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  • Problemas causados pela cheia dos rios estão apenas no começo, alerta secretário da AAM

    Fortes chuvas e acúmulo anormal de água na cabeceira dos rios ameaçam moradores das calhas do Juruá, Purus e Madeira; Associação acionou Defesa Civil Federal para prestar auxílio a desabrigados

    Situação em Autazes já preocupa população

    Situação em Autazes já preocupa população; município ainda não decretou situação de emergência (Reprodução/ Internet)

    Os problemas provocados pela cheia dos rios em cidades do interior do Amazonas estão apenas no começo. Quem afirma é o secretário da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Tabira Ferreira, que também é prefeito de Juruá. “Já tivemos seis situações de emergência decretadas em fevereiro, e o rio costuma subir até maio. Estamos muito preocupados”, revela.

    A cheia dos rios Juruá, Purus e Madeira tem causado estragos nos municípios que ficam em seu curso. Segundo Tabira, das seis cidades que decretaram situação de emergência, três pertencem à calha do Juruá (Guajará, Envira e Ipixuna), duas à do Purus (Boca do Acre e Pauini) e uma à do Madeira (Humaitá - confira o mapa hidrológico do estado abaixo). Relatos de moradores e fotos publicadas nas redes sociais mostram alagamento nas ruas e transtornos constantes aos moradores.

    “As situações mais graves são em Boca do Acre e Humaitá. Em Boca, mais de 100 famílias tiveram de abandonar suas casas, sendo abrigadas por amigos e familiares ou em escolas. Pacientes que precisam de cuidados médicos mais complexos, como por exemplo, hemodiálise, e têm de ir até Rio Branco (capital do Acre) para conseguir tratamento, só estão conseguindo chegar lá de avião, porque a estrada está intransitável”, revela. Um estudo do CPRM sobre a situação das cheias, divulgado neste mês, revela que, até o dia 14 de fevereiro, Boca do Acre estava a 84 cm de alcançar a cota de emergência, que é de 20,2 m.

    Sobre Humaitá, Tabira lembra que o Rio Madeira abriga duas hidrelétricas, que já estão operando no limite da capacidade, e que, caso as comportas sejam abertas, a situação pode ficar ainda mais grave.  “A estrada para Porto Velho (capital de Rondônia) está inundada, e o porto, fechado, o que ameaça o abastecimento do município. São situações extremamente preocupantes”, conta o prefeito de Juruá, cidade que também sofre com a cheia e as fortes chuvas, mas cuja situação está sob controle. O estudo do CPRM revelou que Humaitá estava a apenas 36 cm de alcançar a cota de emergência (23,52m).

    “Municípios devem se preparar para o avanço das águas”

    O volume da cheia é atípico para o período, segundo o gerente de Hidrologia do CPRM Manaus (Serviço Geológico do Brasil), André Martinelli.  “O volume de água vindo da Bolívia para os rios do Amazonas foi muito alto esse ano, superando as cheias anteriores. E o período da subida vai até abril, começo de maio, por isso é impossível prever o volume que as águas ainda podem atingir”, afirma.

    Ainda de acordo com Martinelli, o monitoramento das chuvas na Bolívia, país que abriga a foz dos rios, registrou 12 mil metros cúbicos em fevereiro, volume bastante superior ao registrado em 2013, que foi de 10 mil. “A cheia desse ano já superou em mais de 10cm a maior já registrada até hoje, em 1995”, conta. “Os municípios que costumam ser afetados por ela devem se preparar para o avanço das águas, que deve acontecer”, antecipa André.

    Apoio federal

    Para oferecer ajuda à população dessas cidades, Tabira revelou que a AAM já se mobiliza junto ao Governo Federal para conseguir recursos e apoio técnico. “Na próxima segunda-feira (24) nós vamos ter uma reunião com a Secretaria Nacional de Defesa Civil e a CPRM para garantir o apoio às cidades atingidas pela cheia. O problema é que a burocracia para validar uma situação de emergência no Ministério da Integração Nacional é muito grande”, conta. “É preciso fotos, documentos, uma grande quantidade de dados pra que haja a liberação de dinheiro e pessoal. Com essa reunião, esperamos conseguir acelerar esse processo”, afirma.

    Em agosto do ano passado, o Governo Federal lançou o Plano Nacional de Gestão de Riscos e Resposta a Desastres Naturais, que definiu 821 municípios como prioritários para receber atendimento de urgência pelo Governo Federal, devido à alta incidência de desastres naturais. 37 deles estão no Amazonas. Em agosto de 2013, foi criado o CPDC (Cartão de Pagamento da Defesa Civil), que concede ajuda financeira a vítimas desse tipo de situação. O município em estado de emergência também pode dispensar licitação no atendimento a necessidades urgentes da população.

    Situação diferente em Manaus

    É importante lembrar que a cheia dos rios no interior não necessariamente se reflete em Manaus. Segundo o engenheiro Valderino Pereira, responsável pela medição do nível do Rio Negro, no Porto de Manaus, é muito comum a enchente ser grande na região do Madeira e bem modesta na capital. Outra diferença revelada pelo estudo da AAM é que o período de ápice das cheias em Manaus costuma acontecer em julho, diferente dos municípios do interior, quando ocorre nos primeiros meses do ano. Na semana entre 7 e 14 de fevereiro, porém, o rio Negro chegou a subir 27cm, segundo a pesquisa.