos na Arena da Amazônia. A liberação do corpo dele para o translado à Portugal deverá acontecer ainda hoje. Em Manaus, ele era contratado da empresa Multfer, uma terceirizada da empreiteira Andrade Gutierrez. A Multfer é especializada na operação do guindaste no qual Antônio trabalhava e estava desativado desde o dia 11 de janeiro. Ontem, em nota, a Multfer garantiu que está prestando o apoio necessário a família, além de acompanhar a pericia para apurar o acidente.

Grave acusação

O Ministério Público do Trabalho acusou a construtora Andrade Gutierrez de adulterar o local em que morreu Antonio José Pita Martins, 55. O procurador do trabalho Jorsinei Dourado do Nascimento teve conhecimento do acidente, ocorrido na obra da arena, e de imediato se deslocou até o local e solicitou a presença da Polícia Civil.

O procurador verificou que a cena onde ocorreu o acidente estava sendo alterada pela empresa,Andrade Gutierrez, a exemplo da escada onde o trabalhador estava e foi retirada de local. Além disso, foi jogada areia sobre os vestígios de sangue no chão. “Mais uma vez, o acidente ocorreu com trabalhador de empresa terceirizada, o que não exclui a responsabilidade da Andrade Gutierrez, a titular da obra e, portanto tem o dever legal de assegurar o cumprimento das normas de proteção de todos os trabalhadores no canteiro de obras, sejam eles funcionários da empresa ou terceirizados”, declarou Jorsinei.

Faltando sete dias para a entrega oficial da Arena da Amazônia, anunciada na semana passada pelo governador Omar Aziz para o dia 14, o quarto acidente envolvendo um operário da Arena da Amazônia foi registrado, por volta de 8h de ontem.

Antonio chegou a ser levado ao hospital 28 de Agosto, na Zona Centro Sul e depois encaminhado para João Lúcio, na Zona Leste, onde passou por uma cirurgia na cabeça e faleceu no inicio da tarde.

A visita que Omar Aziz, faria na manhã de ontem, foi cancelada logo após o acidente fatal com Antonio.

Sindicalista é barrado

O presidente do Sindicato da Construção Pesada, Ricardo Botelho, informou que o sindicato foi impedido de acompanhar o caso e não recebeu informações do estado de saúde do trabalhador. “Nós tentamos saber quem era o operário, mas só conseguimos depois de manter contato com outros trabalhadores da obra o que mostra que a empresa não queria informar o que estava acontecendo”, disse o presidente.

A Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Amazonas (SRTE/AM),informou que uma equipe de três auditores fiscais do trabalho, já foi ao local do acidente para realizar o relatório de inspeção. A análise do acidente de ser finalizada na próxima semana.

Peça caiu sobre operário

Antonio trabalhava na desmontagem do guindaste quando foi atingido por um pedaço da máquina

De acordo com um dos operários que viu o acidente e não quis se identificar uma peça do guindaste caiu sobre Antonio José quando ele desmontava o equipamento, que foi proibido de ser usado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) depois que o operário Marcleudo de Melo Ferreira, 22, que trabalhava na cobertura do estádio caiu de uma altura de aproximadamente 35 metros em dezembro.

O Ministério Público do Trabalho no Amazonas, que chegou a interditar a obra de cobertura da Arena da Amazônia em dezembro depois de encontrar diversas irregularidades no uso dos equipamentos de segurança, informou que após o relatório da Polícia Civil os procuradores irão definir quais serão as medidas judiciais a serem tomadas.

A assessoria de comunicação do MPT explicou, que após a interdição, a obra foi fiscalizado novamente e a empresa apresentou melhorias. “Outras recomendações foram feitas pelo MPT para que a empresa se adequasse as normas”, disse a assessoria.

Nesta sexta-feira, relatos de operários informaram que o atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) demorou mais de 20 minutos para chegar ao local. “É estranho saber que uma obra do porte da arena não tem um serviço de urgência disponível para atender os trabalhadores que sofrem acidente de trabalho”, disse o presidente Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil Pesada (Sindap Amazonas), Ricardo Botelho.